Caso José Serra seja eleito, tomara que não, podemos prever algumas situações pelas quais o Brasil e o povo brasileiro voltará a conviver e a sofrer:
1 – a volta da dependência do FMI e Banco Mundial e mais uma vez o país com um presidente ausente e governado por um Ministro da Fazenda, no estilo Pedro Malan, que quando das privatizações disse que o dinheiro adquirido seria investido em obras sociais para, alguns dias depois, mudar de idéia e dizer que seria para pagamento de juros da dívida, enfim, ninguém sabe qual foi o destino de tanto dinheiro, com certeza absoluta para o povo não foi;
2 – o retorno das privatizações de empresas públicas com cartas marcadas para favorecimento de grupos ligados aos interesses norte-americanos e transnacionais;
3 – a abertura do mercado ao capitalismo selvagem e descontrolado, drenando mais recursos públicos para o exterior deixando o país mais pobre ainda;
4 – a retirada de todas as formas de subsídios causando a eliminação do pequeno agricultor, da agricultura familiar e a desnutrição por falta de alimentos;
5 – o reajuste descontrolado de taxas de serviços públicos e a instituição de novas taxas, como consequência o aumento do analfabetismo, doenças e a miséria;
6 – após a reestruturação econômica imposta pelo FMI e Banco Mundial, de acordo com o modelo capitalista neoliberal, a pobreza e a miséria aumentam.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Porque sou de esquerda!
Há ainda direita e esquerda?
Diante de alguns argumentos que ainda subsistem sobre o suposto fim da divisão entre direita e esquerda, aqui vão algumas diferenças. Acrescentem outras, se acharem que a diferença ainda faz sentido.
Direita: A desigualdade sempre existiu e sempre existirá. Ela é produto da maior capacidade e disposição de uns e da menor capacidade e menor disposição de outros. Como se diz nos EUA, “não há pobres, há fracassados”.
Esquerda: A desigualdade é um produto social de economias – como a de mercado – em que as condições de competição são absolutamente desiguais.
Direita: É preferível a injustiça, do que a desordem.
Esquerda: A luta contra as injustiças é a luta mais importante, nem que sejas preciso construir uma ordem diferente da atual.
Direita: É melhor ser aliado secundário dos ricos do mundo, do que ser aliado dos pobres.
Esquerda: Temos um destino comum com os países do Sul do mundo, vitimas do colonialismo e do imperialismo, temos que lutar com eles por uma ordem mundial distinta.
Direita: O Brasil não deve ser mais do que sempre foi.
Esquerda: O Brasil pode ser um país com presença no Sul do mundo e um agente de paz em conflitos mundiais em outras regiões do mundo.
Direita. O Estado deve ser mínimo. Os bancos públicos devem ser privatizados, assim como as outras empresas estatais.
Esquerda: O Estado tem responsabilidades essenciais, na indução do crescimento econômico, nas políticas de direitos sociais, em investimentos estratégicos como infra-estrutura, estradas, habitação, saneamento básico, entre outros. Os bancos públicos têm um papel essencial nesses projetos.
Direita: O crescimento econômico é incompatível com controle da inflação. A economia não pode crescer mais do que 3% a ano, para não se correr o risco de inflação.
Direita: Os gastos com pobres não têm retorno, são inúteis socialmente, ineficientes economicamente.
Esquerda: Os gastos com políticos sociais dirigidas aos mais pobres afirmam direitos essenciais de cidadania para todos.
Direita: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são “assistencialismo”, que acostumam as pessoas a depender do Estado, a não ser auto suficientes.
Esquerda: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são essenciais, para construir uma sociedade de integração de todos aos direitos essenciais.
Direita: A reforma tributária deve ser feita para desonerar aos setores empresariais e facilitar a produção e a exportação.
Esquerda: A reforma tributária deve obedecer o principio segundo o qual “quem tem mais, paga mais”, para redistribuir renda, com o Estado atuando mediante políticas sociais para diminuir as desigualdades produzidas pelo mercado.
Direita: Quanto menos impostos as pessoas pagarem, melhor. O Estado expropria recursos dos indivíduos e das empresas, que estariam melhor nas mãos destes. O Estado sustenta a burocratas ineficientes com esses recursos.
Esquerda: A tributação serva para afirmar direitos fundamentais das pessoas – como educação e saúde publica, habitação popular, saneamento básico, infra-estrutura, direitos culturais, transporte publico, estradas, etc. A grande maioria dos servidores públicos são professores, pessoal médico e outros, que atendem diretamente às pessoas que necessitam dos serviços públicos.
Direita: A liberdade de imprensa é essencial, ela consiste no direito dos órgãos de imprensa de publicar informações e opiniões, conforme seu livre arbítrio. Qualquer controle viola uma liberdade essencial da democracia.
Esquerda: A imprensa deve servir para formar democraticamente a opinao pública, em que todos tenham direitos iguais de expressar seus pontos de vista. Uma imprensa fundada em empresas privadas, financiadas pela publicidade das grandes empresas privadas, atende aos interesses delas, ainda mais se são empresas baseadas na propriedade de algumas famílias.
Direita: A Lei Pelé trouxe profissionalismo ao futebol e libertou os jogadores do poder dos clubes.
Esquerda: A Lei Pelé mercantilizou definitivamente o futebol, que agora está nas mãos dos grandes empresários privados, enquanto os clubes, que podem formar jogadores, que tem suas diretorias eleitas pelos sócios, estão quebrados financeiramente. A Lei Pelé representa o neoliberalismo no esporte.
Direita: O capitalismo é o sistema mais avançado que a humanidade construiu, todos os outros são retrocessos, estamos destinados a viver no capitalismo.
Esquerda: O capitalismo, como todo tipo de sociedade, é um sistema histórico, que teve começo e pode ter fim, como todos os outros. Está baseado na apropriação do trabalho alheio, promove o enriquecimento de uns às custas dos outros, tende à concentração de riqueza por um lado, à exclusão social por outro, e deve ser substituído por um tipo de sociedade que atenda às necessidades de todos.
Direita: Os blogs são irresponsáveis, a internet deve ser controlada, para garantir o monopólio da empresas de mídia já existentes. As chamadas rádios comunitárias são rádios piratas, que ferem as leis vigentes.
Esquerda: A democracia requer que se incentivo aos mais diferentes tipos de espaço de expressão da diversidade cultural e de opinião de todos, rompendo com os monopólios privados, que impedem a democratização da sociedade.
Postado por Emir Sader em 13/04/2010 às 03:29 na Revista Carta Maior.
http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=446
Diante de alguns argumentos que ainda subsistem sobre o suposto fim da divisão entre direita e esquerda, aqui vão algumas diferenças. Acrescentem outras, se acharem que a diferença ainda faz sentido.
Direita: A desigualdade sempre existiu e sempre existirá. Ela é produto da maior capacidade e disposição de uns e da menor capacidade e menor disposição de outros. Como se diz nos EUA, “não há pobres, há fracassados”.
Esquerda: A desigualdade é um produto social de economias – como a de mercado – em que as condições de competição são absolutamente desiguais.
Direita: É preferível a injustiça, do que a desordem.
Esquerda: A luta contra as injustiças é a luta mais importante, nem que sejas preciso construir uma ordem diferente da atual.
Direita: É melhor ser aliado secundário dos ricos do mundo, do que ser aliado dos pobres.
Esquerda: Temos um destino comum com os países do Sul do mundo, vitimas do colonialismo e do imperialismo, temos que lutar com eles por uma ordem mundial distinta.
Direita: O Brasil não deve ser mais do que sempre foi.
Esquerda: O Brasil pode ser um país com presença no Sul do mundo e um agente de paz em conflitos mundiais em outras regiões do mundo.
Direita. O Estado deve ser mínimo. Os bancos públicos devem ser privatizados, assim como as outras empresas estatais.
Esquerda: O Estado tem responsabilidades essenciais, na indução do crescimento econômico, nas políticas de direitos sociais, em investimentos estratégicos como infra-estrutura, estradas, habitação, saneamento básico, entre outros. Os bancos públicos têm um papel essencial nesses projetos.
Direita: O crescimento econômico é incompatível com controle da inflação. A economia não pode crescer mais do que 3% a ano, para não se correr o risco de inflação.
Direita: Os gastos com pobres não têm retorno, são inúteis socialmente, ineficientes economicamente.
Esquerda: Os gastos com políticos sociais dirigidas aos mais pobres afirmam direitos essenciais de cidadania para todos.
Direita: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são “assistencialismo”, que acostumam as pessoas a depender do Estado, a não ser auto suficientes.
Esquerda: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são essenciais, para construir uma sociedade de integração de todos aos direitos essenciais.
Direita: A reforma tributária deve ser feita para desonerar aos setores empresariais e facilitar a produção e a exportação.
Esquerda: A reforma tributária deve obedecer o principio segundo o qual “quem tem mais, paga mais”, para redistribuir renda, com o Estado atuando mediante políticas sociais para diminuir as desigualdades produzidas pelo mercado.
Direita: Quanto menos impostos as pessoas pagarem, melhor. O Estado expropria recursos dos indivíduos e das empresas, que estariam melhor nas mãos destes. O Estado sustenta a burocratas ineficientes com esses recursos.
Esquerda: A tributação serva para afirmar direitos fundamentais das pessoas – como educação e saúde publica, habitação popular, saneamento básico, infra-estrutura, direitos culturais, transporte publico, estradas, etc. A grande maioria dos servidores públicos são professores, pessoal médico e outros, que atendem diretamente às pessoas que necessitam dos serviços públicos.
Direita: A liberdade de imprensa é essencial, ela consiste no direito dos órgãos de imprensa de publicar informações e opiniões, conforme seu livre arbítrio. Qualquer controle viola uma liberdade essencial da democracia.
Esquerda: A imprensa deve servir para formar democraticamente a opinao pública, em que todos tenham direitos iguais de expressar seus pontos de vista. Uma imprensa fundada em empresas privadas, financiadas pela publicidade das grandes empresas privadas, atende aos interesses delas, ainda mais se são empresas baseadas na propriedade de algumas famílias.
Direita: A Lei Pelé trouxe profissionalismo ao futebol e libertou os jogadores do poder dos clubes.
Esquerda: A Lei Pelé mercantilizou definitivamente o futebol, que agora está nas mãos dos grandes empresários privados, enquanto os clubes, que podem formar jogadores, que tem suas diretorias eleitas pelos sócios, estão quebrados financeiramente. A Lei Pelé representa o neoliberalismo no esporte.
Direita: O capitalismo é o sistema mais avançado que a humanidade construiu, todos os outros são retrocessos, estamos destinados a viver no capitalismo.
Esquerda: O capitalismo, como todo tipo de sociedade, é um sistema histórico, que teve começo e pode ter fim, como todos os outros. Está baseado na apropriação do trabalho alheio, promove o enriquecimento de uns às custas dos outros, tende à concentração de riqueza por um lado, à exclusão social por outro, e deve ser substituído por um tipo de sociedade que atenda às necessidades de todos.
Direita: Os blogs são irresponsáveis, a internet deve ser controlada, para garantir o monopólio da empresas de mídia já existentes. As chamadas rádios comunitárias são rádios piratas, que ferem as leis vigentes.
Esquerda: A democracia requer que se incentivo aos mais diferentes tipos de espaço de expressão da diversidade cultural e de opinião de todos, rompendo com os monopólios privados, que impedem a democratização da sociedade.
Postado por Emir Sader em 13/04/2010 às 03:29 na Revista Carta Maior.
http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=446
terça-feira, 30 de março de 2010
Carter: Kátia Abreu recebe 25 vezes mais dinheiro do Governo do que o MST
Paulo Henrique Amorim *
Adital -
Em dezembro de 2009, Miguel Carter concluiu o trabalho de organizar o livro ‘Combatendo a Desigualdade Social - O MST e a Reforma Agrária no Brasil.’. É um lançamento da Editora UNESP, que reúne colaborações de especialistas sobre a questão agrária e o papel do MST pela luta pela Reforma Agrária no Brasil.
Esta semana, ele conversou com Paulo Henrique Amorim, por telefone.
PHA - Professor Miguel, o senhor é professor de onde?
MC - Eu sou professor da American University, em Washington D.C.
PHA - Há quanto tempo o senhor estuda o problema agrário no Brasil e o MST?
MC- Quase duas décadas já. Comecei com as primeiras pesquisas no ano de 91.
PHA - Eu gostaria de tocar agora em alguns pontos específicos da sua introdução "Desigualdade Social Democracia no Brasil". O senhor descreve, por exemplo, a manifestação de 2 de maio de 2005, em que, por 16 dias, 12 mil membros do MST cruzaram o serrado para chegar a Brasília. O senhor diz que, provavelmente, esse é um dos maiores eventos de larga escala do tipo marcha na história contemporânea. Que comparações o senhor faria?
MC - Não achei outra marcha na história contemporânea mundial que fosse desse tamanho. A gente tem exemplo de outras mobilizações importantes, em outros momentos, mas não se comparam na duração e no numero de pessoas a essa marcha de 12 mil pessoas. Houve depois, como eu relatei no rodapé, uma mobilização ainda maior na Índia, também de camponeses sem terra. Mas a de 2005 era a maior marcha.
PHA - O senhor compara esse evento, que foi no dia 2 de maio de 2005, com outro do dia 4 de junho de 2005 -apenas 18 dias após a marcha do MST- com uma solenidade extremamente importante aqui em São Paulo que contou com Governador Geraldo Alckmin, sua esposa, Dona Lu Alckmin, e nada mais nada menos do que um possível candidato do PSDB a Presidência da República, José Serra, que naquela altura era prefeito de São Paulo. Também esteve presente Antônio Carlos Magalhães, então influente senador da Bahia. Trata-se da inauguração da Daslu. Por que o senhor resolver confrontar um assunto com o outro?
MC - Porque eu achei que começar o livro com simples estatísticas de desigualdades sociais seria um começo muito frio. Eu acho que um assunto como esse precisa de uma introdução que também suscite emoções de fato e (chame a atenção para) a complexidade do fenômeno da desigualdade no Brasil. A coincidência de essa marcha ter acontecido quase ao mesmo tempo em que se inaugurava a maior loja de artigos de luxo do planeta refletia uma imagem, um contraste muito forte dessa realidade gravíssima da desigualdade social no Brasil. E mostra nos detalhes como as coisas aconteciam, como os políticos se posicionavam de um lado e de outro, como é que a grande imprensa retratava os fenômenos de um lado e de outro.
PHA - O senhor sabe muito bem que a grande imprensa brasileira -que no nosso site nós chamamos esse pessoal de PiG (Partido da Imprensa Golpista)- a propósito da grande marcha do MST, a imprensa ficou muito preocupada como foi financiada a marcha. O senhor sabe que agora está em curso uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista, que reúne o Senado e a Câmara, para discutir, entre outras coisas, a fonte de financiamento do MST. Como o senhor trata essa questão? De onde vem o dinheiro do MST?
MC - Tem um capítulo 9 de minha autoria feito em conjunto com o Horácio Marques de Carvalho que tem um segmento que trata de mostrar o amplo leque de apoio que o MST tem, inclusive e apoio financeiro.
PHA - O capítulo se chama "Luta na terra, o MST e os assentamentos" - é esse?
MC - Exatamente. Há uma parte onde eu considero sete recursos internos que o MST desenvolveu para fortalecer sua atuação, nesse processo de fazer a luta na terra, de fortalecer as suas comunidades, seus assentamentos. E aí estão alguns detalhes, alguns números interessantes. Porque eu apresento dados do volume de recursos que são repassados para entidades parceiras por parte do Governo Federal. Eu sublinho no rodapé dessa mesma página o fato de que as principais entidades ruralistas do Brasil têm recebido 25 vezes mais subsídios do Governo Federal (do que o MST). E o curioso de tudo isso é que só fiscalizado como pobre recebe recurso público. Mas, sobre os ricos, que recebem um volume de recursos 25 vezes maior que o dos pobres, (sobre isso) ninguém faz nenhuma pergunta, ninguém fiscaliza nada. Parece que ninguém tem interesse nisso. E aí o Governo Federal subsidia advogados, secretárias, férias, todo tipo de atividade dos ruralistas. Então chama a atenção que propriedade agrária no Brasil, ainda que modernizada e renovada, continua ter laços fortes com o poder e recebe grande fatia de recursos públicos. Isso são dados do próprio Ministério da Agricultura, mencionados também nesse capítulo. Ainda no Governo Lula, a agricultura empresarial recebeu sete vezes mais recursos públicos do que a agricultura familiar. Sendo que a agricultura familiar emprega 80% ou mais dos trabalhadores rurais.
PHA - Qual é a responsabilidade da agricultura familiar na produção de alimentos na economia brasileira?
MC - Na página 69 há muitos dados a esse respeito.
PHA- Aqui: a mandioca, 92% saem da agricultura familiar. Carne de frango e ovos, 88%. Banana, 85%. Feijão, 78%. Batata, 77%. Leite, 71%. E café, 70%. É o que diz o senhor na página 69 sobre o papel da agricultura familiar. Agora, o senhor falava de financiamentos públicos. Confederação Nacional da Agricultura, presidida pela senadora Kátia Abreu, que talvez seja candidata a vice-presidente de José Serra, a Confederação Nacional da Agricultura recebe do Governo Federal mais dinheiro do que o MST?
MC - Muito mais. Essas entidades ruralistas em conjunto, a CNA, a SRB, aquela entidade das grandes cooperativas, em conjunto elas recebem 25 vezes do valor que recebem as entidades parceiras do MST. Esses dados, pelo menos no período 1995 e 2005, fizeram parte do relatório da primeira CPI do MST. O relatório foi preparado pelo deputado João Alfredo, do Ceará.
PHA - O senhor acredita que o MST conseguirá realizar uma reforma agrária efetiva? A sua introdução mostra que a reforma agrária no Brasil é a mais atrasada de todos os países que fazem ou fizeram reforma agrária. Que o Brasil é o lanterninha da reforma agrária. Eu pergunto: por que o MST não consegue empreender um ritmo mais eficaz?
MC - Em primeiro lugar, a reforma agrária é feita pelo Estado. O que os movimentos sociais como o MST e os setenta e tantos outros que existem em todo o Brasil fazem é pressionar o Estado para que o Estado cumpra o determinado na Constituição. É a cláusula que favorece a reforma agrária. O MST não é responsável por fazer. É responsável por pressionar o Governo. Acontece que nesse país de tamanha desigualdade, a história da desigualdade está fundamentalmente ligada à questão agrária. Claro que, no século 20, o Brasil, se modernizou, virou muito mais complexo, surgiu todo um setor industrial, um setor financeiro, um comercial. E a (economia) agrária já não é mais aquela, com tanta presença no Brasil. Mas, ainda sim, ficou muito forte pelo fato de o desenvolvimento capitalista moderno no campo, nas últimas décadas, ligar a propriedade agrária ao setor financeiro do país. É o que prova, por exemplo, de um banqueiro (condenado há dez anos por subornar um agente federal - PHA) como o Dantas acabar tendo enormes fazendas no estado do Pará e em outras regiões do Brasil. Houve então uma imbricação muito forte entre a elite agrária e a elite financeira. E agora nessa última década ela se acentuou num terceiro ponto em termos de poder econômico que são os transacionais, o agronegócio. Cargill, a Syngenta… Antes, o que sustentava a elite agrária era uma forte aliança patrimonialista com o Estado. Agora, essa aliança se sustenta em com setor transacional e o setor financeiro.
PHA - Um dos sustos que o MST provoca na sociedade brasileira, sobretudo a partir da imprensa, que eu chamo de PiG, é que o MST pode ser uma organização revolucionária - revolucionária no sentido da Revolução Russa de 1917 ou da Revolução Cubana de 1959. Até empregam aqui no Brasil, como economista Xico Graziano, que hoje é secretário de José Serra, que num artigo que o senhor fala em "terrorismo agrário". E ali Graziano compara o MST ao Primeiro Comando da Capital. O Primeiro Comando da Capital, o PCC, que, como se sabe ocupou por dois dias a cidade de São Paulo, numa rebelião histórica. Eu pergunto: o MST é uma instituição revolucionária?
MC - No sentido de fazer uma revolução russa, cubana, isso uma grande fantasia. E uma fantasia às vezes alardeada com maldade, porque eu duvido que uma pessoa como o Xico Graziano, que já andou bastante pelo campo no Brasil, não saiba melhor. Ele sabe melhor. Mas eu acho que (o papel do) MST é (promover) uma redistribuição da propriedade. E não só isso, (distribuição) de recursos públicos, que sempre privilegiou os setores mais ricos e poderosos do país. Há, às vezes, malícia mesmo de certos jornalistas, do Xico Graziano, Zander Navarro, dizendo que o MST está fazendo uma tomada do Palácio da Alvorada. Eles nunca pisaram em um acampamento antes. Então, tem muito intelectual que critica sem saber nada. O importante desse ("Combatendo a desigualdade social") é que todos os autores têm longos anos de experiência (na questão agrária). A grande maioria tem 20, 30 anos de experiência e todos eles têm vivência em acampamento e assentamentos. Então conhecem a realidade por perto e na pele. O Zander Navarro, por exemplo, se alguma vez acompanhou de perto o MST, foi há mais de 15 anos. Tem que ter acompanhamento porque o MST é de fato um movimento.
PHA - Ou seja, na sua opinião há uma hipertrofia do que seja o MST ? Há um exagero exatamente para criar uma situação política?
MC - Exatamente. Eu acho que há interesse por detrás desse exagero. O exagero às vezes é inocente por gente que não sabe do assunto. Mas, às vezes, é malicioso e procura com isso criar um clima de opinião para reprimir, criminalizar o MST ou cortar qualquer verba que possa ir para o setor mais pobre da sociedade brasileira. Há muito preconceito de classe por trás (desse exagero).
[*Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político - o PiG, Partido da Imprensa Golpista].
* Jornalista. Conversa Afiada - Máximas e Mínimas 1254 www.paulohenriqueamorim.com.br
Adital -
Em dezembro de 2009, Miguel Carter concluiu o trabalho de organizar o livro ‘Combatendo a Desigualdade Social - O MST e a Reforma Agrária no Brasil.’. É um lançamento da Editora UNESP, que reúne colaborações de especialistas sobre a questão agrária e o papel do MST pela luta pela Reforma Agrária no Brasil.
Esta semana, ele conversou com Paulo Henrique Amorim, por telefone.
PHA - Professor Miguel, o senhor é professor de onde?
MC - Eu sou professor da American University, em Washington D.C.
PHA - Há quanto tempo o senhor estuda o problema agrário no Brasil e o MST?
MC- Quase duas décadas já. Comecei com as primeiras pesquisas no ano de 91.
PHA - Eu gostaria de tocar agora em alguns pontos específicos da sua introdução "Desigualdade Social Democracia no Brasil". O senhor descreve, por exemplo, a manifestação de 2 de maio de 2005, em que, por 16 dias, 12 mil membros do MST cruzaram o serrado para chegar a Brasília. O senhor diz que, provavelmente, esse é um dos maiores eventos de larga escala do tipo marcha na história contemporânea. Que comparações o senhor faria?
MC - Não achei outra marcha na história contemporânea mundial que fosse desse tamanho. A gente tem exemplo de outras mobilizações importantes, em outros momentos, mas não se comparam na duração e no numero de pessoas a essa marcha de 12 mil pessoas. Houve depois, como eu relatei no rodapé, uma mobilização ainda maior na Índia, também de camponeses sem terra. Mas a de 2005 era a maior marcha.
PHA - O senhor compara esse evento, que foi no dia 2 de maio de 2005, com outro do dia 4 de junho de 2005 -apenas 18 dias após a marcha do MST- com uma solenidade extremamente importante aqui em São Paulo que contou com Governador Geraldo Alckmin, sua esposa, Dona Lu Alckmin, e nada mais nada menos do que um possível candidato do PSDB a Presidência da República, José Serra, que naquela altura era prefeito de São Paulo. Também esteve presente Antônio Carlos Magalhães, então influente senador da Bahia. Trata-se da inauguração da Daslu. Por que o senhor resolver confrontar um assunto com o outro?
MC - Porque eu achei que começar o livro com simples estatísticas de desigualdades sociais seria um começo muito frio. Eu acho que um assunto como esse precisa de uma introdução que também suscite emoções de fato e (chame a atenção para) a complexidade do fenômeno da desigualdade no Brasil. A coincidência de essa marcha ter acontecido quase ao mesmo tempo em que se inaugurava a maior loja de artigos de luxo do planeta refletia uma imagem, um contraste muito forte dessa realidade gravíssima da desigualdade social no Brasil. E mostra nos detalhes como as coisas aconteciam, como os políticos se posicionavam de um lado e de outro, como é que a grande imprensa retratava os fenômenos de um lado e de outro.
PHA - O senhor sabe muito bem que a grande imprensa brasileira -que no nosso site nós chamamos esse pessoal de PiG (Partido da Imprensa Golpista)- a propósito da grande marcha do MST, a imprensa ficou muito preocupada como foi financiada a marcha. O senhor sabe que agora está em curso uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista, que reúne o Senado e a Câmara, para discutir, entre outras coisas, a fonte de financiamento do MST. Como o senhor trata essa questão? De onde vem o dinheiro do MST?
MC - Tem um capítulo 9 de minha autoria feito em conjunto com o Horácio Marques de Carvalho que tem um segmento que trata de mostrar o amplo leque de apoio que o MST tem, inclusive e apoio financeiro.
PHA - O capítulo se chama "Luta na terra, o MST e os assentamentos" - é esse?
MC - Exatamente. Há uma parte onde eu considero sete recursos internos que o MST desenvolveu para fortalecer sua atuação, nesse processo de fazer a luta na terra, de fortalecer as suas comunidades, seus assentamentos. E aí estão alguns detalhes, alguns números interessantes. Porque eu apresento dados do volume de recursos que são repassados para entidades parceiras por parte do Governo Federal. Eu sublinho no rodapé dessa mesma página o fato de que as principais entidades ruralistas do Brasil têm recebido 25 vezes mais subsídios do Governo Federal (do que o MST). E o curioso de tudo isso é que só fiscalizado como pobre recebe recurso público. Mas, sobre os ricos, que recebem um volume de recursos 25 vezes maior que o dos pobres, (sobre isso) ninguém faz nenhuma pergunta, ninguém fiscaliza nada. Parece que ninguém tem interesse nisso. E aí o Governo Federal subsidia advogados, secretárias, férias, todo tipo de atividade dos ruralistas. Então chama a atenção que propriedade agrária no Brasil, ainda que modernizada e renovada, continua ter laços fortes com o poder e recebe grande fatia de recursos públicos. Isso são dados do próprio Ministério da Agricultura, mencionados também nesse capítulo. Ainda no Governo Lula, a agricultura empresarial recebeu sete vezes mais recursos públicos do que a agricultura familiar. Sendo que a agricultura familiar emprega 80% ou mais dos trabalhadores rurais.
PHA - Qual é a responsabilidade da agricultura familiar na produção de alimentos na economia brasileira?
MC - Na página 69 há muitos dados a esse respeito.
PHA- Aqui: a mandioca, 92% saem da agricultura familiar. Carne de frango e ovos, 88%. Banana, 85%. Feijão, 78%. Batata, 77%. Leite, 71%. E café, 70%. É o que diz o senhor na página 69 sobre o papel da agricultura familiar. Agora, o senhor falava de financiamentos públicos. Confederação Nacional da Agricultura, presidida pela senadora Kátia Abreu, que talvez seja candidata a vice-presidente de José Serra, a Confederação Nacional da Agricultura recebe do Governo Federal mais dinheiro do que o MST?
MC - Muito mais. Essas entidades ruralistas em conjunto, a CNA, a SRB, aquela entidade das grandes cooperativas, em conjunto elas recebem 25 vezes do valor que recebem as entidades parceiras do MST. Esses dados, pelo menos no período 1995 e 2005, fizeram parte do relatório da primeira CPI do MST. O relatório foi preparado pelo deputado João Alfredo, do Ceará.
PHA - O senhor acredita que o MST conseguirá realizar uma reforma agrária efetiva? A sua introdução mostra que a reforma agrária no Brasil é a mais atrasada de todos os países que fazem ou fizeram reforma agrária. Que o Brasil é o lanterninha da reforma agrária. Eu pergunto: por que o MST não consegue empreender um ritmo mais eficaz?
MC - Em primeiro lugar, a reforma agrária é feita pelo Estado. O que os movimentos sociais como o MST e os setenta e tantos outros que existem em todo o Brasil fazem é pressionar o Estado para que o Estado cumpra o determinado na Constituição. É a cláusula que favorece a reforma agrária. O MST não é responsável por fazer. É responsável por pressionar o Governo. Acontece que nesse país de tamanha desigualdade, a história da desigualdade está fundamentalmente ligada à questão agrária. Claro que, no século 20, o Brasil, se modernizou, virou muito mais complexo, surgiu todo um setor industrial, um setor financeiro, um comercial. E a (economia) agrária já não é mais aquela, com tanta presença no Brasil. Mas, ainda sim, ficou muito forte pelo fato de o desenvolvimento capitalista moderno no campo, nas últimas décadas, ligar a propriedade agrária ao setor financeiro do país. É o que prova, por exemplo, de um banqueiro (condenado há dez anos por subornar um agente federal - PHA) como o Dantas acabar tendo enormes fazendas no estado do Pará e em outras regiões do Brasil. Houve então uma imbricação muito forte entre a elite agrária e a elite financeira. E agora nessa última década ela se acentuou num terceiro ponto em termos de poder econômico que são os transacionais, o agronegócio. Cargill, a Syngenta… Antes, o que sustentava a elite agrária era uma forte aliança patrimonialista com o Estado. Agora, essa aliança se sustenta em com setor transacional e o setor financeiro.
PHA - Um dos sustos que o MST provoca na sociedade brasileira, sobretudo a partir da imprensa, que eu chamo de PiG, é que o MST pode ser uma organização revolucionária - revolucionária no sentido da Revolução Russa de 1917 ou da Revolução Cubana de 1959. Até empregam aqui no Brasil, como economista Xico Graziano, que hoje é secretário de José Serra, que num artigo que o senhor fala em "terrorismo agrário". E ali Graziano compara o MST ao Primeiro Comando da Capital. O Primeiro Comando da Capital, o PCC, que, como se sabe ocupou por dois dias a cidade de São Paulo, numa rebelião histórica. Eu pergunto: o MST é uma instituição revolucionária?
MC - No sentido de fazer uma revolução russa, cubana, isso uma grande fantasia. E uma fantasia às vezes alardeada com maldade, porque eu duvido que uma pessoa como o Xico Graziano, que já andou bastante pelo campo no Brasil, não saiba melhor. Ele sabe melhor. Mas eu acho que (o papel do) MST é (promover) uma redistribuição da propriedade. E não só isso, (distribuição) de recursos públicos, que sempre privilegiou os setores mais ricos e poderosos do país. Há, às vezes, malícia mesmo de certos jornalistas, do Xico Graziano, Zander Navarro, dizendo que o MST está fazendo uma tomada do Palácio da Alvorada. Eles nunca pisaram em um acampamento antes. Então, tem muito intelectual que critica sem saber nada. O importante desse ("Combatendo a desigualdade social") é que todos os autores têm longos anos de experiência (na questão agrária). A grande maioria tem 20, 30 anos de experiência e todos eles têm vivência em acampamento e assentamentos. Então conhecem a realidade por perto e na pele. O Zander Navarro, por exemplo, se alguma vez acompanhou de perto o MST, foi há mais de 15 anos. Tem que ter acompanhamento porque o MST é de fato um movimento.
PHA - Ou seja, na sua opinião há uma hipertrofia do que seja o MST ? Há um exagero exatamente para criar uma situação política?
MC - Exatamente. Eu acho que há interesse por detrás desse exagero. O exagero às vezes é inocente por gente que não sabe do assunto. Mas, às vezes, é malicioso e procura com isso criar um clima de opinião para reprimir, criminalizar o MST ou cortar qualquer verba que possa ir para o setor mais pobre da sociedade brasileira. Há muito preconceito de classe por trás (desse exagero).
[*Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político - o PiG, Partido da Imprensa Golpista].
* Jornalista. Conversa Afiada - Máximas e Mínimas 1254 www.paulohenriqueamorim.com.br
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Lula, o Estadista do Ano.
O mundo já não é o mais o mesmo, a claque capitalista não resistiu e chegou naquilo que já sabiamos desde muito: o Presidente Lula é o orgulho do país e do mundo.
A sua notável atuação política e econômica acabou por elevar o Brasil a um patamar jamais alcançado em todo a sua história, com uma visibilidade positiva em jornais, revistas e televisões do mundo todo.
Não nos esqueçamos dos outros títulos:
- O Homem do Ano de 2009, oferecido pelo jornal francês "Le Monde" em dezembro de 2009;
- A "Personalidade Ibero-Americana de 2009", oferecido pelo jornal espanhol "El País", também em dezembro de 2009.
Assim, contrariando a mídia irresponsável e os neoliberalistas de plantão o Presidente Lula continua a sua lide democrática.
A sua notável atuação política e econômica acabou por elevar o Brasil a um patamar jamais alcançado em todo a sua história, com uma visibilidade positiva em jornais, revistas e televisões do mundo todo.
Não nos esqueçamos dos outros títulos:
- O Homem do Ano de 2009, oferecido pelo jornal francês "Le Monde" em dezembro de 2009;
- A "Personalidade Ibero-Americana de 2009", oferecido pelo jornal espanhol "El País", também em dezembro de 2009.
Assim, contrariando a mídia irresponsável e os neoliberalistas de plantão o Presidente Lula continua a sua lide democrática.
A mídia mentirosa e o MST.
Mais uma vez a mídia mentirosa e irresponsável levanta falsidades contra o MST.
Hoje, no Jornal Bom Dia Brasil, a Rede Globo tenta criminalizar o MST taxando as manifestações contra a ocupação indevida feita pela empresa Cutrale na fazenda Santo Henrique, na região de Bauru – SP, na cidade de Iaras e Borebi, de terras da união pelo agronegócio como criminosas.
Mostrando um vídeo onde o coordenador regional do movimento Miguel da Luz Serpa comentando a possibilidade de pelo menos causar prejuízos aos posseiros ilegais da propriedade, o que não representa nada em termos legais ou mesmo factuais, mas a seguir a Rede Globo apresenta outro vídeo de uma filmagem feita de um avião com uma montagem de um trator destruindo uma plantação parecida com pés de laranja, que segundo consta foi apresentado pela Polícia Civil de Bauru.
De acordo o portal R7, o delegado seccional de Bauru, Benedito Antonio Valencise, disse que pelas imagens é possível comprovar os crimes cometidos pelos sem-terra, mas não diz quais crimes ou em qual lei podem ser imputados aos autores e sem acesso ao inquérito é impossível saber o que na realidade aconteceu, uma vez que os advogados dos acusados têm sido impedidos de acessar os autos do inquérito, segundo o delegado, para não prejudicar as investigações.
As prisões são feitas com o maior estardalhaço possível de maneira a humilhar o preso e apresentar o aparelho intimidador do estado contra aqueles que pretendem reivindicar algo em benefício da sociedade.
Não podemos esquecer a importância do MST como o único movimento de massa do país que vem sendo sistematicamente perseguido pela mídia irresponsável e posseiros, com a conivência de autoridades estaduais, pois o verdadeiro invasor, nesse caso, é a Cutrale e não o MST que tenta resguardar o direito dos verdadeiros donos da terra, nós.
O MST é um modelo a ser seguido fora do país, aqui dentro, no entanto, continua a perseguição implacável contra seus líderes e seus atos de ocupação de terras usurpadas ou improdutivas visando à atenção da sociedade para o problema maior.
Enquanto pessoas continuarem morando em favelas ou embaixo das lonas pretas do MST, ninguém reclama nada é feito e a mídia irresponsável concorda por estar de acordo com a agenda neoliberal.
Ao invés de ficarem chocadas com as notícias de que o monopólio da laranja está destruindo o ecossistema em área usurpada, as pessoas deveriam chocar com a questão da reforma agrária e tomar decisões objetivas para solução desse gravíssimo problema social, problema que estaria resolvido a muito se houvesse vontade política para tanto, entendo ser a única questão ainda pendente do governo Lula.
Devemos reforçar a nossa solidariedade ao MST pela luta que tem empreendido em favor de uma sociedade mais justa e democrática.
Hoje, no Jornal Bom Dia Brasil, a Rede Globo tenta criminalizar o MST taxando as manifestações contra a ocupação indevida feita pela empresa Cutrale na fazenda Santo Henrique, na região de Bauru – SP, na cidade de Iaras e Borebi, de terras da união pelo agronegócio como criminosas.
Mostrando um vídeo onde o coordenador regional do movimento Miguel da Luz Serpa comentando a possibilidade de pelo menos causar prejuízos aos posseiros ilegais da propriedade, o que não representa nada em termos legais ou mesmo factuais, mas a seguir a Rede Globo apresenta outro vídeo de uma filmagem feita de um avião com uma montagem de um trator destruindo uma plantação parecida com pés de laranja, que segundo consta foi apresentado pela Polícia Civil de Bauru.
De acordo o portal R7, o delegado seccional de Bauru, Benedito Antonio Valencise, disse que pelas imagens é possível comprovar os crimes cometidos pelos sem-terra, mas não diz quais crimes ou em qual lei podem ser imputados aos autores e sem acesso ao inquérito é impossível saber o que na realidade aconteceu, uma vez que os advogados dos acusados têm sido impedidos de acessar os autos do inquérito, segundo o delegado, para não prejudicar as investigações.
As prisões são feitas com o maior estardalhaço possível de maneira a humilhar o preso e apresentar o aparelho intimidador do estado contra aqueles que pretendem reivindicar algo em benefício da sociedade.
Não podemos esquecer a importância do MST como o único movimento de massa do país que vem sendo sistematicamente perseguido pela mídia irresponsável e posseiros, com a conivência de autoridades estaduais, pois o verdadeiro invasor, nesse caso, é a Cutrale e não o MST que tenta resguardar o direito dos verdadeiros donos da terra, nós.
O MST é um modelo a ser seguido fora do país, aqui dentro, no entanto, continua a perseguição implacável contra seus líderes e seus atos de ocupação de terras usurpadas ou improdutivas visando à atenção da sociedade para o problema maior.
Enquanto pessoas continuarem morando em favelas ou embaixo das lonas pretas do MST, ninguém reclama nada é feito e a mídia irresponsável concorda por estar de acordo com a agenda neoliberal.
Ao invés de ficarem chocadas com as notícias de que o monopólio da laranja está destruindo o ecossistema em área usurpada, as pessoas deveriam chocar com a questão da reforma agrária e tomar decisões objetivas para solução desse gravíssimo problema social, problema que estaria resolvido a muito se houvesse vontade política para tanto, entendo ser a única questão ainda pendente do governo Lula.
Devemos reforçar a nossa solidariedade ao MST pela luta que tem empreendido em favor de uma sociedade mais justa e democrática.
sábado, 23 de janeiro de 2010
A continuação da vergonhosa situação política de Honduras
Um acerto dissimulado entre o governo eleito pelo golpe militar em Honduras e o governo da República Dominicana concordam que o Presidente Zelaya, ainda na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, se aloje naquele país após a troca de governo.
Diz o acordo realizado entre o golpista conivente Porfírio Lobo e o presidente dominicano Leonel Fernandez que: “o Presidente José Manuel Zelaya, seus familiares e os integrantes de seu círculo íntimo possam sair para a República Dominicana no próximo dia 27 de janeiro de 2010, na qualidade de hóspede dessa nação irmã”.
No entanto, Zelaya disse que vai estudar a proposta.
Há a possibilidade do presidente de Honduras decidir se permanecerá no país ou se solicitará asilo para deixá-lo, não aceitando a proposta Fernandez/Lobo.
A desonra humilhante a que tem se submetido, após ser destituído do posto legitimamente eleito em 28 de junho de 2009, sob a mira de canhões por um golpe militar à sombra de reação nenhuma dos EUA (o país mais democrático do mundo – só para os norteamericanos e terrorista para o resto do mundo) e da OEA e se encontra acolhido desde setembro na embaixada do Brasil depois de entrar como um estrangeiro em seu próprio país.
O governo golpista de Roberto Micheletti continua a sua vergonhosa pretensão mesmo após a eleição do segundo golpista conivente e nem ao menos se deu o trabalho de pedir a revogação do mandado de prisão contra Zelaya pela fictícia violação constitucional ao debater a possibilidade de uma consulta popular a reeleição.
Diz o acordo realizado entre o golpista conivente Porfírio Lobo e o presidente dominicano Leonel Fernandez que: “o Presidente José Manuel Zelaya, seus familiares e os integrantes de seu círculo íntimo possam sair para a República Dominicana no próximo dia 27 de janeiro de 2010, na qualidade de hóspede dessa nação irmã”.
No entanto, Zelaya disse que vai estudar a proposta.
Há a possibilidade do presidente de Honduras decidir se permanecerá no país ou se solicitará asilo para deixá-lo, não aceitando a proposta Fernandez/Lobo.
A desonra humilhante a que tem se submetido, após ser destituído do posto legitimamente eleito em 28 de junho de 2009, sob a mira de canhões por um golpe militar à sombra de reação nenhuma dos EUA (o país mais democrático do mundo – só para os norteamericanos e terrorista para o resto do mundo) e da OEA e se encontra acolhido desde setembro na embaixada do Brasil depois de entrar como um estrangeiro em seu próprio país.
O governo golpista de Roberto Micheletti continua a sua vergonhosa pretensão mesmo após a eleição do segundo golpista conivente e nem ao menos se deu o trabalho de pedir a revogação do mandado de prisão contra Zelaya pela fictícia violação constitucional ao debater a possibilidade de uma consulta popular a reeleição.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Começo do fim (ou fim do começo) da crise?
Uma espantosa campanha midiática vem utilizando alguns sinais isolados para dizer que o pior da crise econômica mundial já passou. O renascimento da bolha nas bolsas de valores foi apresentado como o sintoma de uma melhoria geral. Na verdade, estamos perto de uma segunda queda recessiva seguramente mais forte que a de 2008. Os socorros globais de 2008-2009 desaceleraram a queda econômica, mas geraram enormes déficits fiscais nas potências centrais, o que as coloca diante de graves ameaças inflacionárias e de um enfraquecimento extremo em sua capacidade de pagamento. A análise é de Jorge Beinstein.
Jorge Beinstein (*)
Crepúsculo do capitalismo, nostalgias, heranças, barbáries e esperanças no início do século XXI.
Este texto se baseia nas conferências apresentadas nos seminários “Margem Esquerda-Istvan Meszaros” (USP – Editorial Boitempo, 18-21 de agosto de 2009) e “Crisi globale, lavoro, democrazia” (Fondazione Guido Piccini – Facultà di Economia dell Università degli Studi di Brescia, Brescia, 27-28 de novembro de 2009).
Começo do fim (ou fim do começo) da crise?
Desde o início de 2009, Ben Bernanke assinalava que antes do fim do ano começaríamos a ver sintomas claros de superação da crise. No mês de agosto, anunciou que “o pior da recessão havia ficado para trás” (1). Antes do estouro da bolha financeira, em setembro de 2008, Bernanke prognosticava que tal estouro nunca iria ocorrer e, quando finalmente ocorreu, seu novo prognóstico era que em pouco tempo viria a recuperação. Agora, o presidente do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) decidiu não esperar mais e anuncia ao mundo o começo do fim do pesadelo.
Ele não foi o único a fazê-lo. Uma espantosa campanha midiática vem utilizando alguns sinais isolados para impor essa idéia. Deste modo, o renascimento da bolha das bolsas de valores mundiais, desde meados de março, foi apresentado como o sintoma de uma melhoria econômica geral. Uma nuvem de “especialistas” nos explicou que a euforia da Bolsa estava antecipando o fim da recessão.
Na verdade, as injeções massivas de dinheiro dos governos das grandes potências econômicas beneficiando principalmente o sistema financeiro geraram enormes excedentes de fundos que, em condições de retração generalizada da produção e do consumo, encontraram nos negócios das bolas um espaço favorável para tornar seus capitais rentáveis. Jogando na alta dos valores das ações, empurraram para cima seus preços, o que, por sua vez, estimulou o investimento de mais e mais dinheiro na Bolsa. A isto devemos acrescentar que o motor da euforia das bolsas mundiais, a bolsa dos EUA, além do dinheiro derivado das operações locais de socorro, recebeu importantes fluxos de fundos especulativos externos que, aproveitando a persistente queda do dólar, precipitaram-se na compra de ações baratas e em alta.
Repetiu-se assim a seqüência especulativa do final dos anos 1990 e de 2007, com uma diferença decisiva: o contexto da bolha atual não é o crescimento da economia, mas sim a recessão (ou, no melhor dos casos, a estagnação). As bolhas anteriores (financeiras, imobiliárias, comerciais, etc.) interagiam “positivamente” com o resto das atividades econômicas. As altas nos preços das ações ou das habitações incentivavam o consumo e a produção e estes crescimentos, por sua vez, geravam fundos que em boa medida se voltavam para os negócios especulativos, produzindo-se assim uma espécie de circulo virtuoso especulativo-consumista-produtivo de caráter global em última instância perverso, destinado ao desastre no médio prazo, mas que causava “prosperidade no curto prazo”.
A bolha das bolsas de 2009, pelo contrário, contrasta com baixos níveis de consumo e investimentos produtivos e altos níveis de desemprego. Os excedentes de capitais bloqueados por uma economia produtiva declinante conseguem lucros na especulação financeira. O que ocorre então, graças às fabulosas operações de socorro dos governos, é um circulo vicioso baseado na especulação financeira e no crescimento débil ou negativo.
No caso do governo norte-americano este efeito negativo foi suavizado através de enormes subsídios que conseguiram incentivar alguns consumos e, deste modo, desacelerar primeiro e depois reverter a curva descendente do Produto Interno Bruto. Às fortes quedas do último trimestre de 2008 e do primeiro de 2009, sucedeu-se um decréscimo suave no segundo trimestre e um crescimento no terceiro impulsionado pelos subsídios governamentais para a compra de automóveis e habitações mais os gastos militares. Mas, por trás desta efêmera recuperação, aparece a expansão desenfreada do déficit fiscal e do endividamento público.
É evidente que a economia norteamericana não sai da armadilha da decadência. Os alívios transitórios, as tentativas de recuperação, os crescimentos viciados fortalecem e recompõem os mecanismos parasitários que conduziram ao desastre atual. O afundamento do império (do centro articulador do mundo capitalista) arrasta o conjunto do sistema mundial. Agora, no final de 2009, nos encontramos à espera de uma próxima segunda queda recessiva (2010 poderia ser o ano desta catástrofe) seguramente mais forte do que a do último trimestre de 2008. Os socorros financeiros globais de 2008-2009 desaceleraram a queda econômica, mas geraram enormes déficits fiscais nas potências centrais, o que as coloca diante de graves ameaças inflacionárias e de um enfraquecimento extremo na capacidade de pagamento de seus Estados, cuja generosidade fiscal (para as grandes empresas e as instituições financeiras) não conseguiu gerar a desejada decolagem do investimento e do consumo que era anunciada por seus dirigentes.
Segundo eles, esse prometido golpe de demanda deveria produzir a reativação durável da economia mundial e, conseqüentemente, a redução dos déficits, a anulação do perigo inflacionário, etc. Conseguiram apenas modestas reativações de certos consumos, algumas ilusões estatísticas (crescimentos do PIB, etc.) e mais parasitismo. O fracasso é evidente, o que não impede que voltem mais uma vez a aplicar suas inúteis medicinas intervencionistas (em uma curiosa combinação ideológica de neoliberalismo e neokeynesianismo financeiro). E farão isso até que se esgotem os recursos, prisioneiros da loucura geral do sistema. Em seus cérebros, não entra a realidade da violenta mudança de época que tornou obsoletos vários de seus instrumentos.
Pior ainda, não se trata só de uma “crise econômica”. Outras “crises” estão avista e a qualquer momento podem golpear com força um sistema global muito frágil. Entre elas, devemos destacar as crises energética e alimentar (que se fizeram presentes durante o ano de 2008). Ou a degradação do complexo militar-industrial dos EUA envolvendo o conjunto de aparatos militares da OTAN, atolados nas guerras do Iraque e Afeganistão-Paquistão e mergulhados em uma catastrófica crise de percepção: a surpreendente resistência destes povos periféricos ultrapassa sua capacidade de compreensão da realidade. Repete-se em um nível muito mais elevado o “efeito Vietnã”, ou o desconcerto de Hitler diante da avalanche soviética. Também é necessário mencionar as crises urbana e ambiental que juntamente com o declínio de valores morais e culturais, de crenças sociais, vem afogando gradualmente os paradigmas decisivos do mundo burguês, desordenando e deteriorando os sistemas políticos, as estruturas de inovação produtiva e os mecanismos de manipulação midiática.
Em resumo, parece que nos encontramos diante de uma convergência de numerosas “crises”. Na verdade, trata-se de uma única crise gigantesca, com diversos rostos, de dimensão (planetária) nunca antes vista na história. Seu aspecto é o de um grande crepúsculo que ameaça prolongar-se durante um longo período.
1968-2007: a etapa preparatória
A crise atual teve um longo período de gestão (aproximadamente entre 1968 e 2007), durante o qual desenvolveu-se uma crise crônica de superprodução que foi acumulando parasitismo e depredação do ecossistema. O processo destas quatro décadas pode ser interpretado como uma postergação do desastre graças à expansão financeiro-militar (centrada nos EUA), a integração periférica de mão de obra industrial barata (China, etc.), a depredação acelerada de recursos naturais (em especial os energéticos não renováveis) e a pilhagem financeira de um amplo leque de países subdesenvolvidos. Também pode ser visto sob a forma de uma “fuga para a frente” do sistema impulsionada por seus grandes motores parasitários.
Ambas visões deveriam ser integradas utilizando o conceito de “capitalismo senil” (2), ou seja, um fenômeno de envelhecimento avançado do sistema que emprega todo seu complexo instrumental anti-crise acumulado em uma longa história de dois séculos, mas que não pode impedir o agravamento de suas enfermidades e de sua decadência. A expansão do parasitismo e o declínio da dinâmica produtiva global constituem processos estreitamente vinculados. Desde meados dos anos 1970, as taxas de crescimento do Produto Bruto mundial se moveram de maneira irregular em torno de uma linha descendente, enquanto que a especulação financeira crescia a um ritmo vertiginoso. Se observamos o comportamento das três economias centrais: os EUA, a União Européia e o Japão, constataremos que, ao longo das últimas três décadas, a queda de suas taxas de crescimento de capital líquido (taxa de acumulação) contrastou com o aumento dos lucros empresariais. A chave do fenômeno está na crescente orientação do conjunto destas economias para a especulação financeira (3).
A hipertrofia financeira foi, ao mesmo tempo, causa e efeito da decadência produtiva. A desaceleração da chamada “economia real” gerava fundos ociosos que eram dirigidos para a especulação como via de saída para tornar o capital rentável. Em conseqüência, tais atividades expandiam-se absorvendo capitais disponíveis, dominando com sua subcultura do lucro imediato a totalidade do sistema, degenerando-o e fazendo com que perdesse dinamismo. Um estudo rigoroso do fenômeno demonstra que não existem duas esferas opostas, uma financeira e outra produtiva, com comportamentos diferenciados. Pelo contrário, nos encontramos diante de um único espaço de negócios fortemente interrelacionados, muitas vezes com operadores econômicos combinando ambas atividades. De um ponto de vista macroeconômico, não é possível descrever suas trajetórias sem integrá-las em uma dinâmica capitalista comum que busca a maximização dos lucros.
Por sua parte, o complexo militar-industrial norteamericano sofreu um golpe muito duro ao ser derrotado no Vietnã em meados dos anos 1970, mas as necessidades estruturais do capitalismo deram-lhe novo impulso e ele deu um enorme salto quantitativo no início da década dos 1980 com o mega-programa militar do presidente Reagan. Esse programa pareceu ficar bloqueado com a vitória dos EUA na Guerra Feria, no início dos 1990. Como legitimar aumentos de gastos com o desaparecimento do inimigo? No entanto, ao final da década, o Império havia conseguido fabricar um estranho “inimigo” que permitiu uma nova expansão militarista: o terrorismo internacional, um inimigo difuso, altamente virtual, e justificativa de uma prolongada aventura colonial na Eurásia, tratando de controlar a franja territorial que se estende desde os Bálcãs até o Paquistão, atravessando Iraque, Irã, países da Ásia Central, em cujo coração (ao redor do Golfo Pérsico e da bacia do Mar Cáspio) encontra-se cerca de 70% dos recursos petrolíferos do planeta.
A vitória nesta guerra permitiria ao Império encurralar a Rússia e a China e assegurar a fidelidade de seu grande aliado estratégico, a União Européia, consolidando assim sua hegemonia, impondo condições financeiras e comerciais muito duras ao resto mundo, já que a economia imperial declinante necessita de doses crescentes de riquezas externas para sobreviver. Como no passado, se conjugaram as necessidades “internas”, próprias da reprodução da economia norte-americana (onde os gastos militares cumprem um papel decisivo), com a necessária reprodução da exploração imperialista. Neste sentido, não se tratou de um fenômeno novo. Nos anos 1930, os gastos militares permitiram aos EUA sair da recessão e, ao mesmo tempo, emergir como a grande superpotência capitalista depois da Segunda Guerra Mundial.
Logo em seguida, mais de quarenta anos de Guerra Fria constituíram-se em uma importante contribuição para o crescimento de seu Produto Interno Bruto, superando diversas ameaças recessivas (no fim dos anos 1940, no início dos anos 1980, etc.). A novidade da última militarização (a partir do final da década dos 1990) foi dada pela extrema deformação parasitária da sociedade imperial o que significou o desenvolvimento de uma etapa radicalmente diferente de todas as anteriores.
O declínio do centro do mundo
É necessário constatar que nos encontramos diante do declínio do centro do mundo, os Estados Unidos, e que essa decadência não vem acompanhada da ascensão de nenhum outro centro imperialista mundial para substituir a potência declinante. As outras grandes potências (União Européia, Japão, Rússia, China) encontram-se embarcadas todas no mesmo barco global à deriva.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o capitalismo se estruturou em torno dos EUA, espaço fundamental de todos os negócios (produtivos, financeiros, midiáticos, etc.). Sua degradação desde o início dos anos 1970 e sua decadência atual expressa um mal universal: o parasitismo estadunidense não tem sido outra coisa que sua manifestação específica, central e acelerada pela crise crônica global de superprodução (incluídos os pseudo-milagres como a expansão chinesa, o renascimento russo ou a integração européia). O parasita norte-americano consumia acima de sua capacidade produtiva porque as economias da Europa, China, Japão, etc., precisavam vender seus bens e serviços e investir seus excedentes financeiros. Isso gerou uma interdependência cada vez mais profunda que foi chamada de “globalização” e a propaganda neoliberal descreveu-a como uma espécie de etapa superior do capitalismo, superadora do sistema vigente entre o fim da Segunda Guerra Mundial e a crise dos anos 1970.
Foi construída uma imagem idílica de um capitalismo transnacional liberado da tutela dos grandes estados nacionais e crescendo indefinidamente em torno dos círculos virtuosos interrelacionados da revolução tecnológica, da expansão do consumo e das finanças globais. Na verdade o que se impôs foi um capitalismo global completamente hegemonizado pelos negócios financeiros e articulados em torno de um grande centro imperialista com claros sintomas de decadência, acumulando dívidas públicas e privadas, externas e internas, cada vez mais dependentes de suas periferias desenvolvidas e subdesenvolvidas.
Seria um erro grosseiro considerar o fenômeno parasitário como um fato específico, exclusivo da sociedade norte-americana. Trata-se, na verdade, de um processo mundial. A financeirização, a proliferação de redes mafiosas e negócios de gansgters (como o tráfico de drogas, a prostituição, os saques de empresas públicas periféricas, etc.) atravessa todas as elites capitalistas dos países centrais e produz uma rápida conversão-degradação de numerosas burguesias do chamado mundo subdesenvolvido, transformadas em autênticas lumpen-burguesias periféricas. Poderia dizer-se que o caso chinês é a exceção, mas não é assim. A China é uma grande exportadora industrial, mas acumula fabulosos excedentes financeiros e cumpre um papel muito importante nos negócios especulativos mundiais. Suas elites dirigentes são altamente corruptas e, em última instância sua industrialização é completamente funcional à reprodução do capitalismo financeiro global, especialmente na fase mais recente da economia norte-americana, fornecendo-lhe mercadorias baratas e acumulando, em troca, dólares, bônus do tesouro e outros papéis. Deste modo, a elite chinesa participa ativamente da festa parasitária global, formando parte do restrito clube dos ricos do mundo (sua base social de trabalhadores e camponeses faz parte da massa proletária de pobres, oprimidos e explorados).
Por outro lado, a realidade da crise desmente as fantasias dos “descolamentos” nacionais ou regionais em relação ao afundamento dos EUA. Ao contrário, mostra o desespero das outras grandes potências diante do declínio de seu espaço central de negócios. O que estamos presenciando não é a substituição da unipolaridade por alguma forma de multipolaridade eficaz, por meio de uma repartição completa do mundo entre potências centrais, mas sim seu deslocamento paulatino para um processo de despolarização, onde vão se abrindo múltiplos espaços nos quais os controles imperialistas (norte-americanos, europeus e outros) estão enfraquecendo, ou, dito de outro modo, onde a articulação capitalista do mundo se debilita ao ritmo da crise. E os antecedentes históricos (sobretudo se pensarmos no que ocorreu a partir da Primeira Guerra Mundial) assinalam que se isso ocorre, se a hierarquia mundial do capitalismo (econômica, política, cultural e militar) entra em crise, então irrompem as condições objetivas e subjetivas para as rebeliões das vítimas do sistema.
Não se trata de um processo ordenado, incluindo tentativas de reconversão estratégica dos mecanismos de dominação (como ocorre atualmente nos EUA sob a presidência de Barack Obama), de aproveitamentos por parte de outras grandes potências que tratam de se apropriar de espaços onde o poder imperial norte-americano se enfraqueceu, de autonomizações periferias às vezes bem sucedidas e às vezes condenadas ao fracasso. Quando certos gurus ocidentais mostram sua preocupação diante do possível desenvolvimento do que chamam de “despolarização caótica” (4) estão expressando um grande medo universal, consciente ou inconsciente frente à perspectiva da reaparição do odiado fantasma anti-capitalista, várias vezes declarado morto e exorcizado, mas que sempre permanece como uma ameaça.
Da crise de superprodução à crise geral de subprodução (esgotamento da civilização burguesa)
O desenlace de 2007-2008, início do longo crepúsculo do sistema, não foi nenhuma surpresa. Estava escrito nos avatares da “crise-controlada” das últimas quatro décadas. Mais ainda, é possível detectar caminhos, processo que ao longo de aproximadamente dois séculos percorrem toda a história do capitalismo industrial, desembocando agora em seu declínio geral. Há germes do parasitismo, anunciadores da futura decadência, presentes desde o nascimento do sistema, durante sua expansão juvenil e, muito mais, em sua fase madura.
A sucessão de crises de superprodução no capitalismo ocidental durante o século XIX não marcou um simples encadeamento de quedas e recuperações em níveis cada vez mais altos de desenvolvimento das forças produtivas. Após cada depressão, o sistema se recompôs, mas acumulando em sua trajetória massas crescentes de parasistismo. O câncer financeiro irrompeu triunfante entre fins do século XIX e início do século XX, obtendo o controle absoluto do sistema sete ou oito décadas depois. O seu desenvolvimento, porém, havia começado muito tempo antes, financiando estruturas industriais e comerciais cada vez mais concentradas e estados imperialistas onde se expandiram burocracias civis e militares. A hegemonia da ideologia do progresso e do discurso positivista serviu para ocultar o fenômeno e instalou a idéia de que o capitalismo, ao contrário das civilizações anteriores, não acumulava parasitismo, mas sim forças produtivas que, ao expandirem-se, criavam problemas de adaptação superáveis no interior do sistema mundial por meio de processos de “destruição criadora”. O parasitismo capitalista em grande escala, quando se tornava evidente, era considerado como uma forma de “atraso” ou uma “degeneração” passageira na marcha ascendente da modernidade.
Essa maré ideológica capturou também boa parte do anticapitalismo (em última instância “progressista”) dos séculos XIX e XX, convencido de que a corrente incontrolável do desenvolvimento das forças produtivas terminaria por enfrentar o bloqueio das relações capitalistas de produção, saltando por cima delas, esmagando-as com uma avalanche revolucionária de trabalhadores industriais dos países mais desenvolvimentos, aos quais se somariam os chamados “países atrasados”. A ilusão do progresso indefinido (mais ou menos turbulento) escondeu a perspectiva da decadência, deixando o pensamento crítico na metade do caminho, tirando-lhe radicalidade, com conseqüências culturais negativas evidentes para os movimentos de emancipação do centro e da periferia.
O militarismo moderno, por sua parte, finca suas raízes no século XIX ocidental, desde as guerras napoleônicas, chegando à guerra franco-prussiana até irromper na Primeira Guerra Mundial como “complexo militar-industrial”. No início, foi percebido como um instrumento privilegiado das estratégias imperialistas e, mais adiante, como instrumento de reativação econômica do capitalismo. Considerava-se, assim, só um aspecto do problema, ignorando ou subestimando sua profunda natureza parasitária: o fato de que, por trás do monstro militar a serviço da reprodução do sistema, escondia-se um monstro muito mais poderoso no longo prazo, um consumidor improdutivo, multiplicador de desequilíbrios, de irracionalidade no sistema de poder.
Atualmente, o complexo militar-industrial norte-americano (em torno do qual se reproduzem os de seus sócios da OTAN) gasta em termos reais mais de US$ 1 trilhão (5), contribuindo de maneira crescente para o déficit fiscal e, por conseguinte, para o endividamento do Império (e para a prosperidade dos negócios financeiros beneficiários deste déficit). Sua eficácia militar é declinante, mas sua burocracia é cada vez maior, a corrupção penetrou em todas as suas atividades e já não é o grande gerador de empregos como foi em outras épocas, uma vez que a tecnologia industrial-militar reduziu significativamente essa função. A época do keynesianismo militar como estratégia eficaz anti-crise pertence ao passado (6).
Presenciamos nos EUA a integração de negócios entre a esfera industrial-militar, as redes financeiras, as grandes empresas energéticas, as camarilhas mafiosas, as “empresas” de segurança e outras atividades muito dinâmicas, conformando o espaço dominante do sistema de poder imperial.
Tampouco a crise energética em torno da chegada do “Peak Oil” (a franja de máxima produção petroleira mundial a partir da qual se desenrola seu declínio) deveria ser restrita à história das últimas décadas. É necessário entendê-la como fase declinante do longo ciclo da exploração moderna dos recursos naturais não renováveis, desde o começo do capitalismo industrial que pode realizar sua expansão graças a esses insumos energéticos abundantes, baratos e facilmente transportáveis, desenvolvendo primeiro o ciclo do carvão sob a hegemonia inglesa no século XIX e, depois, o do petróleo, sob a hegemonia norte-americana no século XX.
Esse ciclo energético de dois séculos condicionou todo o desenvolvimento tecnológico do sistema e foi a vanguarda da dinâmica depredadora do capitalismo, estendida ao conjunto dos recursos naturais e do meio ambiente em geral. O que durante quase dois séculos foi considerado como uma das grandes proezas da civilização burguesa, sua aventura industrial e tecnológica, aparece agora como a mãe de todos os desastres, como uma expansão depredadora que põe em perigo a sobrevivência da espécie humana (que colocou essa expansão em curso). Em resumo, o desenvolvimento da civilização burguesa durante os dois últimos séculos (com raízes em um passado ocidental muito mais prolongado) terminou por engendrar um processo irreversível de decadência. A depredação ambiental e a expansão parasitária, estreitamente interrelacionadas, estão na base do fenômeno.
A dinâmica de desenvolvimento econômico do capitalismo, marcada por uma sucessão de crises de superprodução constitui o motor do processo depredador-parasitário que conduz inevitavelmente a uma crise prolongada de subprodução. A partir de um olhar superficial, poderíamos concluir que esta crise foi causada por fatores exteriores ao sistema: perturbações climáticas, escassez de recursos energéticos, etc., que bloqueiam ou mesmo fazem retroceder o desenvolvimento das forças produtivas. No entanto, uma reflexão mais rigorosa demonstra que a penúria energética e a degradação ambiental são o resultado da dinâmica depredadora do capitalismo, obrigado a crescer indefinidamente para não perecer, ainda que tal crescimento termine por destruir o sistema. Existe uma interrelação dialética perversa entre a expansão da massa global de lucros, sua velocidade crescente, a multiplicação das estruturas burocráticas civis e militares de controle social, a concentração mundial de renda, a ascensão da maré parasitária e a depredação do meio ambiente.
As revoluções tecnológicas do capitalismo têm sido, aparentemente, suas tábuas de salvação. De fato o foram durante muito tempo, incrementando a produtividade industrial e agrícola, melhorando as comunicações, os transportes, etc., mas, no longo prazo histórico, no balanço de vários séculos, constituem-se em uma armadilha mortal. Terminam por degradar o desenvolvimento que impulsionaram pelo fato de estarem estruturalmente baseadas na depredação ambiental, gerando um crescimento exponencial de massas humanas super-exploradas e marginalizadas. A cultura técnica da civilização burguesa se apóia em um duplo combate: o do homem contra a natureza (o contexto ambiental de sua vida) convertida em objeto de exploração, realidade exterior e hostil que precisa ser dominada e devorada; e o do homem (burguês) contra o homem (explorado e dominado) convertido em objeto manipulável.
O progresso técnico integra assim o processo de auto-destruição geral do capitalismo na direção de um horizonte de barbárie. Essa idéia vai muito mais além do conceito de bloqueio tecnológico ou de “limite estrutural do sistema tecnológico”, tal como formulado por Bertrand Gille (7). Não se trata da incapacidade do sistema tecnológico da civilização burguesa para seguir desenvolvendo forças produtivas, mas sim de sua alta capacidade enquanto instrumento de destruição de forças produtivas. Em resumo, a história das crises de super-produção conclui com uma crise geral de sub-produção, como um processo de destruição, de decadência sistêmica no longo prazo. Isso significa que a superação necessária do capitalismo não aparece como o passo indispensável para “a marcha do progresso”, mas sim, em primeiro lugar, como tentativa de sobrevivência humana e de seu contexto ambiental.
O processo de decadência em curso deve ser visto como a fase descendente de um longo ciclo histórico iniciado no final do século XVIII (8) que contou com dois grandes articuladores hoje declinantes: o ciclo de dominação imperialista anglo-norte-americano (etapa inglesa no século XIX e norte-americana no século XX) e o ciclo do estado burguês desde sua etapa “liberal industrial” no século XIX, passando por sua etapa intervencionista produtiva (keynesiana clássica) em boa parte do século XX, para chegar a sua degradação “neoliberal” a partir dos anos 1970-1980.
Enfim, é necessário assinalar que a convergência de numerosas crises mundiais pode indicar a existência de uma perturbação muito grave, mas não necessariamente o desdobramento de um processo de decadência geral do sistema. A decadência aparece como a última etapa de um longo ciclo histórico, sua fase declinante, seu envelhecimento irreversível (sua senilidade), o esgotamento de suas diversas funções. Levando ao extremo os reducionismos tão praticados pelas “ciências sociais” poderíamos falar de “ciclos” energético, alimentar, militar, financeiro, produtivo, estatal, etc., e assim descrever em cada caso trajetórias que se desenrolam no Ocidente entre fins do século XVIII e começos do século XIX, com raízes anteriores e envolvendo espaços geográficos crescentes até assumir finalmente uma dimensão planetária e começar logo a declinar em cada um deles. A coincidência histórica de todas esses declínios e a fácil detecção dessas interrelações entre todos esses “ciclos” nos sugerem a existência de um único super ciclo que os inclui a todos. Dito de outra maneira, a hipótese é que se trata de um ciclo da civilização burguesa que se expressa por meio de uma multiplicidade de “aspectos” (produtivo, moral, político, militar, ambiental, etc.).
Nostalgias, heranças e esperanças
Na esquerda, pululam os nostálgicos do século XX, que é apresentado como um período de grandes revoluções socialistas e antiimperialistas, desde a Revolução Russa até a vitória vietnamita, passando pela Revolução Chinesa, as vitórias anticolonialistas na Ásia e África, etc. Frente a essa sucessão de ondas revolucionárias o que veio depois, nas últimas décadas do século XX, aparece como uma desgraça. Ainda que também seja possível olhar esse “período maravilhoso” como uma sucessão de desilusões, de tentativas libertadoras fracassadas. Além disso, as esperanças (embaladas desde meados do século XIX) em vitórias proletárias no coração do mundo burguês – na Europa mais desenvolvida e na neo-Europa norte-americana, os Estados Unidos – nunca se concretizaram. O peso cultural do capitalismo gerando barbáries fascistas ou “civilizadas” integrações keynesianas dissipou toda possibilidade de superação pós-capitalista.
A última grande crise do sistema, desencadeada no início dos anos 1970, não produziu um deslocamento do mundo para a esquerda, mas justamente o contrário. Tudo isso contribuiu para confirmar a crença simplista, demolidora, de que o capital “sempre encontra alguma saída” (tecnológica, política, militar, etc.) para suas crises. Trata-se de um “pré-conceito” com raízes muito profundas, forjado durante muito tempo. Destruir esse mito constitui uma tarefa decisiva no processo de superação da decadência. Se esse objetivo não for atingido, a armadilha burguesa nos impedirá de sair de um mundo que vai afundando na barbárie. Isso já aconteceu ao longo da história com outras civilizações decadentes que puderam preservar sua hegemonia cultural degradando, neutralizando uma após outra todas as possíveis saídas superadoras.
Por outro lado, o fato de o capitalismo ter ingressado em seu período de declínio significa, entre outras coisas, a aparição de condições civilizacionais para a irrupção de elementos práticos e teóricos que poderiam servir como base para o avanço (destrutivo-criador) do anti-capitalismo como fenômeno universal. Para isso é necessário (urgente) impulsionar a crítica radical e integrá-la com as resistências e os movimentos insurgentes e, a partir daí, com o leque mais amplo de massas populares golpeadas pelo sistema. A chave histórica desse processo necessário é a aparição de um movimento anti-capitalista plural, inovador (que poderíamos denominar, em uma primeira aproximação, de “humanismo revolucionário”) dedicado ao desenvolvimento de sujeitos populares revolucionários, de rupturas, destruições dos sistemas de poder, de opressões imperialistas, de estruturas de reprodução do capitalismo.
A sua implementação pode ser pensada como um duplo fenômeno de inovação social e de recuperação de memórias, de projetos de igualdade e liberdade que atravessaram os dois últimos séculos nos países centrais e periféricos. Um complexo processo universal teórico-prático de recuperação de raízes, de identidades pisoteadas pelas modernizações capitalistas, de crítica integral e intransigente contra as fraudes ideológicas do sistema, seus diversos fetichismos (da tecnologia, da auto-realização individualista, dissociadora, do consumo desenfreado, da coisificação do meio ambiente). Guerra global prolongada, conquista destrutiva (revolucionária) dos sistemas de poder significa o renascimento da idéia de revolução, de uma ofensiva libertadora contra os opressores internos e externos, de uma práxis emancipadora dos oprimidos e do rechaço permanente de todas as tentativas de estabilização do sistema.
A decadência aparece sob a forma de uma imensa totalidade burguesa inevitável. A sua superação só é possível a partir do desenvolvimento de sua negação absoluta, da irrupção de uma “totalidade negativa universal” (9) que, nas condições concretas do século XXI, deveria apresentar-se como convergência dos marginalizados, oprimidos e explorados do planeta. Não como sujeito solitário ou isolado, mas sim como aglutinador, como espaço insurgente de encontro de um amplo leque de forças sociais rebeldes, como vítima absoluta de todos os males da civilização burguesa e, por conseguinte, como líder histórico da regeneração humana (uma recomposição da visão de Marx do “proletariado” como sujeito universal emancipador).
Aqui é necessário assinalar uma diferença decisiva entre a situação atual e as condições culturais nas quais se apoiou o ciclo de revoluções a partir da Primeira Guerra Mundial. O atual começo da crise dispõe de uma herança única que é possível resumir como a existência de uma gigantesco patrimônio democrático, igualitário, acumulado ao longo do século XX por meio de grandes tentativas emancipadoras revolucionárias, reformistas, antiimperialistas mais ou menos radicais, inclusive com objetivos socialistas em muitas delas. Centenas de milhões de oprimidos e explorados em todos os continentes realizaram uma aprendizagem excepcional, obtiveram vitórias, fracassaram, foram enganados por usurpadores de todo tipo, receberam o exemplo de dirigentes heróicos, etc. Esta é outra maneira de olhar o século XX: como uma gigantesca escola de luta pela liberdade, onde o melhor da humanidade aprendeu muitas coisas que ficaram gravadas em sua memória histórica, não como lembrança pessimista de um passado irreversível, mas sim como descobrimento, como ferramenta cultural carregada definitivamente em sua mochila de combate.
Por volta de 1798, quando as esperanças geradas pela Revolução Francesa agonizavam, Kant sustentava com obstinação que “um fenômeno como esse não é esquecido jamais na história humana...é demasiado grande, demasiadamente ligado ao interesse da humanidade, demasiado difundido em virtude de sua influência sobre o mundo, por todas as partes, para que os povos não lembrem dele em alguma ocasião propícia e não sejam incitados por essa lembrança a repetir a tentativa” (10). O século XX equivale a dezenas de revoluções libertárias como a francesa, e muito mais do que isso se o considerarmos do ponto de vista qualitativo.
O patrimônio cultural democrático disponível agora pela humanidade oprimida, armazenado em sua memória, ao início da maior crise da história do capitalismo, é muito mais vasto, rico e denso que o existente no início da anterior crise prolongada do sistema (1914-1945). O pós-capitalismo não só constitui uma necessidade histórica (determinada pela decadência da civilização burguesa), como uma possibilidade real, com uma base cultural imensa nunca antes disponível. A esperança e o otimismo histórico aparecem, são visíveis através das ruínas, das estruturas degradadas de um mundo injusto.
Quatro esclarecimentos são necessários.
Primeiro: no início do século XXI, o sistema global ingressou em um período de crescimento zero, negativo ou muito débil. Isso não se deve à rebelião popular contra o crescimento alienante e destruidor do meio ambiente, mas sim à decadência da civilização burguesa. Nos anos 1970, Joseph Gabel expressava seus temores ante as consequências do esgotamento dos recursos naturais (era a época dos choques do petróleo e da teoria dos limites do crescimento) e a instalação de sociedades de penúria, de sobrevivência, fundadas na distribuição autoritária e hiper-elitista dos escassos bens disponíveis. Gabel assinalava que as utopias igualitárias se baseiam na abundância de bens, no fim da miséria, etc., algo oposto às experiências das sociedades de sobrevivência baseadas na distribuição hierárquica do poder e dos bens (11).
Poderíamos imaginar um cenário sinistro, onde logo após o desmoronamento da cultura do consumismo ante à evidência do fim do crescimento (pelo menos no médio prazo), o sistema gerasse uma espécie de reconversão ideológica apoiada na idéia de austeridade autoridade, na instalação de um conformismo profundamente conservador e ultra elitista impulsionado por um bombardeio midiático gigantesco e sustentado por sistemas repressivos eficazes; em resumo, algo como um neofascismo estabilizador. Para realizar com êxito essa reconversão cultural, o capitalismo precisaria dispor de uma capacidade de controle social universal, de assimilação de suas contradições e de um tempo de desenvolvimento que atualmente não são visíveis. Tudo parece indicar que sua dinâmica cultural, o imenso peso de seus interesses imediatos, as debilidades de seus sistemas de controle social (incluída aí a arma midiática), e sua fragmentação tornam esse futuro muito pouco provável. Pelo contrário, considerando a recente experiência dos “falcões” norte-americanos, a essência parasitária das elites dominantes mundiais sugere cenários turbulentos de confrontos militaristas-imperialistas, de rebeliões sociais, etc.
Fica pendente o tema da diminuição dos recursos naturais disponíveis e, por conseguinte, das técnicas produtivas e do tipo de bens produzidos. Uma metamorfose social complexa é possível, a partir da decadência do sistema, reinstalando utopias igualitárias baseadas na abundância (ponto de partida para a superação do mercado, para a extensão da gratuidade, etc.). Obviamente uma abundância de “outro tipo”, fraternal, criativa e não consumista-passiva, reconciliada com a comunidade e com a natureza. Desta maneira, à farsa capitalista da “abundância geral” (objetivo inalcançável, contraditório com a reprodução do sistema) ou ao pesadelo da sociedade de sobrevivência (autoritária, repressiva, elitista) se contrapõe a utopia da sociedade igualitária de abundância (outros bens, outras técnicas, outras formas de relação entre os seres humanos e destes com o meio ambiente).
Segundo: esse protagonismo radical dos oprimidos não tem porque nascer durante o primeiro dia da crise. É necessário um imenso processo de gestação atravessado por rebeliões populares e reações conservadoras, com avanços e retrocessos, uma longa marcha em um período muito denso e turbulento (cuja duração real é imprevisível), no qual estamos dando os primeiros passos. É um tempo de recuperação de memórias, de novos aprendizados, de construção complexa de uma nova consciência.
Terceiro: a existência do patrimônio democrático global antes mencionado poderia ser a base histórica da superação das frustrações socialistas do século XX, onde a reprodução da hegemonia cultural do capitalismo, articulada com tradições muito antigas de submissão bloqueavam os processos de auto-emancipação, reduzidos a movimentos de massas dirigidos por elites radicais, por dirigentes inevitavelmente autoritários, cujas vitórias resultavam em novos mecanismos de opressão. O desenrolar da história salta por cima da disputa sem solução entre comunistas estatistas e libertários: os primeiros desenvolvendo a possibilidade concreta da revolução, mas postergando para um futuro nebuloso a democracia de base (produzindo, assim, ao mesmo tempo, o fato revolucionário e as condições de seu fracasso); os segundos ignorando a existência de uma densa trama cultural negativa penetrando profundamente a consciência popular e, por conseguinte, a necessidade de complexas transações, desmantelamento de estruturas e estilos de vida, combinações pragmáticas, plurais, entre o velho e o novo.
Quarto: a periferia do capitalismo, o espaço dos povos pobres e marginalizados do planeta aparece como o lugar privilegiado para a irrupção destas forças libertadoras. Isso vem sendo demonstrado pela realidade, desde as resistências ao Império no Iraque e no Afeganistão, até a onda popular democrática na América Latina que já inclui alguns dos espaços mais avançados onde se postula a superação socialista do capitalismo. Ainda que não devamos subestimar suas prováveis prolongações futuras e interações com fenômenos da mesma natureza nos países centrais, coração visível da crise, aí a concentração de renda, o desemprego, o empobrecimento em grande escala se estendem ao ritmo da decadência do sistema. Suas elites aceleram sua degeneração parasitária, o que coloca o perigo de renovadas aventuras neofascistas e imperialistas, mas também a esperança na rebeldia de suas retaguardas populares internas.
A barbárie já está em marcha. A insurgência dos oprimidos, também.
Notas
(1) “Fed says worst of recession over”, BBC News, 12 Agosto, 2009.
(2) O conceito de capitalismo senil tal como é utilizado neste texto aparece nos anos 1970 em um trabalho de Roger Dangeville (Roger Dangeville, “Marx-Engels. La crise”, editions 10/18, Paris 1978) e é retomado por vários autores na década atual: Jorge Beinstein, “Capitalismo Senil”, Record, Rio de Janeiro, 2001; Samir Amin , “Au delà du capitalisme senile”, Actuel Marx -PUF, Paris 2002.
(3) Michel Husson, "Crise de la finance ou crise du capitalisme", http://hussonet.free.fr/denkntzf.pdf
(4) Richard N. Haass, “The Age of Nonpolarity. What Will Follow U.S. Dominance”, Foreign Affairs , May/June, 2008.
(5) Esta cifra é obtida somando o gasto do Departamento de Defesa e os gastos militares de outras áreas da administração pública. Chalmers Johnson, “Going bankrupt: The US's greatest threat “, Asia Times, 24 Janeiro, 2008.
(6) Scott B. MacDonald, “End of the guns and butter economy”, Asia Times, October 31, 2007.
(7) Bertrand Gille, “Histoire des techniques”, La Pléiade, Paris, 1978.
(8) Uma visão muito mais ampliada o integraria ao mega ciclo da civilização ocidental, chegando ao início do segundo milênio com as cruzadas e os primeiros germens comerciais do capitalismo na Europa, atravessando a conquista da América até chegar à revolução industrial inglesa, ás guerras napoleônicas e à expansão planetária da modernidade (imperialista, de raiz ocidental, é preciso destacar).
(9) Franz Jakubowsky, “Les superestructures idéologiques dans la conception matérialiste de l'histoire”, Etudes et Documentetion Internationales (EDI), París, 1976.
(10), Emmanuel Kant, “Filosofia de la historia”, Fondo de Cultura Económica, México, 1992.
(11), Joseph Gabel, “Idéologies II”, éditions anthropos, París, 1978.
(*) Economista argentino, professor na Universidade de Buenos Aires. É autor, entre outros livros, de "Capitalismo senil, a grande crise da economia global".
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
Do sítio: http://www.cartamaior.com.br/
Jorge Beinstein (*)
Crepúsculo do capitalismo, nostalgias, heranças, barbáries e esperanças no início do século XXI.
Este texto se baseia nas conferências apresentadas nos seminários “Margem Esquerda-Istvan Meszaros” (USP – Editorial Boitempo, 18-21 de agosto de 2009) e “Crisi globale, lavoro, democrazia” (Fondazione Guido Piccini – Facultà di Economia dell Università degli Studi di Brescia, Brescia, 27-28 de novembro de 2009).
Começo do fim (ou fim do começo) da crise?
Desde o início de 2009, Ben Bernanke assinalava que antes do fim do ano começaríamos a ver sintomas claros de superação da crise. No mês de agosto, anunciou que “o pior da recessão havia ficado para trás” (1). Antes do estouro da bolha financeira, em setembro de 2008, Bernanke prognosticava que tal estouro nunca iria ocorrer e, quando finalmente ocorreu, seu novo prognóstico era que em pouco tempo viria a recuperação. Agora, o presidente do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) decidiu não esperar mais e anuncia ao mundo o começo do fim do pesadelo.
Ele não foi o único a fazê-lo. Uma espantosa campanha midiática vem utilizando alguns sinais isolados para impor essa idéia. Deste modo, o renascimento da bolha das bolsas de valores mundiais, desde meados de março, foi apresentado como o sintoma de uma melhoria econômica geral. Uma nuvem de “especialistas” nos explicou que a euforia da Bolsa estava antecipando o fim da recessão.
Na verdade, as injeções massivas de dinheiro dos governos das grandes potências econômicas beneficiando principalmente o sistema financeiro geraram enormes excedentes de fundos que, em condições de retração generalizada da produção e do consumo, encontraram nos negócios das bolas um espaço favorável para tornar seus capitais rentáveis. Jogando na alta dos valores das ações, empurraram para cima seus preços, o que, por sua vez, estimulou o investimento de mais e mais dinheiro na Bolsa. A isto devemos acrescentar que o motor da euforia das bolsas mundiais, a bolsa dos EUA, além do dinheiro derivado das operações locais de socorro, recebeu importantes fluxos de fundos especulativos externos que, aproveitando a persistente queda do dólar, precipitaram-se na compra de ações baratas e em alta.
Repetiu-se assim a seqüência especulativa do final dos anos 1990 e de 2007, com uma diferença decisiva: o contexto da bolha atual não é o crescimento da economia, mas sim a recessão (ou, no melhor dos casos, a estagnação). As bolhas anteriores (financeiras, imobiliárias, comerciais, etc.) interagiam “positivamente” com o resto das atividades econômicas. As altas nos preços das ações ou das habitações incentivavam o consumo e a produção e estes crescimentos, por sua vez, geravam fundos que em boa medida se voltavam para os negócios especulativos, produzindo-se assim uma espécie de circulo virtuoso especulativo-consumista-produtivo de caráter global em última instância perverso, destinado ao desastre no médio prazo, mas que causava “prosperidade no curto prazo”.
A bolha das bolsas de 2009, pelo contrário, contrasta com baixos níveis de consumo e investimentos produtivos e altos níveis de desemprego. Os excedentes de capitais bloqueados por uma economia produtiva declinante conseguem lucros na especulação financeira. O que ocorre então, graças às fabulosas operações de socorro dos governos, é um circulo vicioso baseado na especulação financeira e no crescimento débil ou negativo.
No caso do governo norte-americano este efeito negativo foi suavizado através de enormes subsídios que conseguiram incentivar alguns consumos e, deste modo, desacelerar primeiro e depois reverter a curva descendente do Produto Interno Bruto. Às fortes quedas do último trimestre de 2008 e do primeiro de 2009, sucedeu-se um decréscimo suave no segundo trimestre e um crescimento no terceiro impulsionado pelos subsídios governamentais para a compra de automóveis e habitações mais os gastos militares. Mas, por trás desta efêmera recuperação, aparece a expansão desenfreada do déficit fiscal e do endividamento público.
É evidente que a economia norteamericana não sai da armadilha da decadência. Os alívios transitórios, as tentativas de recuperação, os crescimentos viciados fortalecem e recompõem os mecanismos parasitários que conduziram ao desastre atual. O afundamento do império (do centro articulador do mundo capitalista) arrasta o conjunto do sistema mundial. Agora, no final de 2009, nos encontramos à espera de uma próxima segunda queda recessiva (2010 poderia ser o ano desta catástrofe) seguramente mais forte do que a do último trimestre de 2008. Os socorros financeiros globais de 2008-2009 desaceleraram a queda econômica, mas geraram enormes déficits fiscais nas potências centrais, o que as coloca diante de graves ameaças inflacionárias e de um enfraquecimento extremo na capacidade de pagamento de seus Estados, cuja generosidade fiscal (para as grandes empresas e as instituições financeiras) não conseguiu gerar a desejada decolagem do investimento e do consumo que era anunciada por seus dirigentes.
Segundo eles, esse prometido golpe de demanda deveria produzir a reativação durável da economia mundial e, conseqüentemente, a redução dos déficits, a anulação do perigo inflacionário, etc. Conseguiram apenas modestas reativações de certos consumos, algumas ilusões estatísticas (crescimentos do PIB, etc.) e mais parasitismo. O fracasso é evidente, o que não impede que voltem mais uma vez a aplicar suas inúteis medicinas intervencionistas (em uma curiosa combinação ideológica de neoliberalismo e neokeynesianismo financeiro). E farão isso até que se esgotem os recursos, prisioneiros da loucura geral do sistema. Em seus cérebros, não entra a realidade da violenta mudança de época que tornou obsoletos vários de seus instrumentos.
Pior ainda, não se trata só de uma “crise econômica”. Outras “crises” estão avista e a qualquer momento podem golpear com força um sistema global muito frágil. Entre elas, devemos destacar as crises energética e alimentar (que se fizeram presentes durante o ano de 2008). Ou a degradação do complexo militar-industrial dos EUA envolvendo o conjunto de aparatos militares da OTAN, atolados nas guerras do Iraque e Afeganistão-Paquistão e mergulhados em uma catastrófica crise de percepção: a surpreendente resistência destes povos periféricos ultrapassa sua capacidade de compreensão da realidade. Repete-se em um nível muito mais elevado o “efeito Vietnã”, ou o desconcerto de Hitler diante da avalanche soviética. Também é necessário mencionar as crises urbana e ambiental que juntamente com o declínio de valores morais e culturais, de crenças sociais, vem afogando gradualmente os paradigmas decisivos do mundo burguês, desordenando e deteriorando os sistemas políticos, as estruturas de inovação produtiva e os mecanismos de manipulação midiática.
Em resumo, parece que nos encontramos diante de uma convergência de numerosas “crises”. Na verdade, trata-se de uma única crise gigantesca, com diversos rostos, de dimensão (planetária) nunca antes vista na história. Seu aspecto é o de um grande crepúsculo que ameaça prolongar-se durante um longo período.
1968-2007: a etapa preparatória
A crise atual teve um longo período de gestão (aproximadamente entre 1968 e 2007), durante o qual desenvolveu-se uma crise crônica de superprodução que foi acumulando parasitismo e depredação do ecossistema. O processo destas quatro décadas pode ser interpretado como uma postergação do desastre graças à expansão financeiro-militar (centrada nos EUA), a integração periférica de mão de obra industrial barata (China, etc.), a depredação acelerada de recursos naturais (em especial os energéticos não renováveis) e a pilhagem financeira de um amplo leque de países subdesenvolvidos. Também pode ser visto sob a forma de uma “fuga para a frente” do sistema impulsionada por seus grandes motores parasitários.
Ambas visões deveriam ser integradas utilizando o conceito de “capitalismo senil” (2), ou seja, um fenômeno de envelhecimento avançado do sistema que emprega todo seu complexo instrumental anti-crise acumulado em uma longa história de dois séculos, mas que não pode impedir o agravamento de suas enfermidades e de sua decadência. A expansão do parasitismo e o declínio da dinâmica produtiva global constituem processos estreitamente vinculados. Desde meados dos anos 1970, as taxas de crescimento do Produto Bruto mundial se moveram de maneira irregular em torno de uma linha descendente, enquanto que a especulação financeira crescia a um ritmo vertiginoso. Se observamos o comportamento das três economias centrais: os EUA, a União Européia e o Japão, constataremos que, ao longo das últimas três décadas, a queda de suas taxas de crescimento de capital líquido (taxa de acumulação) contrastou com o aumento dos lucros empresariais. A chave do fenômeno está na crescente orientação do conjunto destas economias para a especulação financeira (3).
A hipertrofia financeira foi, ao mesmo tempo, causa e efeito da decadência produtiva. A desaceleração da chamada “economia real” gerava fundos ociosos que eram dirigidos para a especulação como via de saída para tornar o capital rentável. Em conseqüência, tais atividades expandiam-se absorvendo capitais disponíveis, dominando com sua subcultura do lucro imediato a totalidade do sistema, degenerando-o e fazendo com que perdesse dinamismo. Um estudo rigoroso do fenômeno demonstra que não existem duas esferas opostas, uma financeira e outra produtiva, com comportamentos diferenciados. Pelo contrário, nos encontramos diante de um único espaço de negócios fortemente interrelacionados, muitas vezes com operadores econômicos combinando ambas atividades. De um ponto de vista macroeconômico, não é possível descrever suas trajetórias sem integrá-las em uma dinâmica capitalista comum que busca a maximização dos lucros.
Por sua parte, o complexo militar-industrial norteamericano sofreu um golpe muito duro ao ser derrotado no Vietnã em meados dos anos 1970, mas as necessidades estruturais do capitalismo deram-lhe novo impulso e ele deu um enorme salto quantitativo no início da década dos 1980 com o mega-programa militar do presidente Reagan. Esse programa pareceu ficar bloqueado com a vitória dos EUA na Guerra Feria, no início dos 1990. Como legitimar aumentos de gastos com o desaparecimento do inimigo? No entanto, ao final da década, o Império havia conseguido fabricar um estranho “inimigo” que permitiu uma nova expansão militarista: o terrorismo internacional, um inimigo difuso, altamente virtual, e justificativa de uma prolongada aventura colonial na Eurásia, tratando de controlar a franja territorial que se estende desde os Bálcãs até o Paquistão, atravessando Iraque, Irã, países da Ásia Central, em cujo coração (ao redor do Golfo Pérsico e da bacia do Mar Cáspio) encontra-se cerca de 70% dos recursos petrolíferos do planeta.
A vitória nesta guerra permitiria ao Império encurralar a Rússia e a China e assegurar a fidelidade de seu grande aliado estratégico, a União Européia, consolidando assim sua hegemonia, impondo condições financeiras e comerciais muito duras ao resto mundo, já que a economia imperial declinante necessita de doses crescentes de riquezas externas para sobreviver. Como no passado, se conjugaram as necessidades “internas”, próprias da reprodução da economia norte-americana (onde os gastos militares cumprem um papel decisivo), com a necessária reprodução da exploração imperialista. Neste sentido, não se tratou de um fenômeno novo. Nos anos 1930, os gastos militares permitiram aos EUA sair da recessão e, ao mesmo tempo, emergir como a grande superpotência capitalista depois da Segunda Guerra Mundial.
Logo em seguida, mais de quarenta anos de Guerra Fria constituíram-se em uma importante contribuição para o crescimento de seu Produto Interno Bruto, superando diversas ameaças recessivas (no fim dos anos 1940, no início dos anos 1980, etc.). A novidade da última militarização (a partir do final da década dos 1990) foi dada pela extrema deformação parasitária da sociedade imperial o que significou o desenvolvimento de uma etapa radicalmente diferente de todas as anteriores.
O declínio do centro do mundo
É necessário constatar que nos encontramos diante do declínio do centro do mundo, os Estados Unidos, e que essa decadência não vem acompanhada da ascensão de nenhum outro centro imperialista mundial para substituir a potência declinante. As outras grandes potências (União Européia, Japão, Rússia, China) encontram-se embarcadas todas no mesmo barco global à deriva.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o capitalismo se estruturou em torno dos EUA, espaço fundamental de todos os negócios (produtivos, financeiros, midiáticos, etc.). Sua degradação desde o início dos anos 1970 e sua decadência atual expressa um mal universal: o parasitismo estadunidense não tem sido outra coisa que sua manifestação específica, central e acelerada pela crise crônica global de superprodução (incluídos os pseudo-milagres como a expansão chinesa, o renascimento russo ou a integração européia). O parasita norte-americano consumia acima de sua capacidade produtiva porque as economias da Europa, China, Japão, etc., precisavam vender seus bens e serviços e investir seus excedentes financeiros. Isso gerou uma interdependência cada vez mais profunda que foi chamada de “globalização” e a propaganda neoliberal descreveu-a como uma espécie de etapa superior do capitalismo, superadora do sistema vigente entre o fim da Segunda Guerra Mundial e a crise dos anos 1970.
Foi construída uma imagem idílica de um capitalismo transnacional liberado da tutela dos grandes estados nacionais e crescendo indefinidamente em torno dos círculos virtuosos interrelacionados da revolução tecnológica, da expansão do consumo e das finanças globais. Na verdade o que se impôs foi um capitalismo global completamente hegemonizado pelos negócios financeiros e articulados em torno de um grande centro imperialista com claros sintomas de decadência, acumulando dívidas públicas e privadas, externas e internas, cada vez mais dependentes de suas periferias desenvolvidas e subdesenvolvidas.
Seria um erro grosseiro considerar o fenômeno parasitário como um fato específico, exclusivo da sociedade norte-americana. Trata-se, na verdade, de um processo mundial. A financeirização, a proliferação de redes mafiosas e negócios de gansgters (como o tráfico de drogas, a prostituição, os saques de empresas públicas periféricas, etc.) atravessa todas as elites capitalistas dos países centrais e produz uma rápida conversão-degradação de numerosas burguesias do chamado mundo subdesenvolvido, transformadas em autênticas lumpen-burguesias periféricas. Poderia dizer-se que o caso chinês é a exceção, mas não é assim. A China é uma grande exportadora industrial, mas acumula fabulosos excedentes financeiros e cumpre um papel muito importante nos negócios especulativos mundiais. Suas elites dirigentes são altamente corruptas e, em última instância sua industrialização é completamente funcional à reprodução do capitalismo financeiro global, especialmente na fase mais recente da economia norte-americana, fornecendo-lhe mercadorias baratas e acumulando, em troca, dólares, bônus do tesouro e outros papéis. Deste modo, a elite chinesa participa ativamente da festa parasitária global, formando parte do restrito clube dos ricos do mundo (sua base social de trabalhadores e camponeses faz parte da massa proletária de pobres, oprimidos e explorados).
Por outro lado, a realidade da crise desmente as fantasias dos “descolamentos” nacionais ou regionais em relação ao afundamento dos EUA. Ao contrário, mostra o desespero das outras grandes potências diante do declínio de seu espaço central de negócios. O que estamos presenciando não é a substituição da unipolaridade por alguma forma de multipolaridade eficaz, por meio de uma repartição completa do mundo entre potências centrais, mas sim seu deslocamento paulatino para um processo de despolarização, onde vão se abrindo múltiplos espaços nos quais os controles imperialistas (norte-americanos, europeus e outros) estão enfraquecendo, ou, dito de outro modo, onde a articulação capitalista do mundo se debilita ao ritmo da crise. E os antecedentes históricos (sobretudo se pensarmos no que ocorreu a partir da Primeira Guerra Mundial) assinalam que se isso ocorre, se a hierarquia mundial do capitalismo (econômica, política, cultural e militar) entra em crise, então irrompem as condições objetivas e subjetivas para as rebeliões das vítimas do sistema.
Não se trata de um processo ordenado, incluindo tentativas de reconversão estratégica dos mecanismos de dominação (como ocorre atualmente nos EUA sob a presidência de Barack Obama), de aproveitamentos por parte de outras grandes potências que tratam de se apropriar de espaços onde o poder imperial norte-americano se enfraqueceu, de autonomizações periferias às vezes bem sucedidas e às vezes condenadas ao fracasso. Quando certos gurus ocidentais mostram sua preocupação diante do possível desenvolvimento do que chamam de “despolarização caótica” (4) estão expressando um grande medo universal, consciente ou inconsciente frente à perspectiva da reaparição do odiado fantasma anti-capitalista, várias vezes declarado morto e exorcizado, mas que sempre permanece como uma ameaça.
Da crise de superprodução à crise geral de subprodução (esgotamento da civilização burguesa)
O desenlace de 2007-2008, início do longo crepúsculo do sistema, não foi nenhuma surpresa. Estava escrito nos avatares da “crise-controlada” das últimas quatro décadas. Mais ainda, é possível detectar caminhos, processo que ao longo de aproximadamente dois séculos percorrem toda a história do capitalismo industrial, desembocando agora em seu declínio geral. Há germes do parasitismo, anunciadores da futura decadência, presentes desde o nascimento do sistema, durante sua expansão juvenil e, muito mais, em sua fase madura.
A sucessão de crises de superprodução no capitalismo ocidental durante o século XIX não marcou um simples encadeamento de quedas e recuperações em níveis cada vez mais altos de desenvolvimento das forças produtivas. Após cada depressão, o sistema se recompôs, mas acumulando em sua trajetória massas crescentes de parasistismo. O câncer financeiro irrompeu triunfante entre fins do século XIX e início do século XX, obtendo o controle absoluto do sistema sete ou oito décadas depois. O seu desenvolvimento, porém, havia começado muito tempo antes, financiando estruturas industriais e comerciais cada vez mais concentradas e estados imperialistas onde se expandiram burocracias civis e militares. A hegemonia da ideologia do progresso e do discurso positivista serviu para ocultar o fenômeno e instalou a idéia de que o capitalismo, ao contrário das civilizações anteriores, não acumulava parasitismo, mas sim forças produtivas que, ao expandirem-se, criavam problemas de adaptação superáveis no interior do sistema mundial por meio de processos de “destruição criadora”. O parasitismo capitalista em grande escala, quando se tornava evidente, era considerado como uma forma de “atraso” ou uma “degeneração” passageira na marcha ascendente da modernidade.
Essa maré ideológica capturou também boa parte do anticapitalismo (em última instância “progressista”) dos séculos XIX e XX, convencido de que a corrente incontrolável do desenvolvimento das forças produtivas terminaria por enfrentar o bloqueio das relações capitalistas de produção, saltando por cima delas, esmagando-as com uma avalanche revolucionária de trabalhadores industriais dos países mais desenvolvimentos, aos quais se somariam os chamados “países atrasados”. A ilusão do progresso indefinido (mais ou menos turbulento) escondeu a perspectiva da decadência, deixando o pensamento crítico na metade do caminho, tirando-lhe radicalidade, com conseqüências culturais negativas evidentes para os movimentos de emancipação do centro e da periferia.
O militarismo moderno, por sua parte, finca suas raízes no século XIX ocidental, desde as guerras napoleônicas, chegando à guerra franco-prussiana até irromper na Primeira Guerra Mundial como “complexo militar-industrial”. No início, foi percebido como um instrumento privilegiado das estratégias imperialistas e, mais adiante, como instrumento de reativação econômica do capitalismo. Considerava-se, assim, só um aspecto do problema, ignorando ou subestimando sua profunda natureza parasitária: o fato de que, por trás do monstro militar a serviço da reprodução do sistema, escondia-se um monstro muito mais poderoso no longo prazo, um consumidor improdutivo, multiplicador de desequilíbrios, de irracionalidade no sistema de poder.
Atualmente, o complexo militar-industrial norte-americano (em torno do qual se reproduzem os de seus sócios da OTAN) gasta em termos reais mais de US$ 1 trilhão (5), contribuindo de maneira crescente para o déficit fiscal e, por conseguinte, para o endividamento do Império (e para a prosperidade dos negócios financeiros beneficiários deste déficit). Sua eficácia militar é declinante, mas sua burocracia é cada vez maior, a corrupção penetrou em todas as suas atividades e já não é o grande gerador de empregos como foi em outras épocas, uma vez que a tecnologia industrial-militar reduziu significativamente essa função. A época do keynesianismo militar como estratégia eficaz anti-crise pertence ao passado (6).
Presenciamos nos EUA a integração de negócios entre a esfera industrial-militar, as redes financeiras, as grandes empresas energéticas, as camarilhas mafiosas, as “empresas” de segurança e outras atividades muito dinâmicas, conformando o espaço dominante do sistema de poder imperial.
Tampouco a crise energética em torno da chegada do “Peak Oil” (a franja de máxima produção petroleira mundial a partir da qual se desenrola seu declínio) deveria ser restrita à história das últimas décadas. É necessário entendê-la como fase declinante do longo ciclo da exploração moderna dos recursos naturais não renováveis, desde o começo do capitalismo industrial que pode realizar sua expansão graças a esses insumos energéticos abundantes, baratos e facilmente transportáveis, desenvolvendo primeiro o ciclo do carvão sob a hegemonia inglesa no século XIX e, depois, o do petróleo, sob a hegemonia norte-americana no século XX.
Esse ciclo energético de dois séculos condicionou todo o desenvolvimento tecnológico do sistema e foi a vanguarda da dinâmica depredadora do capitalismo, estendida ao conjunto dos recursos naturais e do meio ambiente em geral. O que durante quase dois séculos foi considerado como uma das grandes proezas da civilização burguesa, sua aventura industrial e tecnológica, aparece agora como a mãe de todos os desastres, como uma expansão depredadora que põe em perigo a sobrevivência da espécie humana (que colocou essa expansão em curso). Em resumo, o desenvolvimento da civilização burguesa durante os dois últimos séculos (com raízes em um passado ocidental muito mais prolongado) terminou por engendrar um processo irreversível de decadência. A depredação ambiental e a expansão parasitária, estreitamente interrelacionadas, estão na base do fenômeno.
A dinâmica de desenvolvimento econômico do capitalismo, marcada por uma sucessão de crises de superprodução constitui o motor do processo depredador-parasitário que conduz inevitavelmente a uma crise prolongada de subprodução. A partir de um olhar superficial, poderíamos concluir que esta crise foi causada por fatores exteriores ao sistema: perturbações climáticas, escassez de recursos energéticos, etc., que bloqueiam ou mesmo fazem retroceder o desenvolvimento das forças produtivas. No entanto, uma reflexão mais rigorosa demonstra que a penúria energética e a degradação ambiental são o resultado da dinâmica depredadora do capitalismo, obrigado a crescer indefinidamente para não perecer, ainda que tal crescimento termine por destruir o sistema. Existe uma interrelação dialética perversa entre a expansão da massa global de lucros, sua velocidade crescente, a multiplicação das estruturas burocráticas civis e militares de controle social, a concentração mundial de renda, a ascensão da maré parasitária e a depredação do meio ambiente.
As revoluções tecnológicas do capitalismo têm sido, aparentemente, suas tábuas de salvação. De fato o foram durante muito tempo, incrementando a produtividade industrial e agrícola, melhorando as comunicações, os transportes, etc., mas, no longo prazo histórico, no balanço de vários séculos, constituem-se em uma armadilha mortal. Terminam por degradar o desenvolvimento que impulsionaram pelo fato de estarem estruturalmente baseadas na depredação ambiental, gerando um crescimento exponencial de massas humanas super-exploradas e marginalizadas. A cultura técnica da civilização burguesa se apóia em um duplo combate: o do homem contra a natureza (o contexto ambiental de sua vida) convertida em objeto de exploração, realidade exterior e hostil que precisa ser dominada e devorada; e o do homem (burguês) contra o homem (explorado e dominado) convertido em objeto manipulável.
O progresso técnico integra assim o processo de auto-destruição geral do capitalismo na direção de um horizonte de barbárie. Essa idéia vai muito mais além do conceito de bloqueio tecnológico ou de “limite estrutural do sistema tecnológico”, tal como formulado por Bertrand Gille (7). Não se trata da incapacidade do sistema tecnológico da civilização burguesa para seguir desenvolvendo forças produtivas, mas sim de sua alta capacidade enquanto instrumento de destruição de forças produtivas. Em resumo, a história das crises de super-produção conclui com uma crise geral de sub-produção, como um processo de destruição, de decadência sistêmica no longo prazo. Isso significa que a superação necessária do capitalismo não aparece como o passo indispensável para “a marcha do progresso”, mas sim, em primeiro lugar, como tentativa de sobrevivência humana e de seu contexto ambiental.
O processo de decadência em curso deve ser visto como a fase descendente de um longo ciclo histórico iniciado no final do século XVIII (8) que contou com dois grandes articuladores hoje declinantes: o ciclo de dominação imperialista anglo-norte-americano (etapa inglesa no século XIX e norte-americana no século XX) e o ciclo do estado burguês desde sua etapa “liberal industrial” no século XIX, passando por sua etapa intervencionista produtiva (keynesiana clássica) em boa parte do século XX, para chegar a sua degradação “neoliberal” a partir dos anos 1970-1980.
Enfim, é necessário assinalar que a convergência de numerosas crises mundiais pode indicar a existência de uma perturbação muito grave, mas não necessariamente o desdobramento de um processo de decadência geral do sistema. A decadência aparece como a última etapa de um longo ciclo histórico, sua fase declinante, seu envelhecimento irreversível (sua senilidade), o esgotamento de suas diversas funções. Levando ao extremo os reducionismos tão praticados pelas “ciências sociais” poderíamos falar de “ciclos” energético, alimentar, militar, financeiro, produtivo, estatal, etc., e assim descrever em cada caso trajetórias que se desenrolam no Ocidente entre fins do século XVIII e começos do século XIX, com raízes anteriores e envolvendo espaços geográficos crescentes até assumir finalmente uma dimensão planetária e começar logo a declinar em cada um deles. A coincidência histórica de todas esses declínios e a fácil detecção dessas interrelações entre todos esses “ciclos” nos sugerem a existência de um único super ciclo que os inclui a todos. Dito de outra maneira, a hipótese é que se trata de um ciclo da civilização burguesa que se expressa por meio de uma multiplicidade de “aspectos” (produtivo, moral, político, militar, ambiental, etc.).
Nostalgias, heranças e esperanças
Na esquerda, pululam os nostálgicos do século XX, que é apresentado como um período de grandes revoluções socialistas e antiimperialistas, desde a Revolução Russa até a vitória vietnamita, passando pela Revolução Chinesa, as vitórias anticolonialistas na Ásia e África, etc. Frente a essa sucessão de ondas revolucionárias o que veio depois, nas últimas décadas do século XX, aparece como uma desgraça. Ainda que também seja possível olhar esse “período maravilhoso” como uma sucessão de desilusões, de tentativas libertadoras fracassadas. Além disso, as esperanças (embaladas desde meados do século XIX) em vitórias proletárias no coração do mundo burguês – na Europa mais desenvolvida e na neo-Europa norte-americana, os Estados Unidos – nunca se concretizaram. O peso cultural do capitalismo gerando barbáries fascistas ou “civilizadas” integrações keynesianas dissipou toda possibilidade de superação pós-capitalista.
A última grande crise do sistema, desencadeada no início dos anos 1970, não produziu um deslocamento do mundo para a esquerda, mas justamente o contrário. Tudo isso contribuiu para confirmar a crença simplista, demolidora, de que o capital “sempre encontra alguma saída” (tecnológica, política, militar, etc.) para suas crises. Trata-se de um “pré-conceito” com raízes muito profundas, forjado durante muito tempo. Destruir esse mito constitui uma tarefa decisiva no processo de superação da decadência. Se esse objetivo não for atingido, a armadilha burguesa nos impedirá de sair de um mundo que vai afundando na barbárie. Isso já aconteceu ao longo da história com outras civilizações decadentes que puderam preservar sua hegemonia cultural degradando, neutralizando uma após outra todas as possíveis saídas superadoras.
Por outro lado, o fato de o capitalismo ter ingressado em seu período de declínio significa, entre outras coisas, a aparição de condições civilizacionais para a irrupção de elementos práticos e teóricos que poderiam servir como base para o avanço (destrutivo-criador) do anti-capitalismo como fenômeno universal. Para isso é necessário (urgente) impulsionar a crítica radical e integrá-la com as resistências e os movimentos insurgentes e, a partir daí, com o leque mais amplo de massas populares golpeadas pelo sistema. A chave histórica desse processo necessário é a aparição de um movimento anti-capitalista plural, inovador (que poderíamos denominar, em uma primeira aproximação, de “humanismo revolucionário”) dedicado ao desenvolvimento de sujeitos populares revolucionários, de rupturas, destruições dos sistemas de poder, de opressões imperialistas, de estruturas de reprodução do capitalismo.
A sua implementação pode ser pensada como um duplo fenômeno de inovação social e de recuperação de memórias, de projetos de igualdade e liberdade que atravessaram os dois últimos séculos nos países centrais e periféricos. Um complexo processo universal teórico-prático de recuperação de raízes, de identidades pisoteadas pelas modernizações capitalistas, de crítica integral e intransigente contra as fraudes ideológicas do sistema, seus diversos fetichismos (da tecnologia, da auto-realização individualista, dissociadora, do consumo desenfreado, da coisificação do meio ambiente). Guerra global prolongada, conquista destrutiva (revolucionária) dos sistemas de poder significa o renascimento da idéia de revolução, de uma ofensiva libertadora contra os opressores internos e externos, de uma práxis emancipadora dos oprimidos e do rechaço permanente de todas as tentativas de estabilização do sistema.
A decadência aparece sob a forma de uma imensa totalidade burguesa inevitável. A sua superação só é possível a partir do desenvolvimento de sua negação absoluta, da irrupção de uma “totalidade negativa universal” (9) que, nas condições concretas do século XXI, deveria apresentar-se como convergência dos marginalizados, oprimidos e explorados do planeta. Não como sujeito solitário ou isolado, mas sim como aglutinador, como espaço insurgente de encontro de um amplo leque de forças sociais rebeldes, como vítima absoluta de todos os males da civilização burguesa e, por conseguinte, como líder histórico da regeneração humana (uma recomposição da visão de Marx do “proletariado” como sujeito universal emancipador).
Aqui é necessário assinalar uma diferença decisiva entre a situação atual e as condições culturais nas quais se apoiou o ciclo de revoluções a partir da Primeira Guerra Mundial. O atual começo da crise dispõe de uma herança única que é possível resumir como a existência de uma gigantesco patrimônio democrático, igualitário, acumulado ao longo do século XX por meio de grandes tentativas emancipadoras revolucionárias, reformistas, antiimperialistas mais ou menos radicais, inclusive com objetivos socialistas em muitas delas. Centenas de milhões de oprimidos e explorados em todos os continentes realizaram uma aprendizagem excepcional, obtiveram vitórias, fracassaram, foram enganados por usurpadores de todo tipo, receberam o exemplo de dirigentes heróicos, etc. Esta é outra maneira de olhar o século XX: como uma gigantesca escola de luta pela liberdade, onde o melhor da humanidade aprendeu muitas coisas que ficaram gravadas em sua memória histórica, não como lembrança pessimista de um passado irreversível, mas sim como descobrimento, como ferramenta cultural carregada definitivamente em sua mochila de combate.
Por volta de 1798, quando as esperanças geradas pela Revolução Francesa agonizavam, Kant sustentava com obstinação que “um fenômeno como esse não é esquecido jamais na história humana...é demasiado grande, demasiadamente ligado ao interesse da humanidade, demasiado difundido em virtude de sua influência sobre o mundo, por todas as partes, para que os povos não lembrem dele em alguma ocasião propícia e não sejam incitados por essa lembrança a repetir a tentativa” (10). O século XX equivale a dezenas de revoluções libertárias como a francesa, e muito mais do que isso se o considerarmos do ponto de vista qualitativo.
O patrimônio cultural democrático disponível agora pela humanidade oprimida, armazenado em sua memória, ao início da maior crise da história do capitalismo, é muito mais vasto, rico e denso que o existente no início da anterior crise prolongada do sistema (1914-1945). O pós-capitalismo não só constitui uma necessidade histórica (determinada pela decadência da civilização burguesa), como uma possibilidade real, com uma base cultural imensa nunca antes disponível. A esperança e o otimismo histórico aparecem, são visíveis através das ruínas, das estruturas degradadas de um mundo injusto.
Quatro esclarecimentos são necessários.
Primeiro: no início do século XXI, o sistema global ingressou em um período de crescimento zero, negativo ou muito débil. Isso não se deve à rebelião popular contra o crescimento alienante e destruidor do meio ambiente, mas sim à decadência da civilização burguesa. Nos anos 1970, Joseph Gabel expressava seus temores ante as consequências do esgotamento dos recursos naturais (era a época dos choques do petróleo e da teoria dos limites do crescimento) e a instalação de sociedades de penúria, de sobrevivência, fundadas na distribuição autoritária e hiper-elitista dos escassos bens disponíveis. Gabel assinalava que as utopias igualitárias se baseiam na abundância de bens, no fim da miséria, etc., algo oposto às experiências das sociedades de sobrevivência baseadas na distribuição hierárquica do poder e dos bens (11).
Poderíamos imaginar um cenário sinistro, onde logo após o desmoronamento da cultura do consumismo ante à evidência do fim do crescimento (pelo menos no médio prazo), o sistema gerasse uma espécie de reconversão ideológica apoiada na idéia de austeridade autoridade, na instalação de um conformismo profundamente conservador e ultra elitista impulsionado por um bombardeio midiático gigantesco e sustentado por sistemas repressivos eficazes; em resumo, algo como um neofascismo estabilizador. Para realizar com êxito essa reconversão cultural, o capitalismo precisaria dispor de uma capacidade de controle social universal, de assimilação de suas contradições e de um tempo de desenvolvimento que atualmente não são visíveis. Tudo parece indicar que sua dinâmica cultural, o imenso peso de seus interesses imediatos, as debilidades de seus sistemas de controle social (incluída aí a arma midiática), e sua fragmentação tornam esse futuro muito pouco provável. Pelo contrário, considerando a recente experiência dos “falcões” norte-americanos, a essência parasitária das elites dominantes mundiais sugere cenários turbulentos de confrontos militaristas-imperialistas, de rebeliões sociais, etc.
Fica pendente o tema da diminuição dos recursos naturais disponíveis e, por conseguinte, das técnicas produtivas e do tipo de bens produzidos. Uma metamorfose social complexa é possível, a partir da decadência do sistema, reinstalando utopias igualitárias baseadas na abundância (ponto de partida para a superação do mercado, para a extensão da gratuidade, etc.). Obviamente uma abundância de “outro tipo”, fraternal, criativa e não consumista-passiva, reconciliada com a comunidade e com a natureza. Desta maneira, à farsa capitalista da “abundância geral” (objetivo inalcançável, contraditório com a reprodução do sistema) ou ao pesadelo da sociedade de sobrevivência (autoritária, repressiva, elitista) se contrapõe a utopia da sociedade igualitária de abundância (outros bens, outras técnicas, outras formas de relação entre os seres humanos e destes com o meio ambiente).
Segundo: esse protagonismo radical dos oprimidos não tem porque nascer durante o primeiro dia da crise. É necessário um imenso processo de gestação atravessado por rebeliões populares e reações conservadoras, com avanços e retrocessos, uma longa marcha em um período muito denso e turbulento (cuja duração real é imprevisível), no qual estamos dando os primeiros passos. É um tempo de recuperação de memórias, de novos aprendizados, de construção complexa de uma nova consciência.
Terceiro: a existência do patrimônio democrático global antes mencionado poderia ser a base histórica da superação das frustrações socialistas do século XX, onde a reprodução da hegemonia cultural do capitalismo, articulada com tradições muito antigas de submissão bloqueavam os processos de auto-emancipação, reduzidos a movimentos de massas dirigidos por elites radicais, por dirigentes inevitavelmente autoritários, cujas vitórias resultavam em novos mecanismos de opressão. O desenrolar da história salta por cima da disputa sem solução entre comunistas estatistas e libertários: os primeiros desenvolvendo a possibilidade concreta da revolução, mas postergando para um futuro nebuloso a democracia de base (produzindo, assim, ao mesmo tempo, o fato revolucionário e as condições de seu fracasso); os segundos ignorando a existência de uma densa trama cultural negativa penetrando profundamente a consciência popular e, por conseguinte, a necessidade de complexas transações, desmantelamento de estruturas e estilos de vida, combinações pragmáticas, plurais, entre o velho e o novo.
Quarto: a periferia do capitalismo, o espaço dos povos pobres e marginalizados do planeta aparece como o lugar privilegiado para a irrupção destas forças libertadoras. Isso vem sendo demonstrado pela realidade, desde as resistências ao Império no Iraque e no Afeganistão, até a onda popular democrática na América Latina que já inclui alguns dos espaços mais avançados onde se postula a superação socialista do capitalismo. Ainda que não devamos subestimar suas prováveis prolongações futuras e interações com fenômenos da mesma natureza nos países centrais, coração visível da crise, aí a concentração de renda, o desemprego, o empobrecimento em grande escala se estendem ao ritmo da decadência do sistema. Suas elites aceleram sua degeneração parasitária, o que coloca o perigo de renovadas aventuras neofascistas e imperialistas, mas também a esperança na rebeldia de suas retaguardas populares internas.
A barbárie já está em marcha. A insurgência dos oprimidos, também.
Notas
(1) “Fed says worst of recession over”, BBC News, 12 Agosto, 2009.
(2) O conceito de capitalismo senil tal como é utilizado neste texto aparece nos anos 1970 em um trabalho de Roger Dangeville (Roger Dangeville, “Marx-Engels. La crise”, editions 10/18, Paris 1978) e é retomado por vários autores na década atual: Jorge Beinstein, “Capitalismo Senil”, Record, Rio de Janeiro, 2001; Samir Amin , “Au delà du capitalisme senile”, Actuel Marx -PUF, Paris 2002.
(3) Michel Husson, "Crise de la finance ou crise du capitalisme", http://hussonet.free.fr/denkntzf.pdf
(4) Richard N. Haass, “The Age of Nonpolarity. What Will Follow U.S. Dominance”, Foreign Affairs , May/June, 2008.
(5) Esta cifra é obtida somando o gasto do Departamento de Defesa e os gastos militares de outras áreas da administração pública. Chalmers Johnson, “Going bankrupt: The US's greatest threat “, Asia Times, 24 Janeiro, 2008.
(6) Scott B. MacDonald, “End of the guns and butter economy”, Asia Times, October 31, 2007.
(7) Bertrand Gille, “Histoire des techniques”, La Pléiade, Paris, 1978.
(8) Uma visão muito mais ampliada o integraria ao mega ciclo da civilização ocidental, chegando ao início do segundo milênio com as cruzadas e os primeiros germens comerciais do capitalismo na Europa, atravessando a conquista da América até chegar à revolução industrial inglesa, ás guerras napoleônicas e à expansão planetária da modernidade (imperialista, de raiz ocidental, é preciso destacar).
(9) Franz Jakubowsky, “Les superestructures idéologiques dans la conception matérialiste de l'histoire”, Etudes et Documentetion Internationales (EDI), París, 1976.
(10), Emmanuel Kant, “Filosofia de la historia”, Fondo de Cultura Económica, México, 1992.
(11), Joseph Gabel, “Idéologies II”, éditions anthropos, París, 1978.
(*) Economista argentino, professor na Universidade de Buenos Aires. É autor, entre outros livros, de "Capitalismo senil, a grande crise da economia global".
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
Do sítio: http://www.cartamaior.com.br/
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
O CO2 do Brasil.
Pelo que parece o aquecimento global é mais uma das invenções para a defesa de interesses dos países ricos.
O clima é algo difícil de se prever coisa que vários cientistas no mundo todo têm tentado fazer.
Como funciona o sistema climático para a simples previsão de uma chuva a curto prazo, por exemplo, mostra-se uma tarefa árdua e sem êxito, no entanto, há uma condenação ao efeito estufa causada pelo consumo de combustíveis fosseis derivados de petróleo, carvão mineral e gás natural, além da madeira, por conta da emissão de CO2 causada pela queima desses materiais.
Parece que a camada de ozônio já tem solução, pois não mais se comenta sobre ela, a impressão é de que a cada momento se elege algo de interesse da comunidade econômica para manter os lucros em ascensão na America do Norte e na Europa e, neste momento, parece que estamos tratando do clima como moeda de troca, mas na verdade especificamente do CO2, principalmente porque, coincidências a parte, o Brasil está prestes a se tornar um dos grandes produtores de petróleo e pelo tamanho da preocupação será o maior produtor de petróleo do mundo nas próximas décadas o que naturalmente porá a hegemonia de outros países em risco tornando-nos independentes do jugo imperial do norte, isso se continuar a excelente administração do PT.
A lógica funciona mais ou menos assim: freando a produção por conta da necessidade de redução do CO2 nesses países mantenho os consumidores dos meus produtos cada vez mais caros e tecnologicamente desenvolvidos, com selo de defensor ecológico da natureza e do meio ambiente e, ainda, continuo comprando seu rico petróleo a preço de banana.
Curiosamente a partir do aumento do preço do petróleo na década de 70 é que a luta pelo meio ambiente se tornou cada vez mais intransigente recolhendo seguidores pelo mundo inteiro, transformando-se em um grande negócio com milhões de empregados pelo mundo e bilhões de dólares envolvidos nas mais tempestuosas transações (o clima é um grande negócio).
Quando a ONU está por trás de algo, podemos imaginar outros gastos rondando os nossos bolsos pela transferência de obrigações para os mais pobres.
O IPCC/ONU (Intergovernmental Panel on Climate Change) Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU é um órgão facilmente manipulável para transparecer os interesses econômicos sobre o clima de maneira a evidenciar aquilo que não deve ser feito, daquilo que pode ser feito em relação ao clima, mesmo com consequências catastróficas para o planeta.
Parece que dessa vez o único interesse que não está sendo defendido é o do Grande Satã (EUA), temos de ficar de olho, acho que os países da Europa armaram uma arapuca para EUA e China taxando-os como poluidores nota 100 e os grandes culpados pela poluição causada pelo CO2, quando é sabido que a porcentagem de CO2 na atmosfera é de algo em torno de 0,034% e tem variado durante séculos para mais ou para menos, pois quem determina quando de CO2 vai haver no ar é a própria natureza, por ser uma gás essencial para ela e sujeito aos limites de concentração por ela impostos.
A quantidade de gás metano e oxido nitroso na atmosfera, segundo o mesmo IPCC em relatório de 2007, tem aumentado nos últimos 260 anos causado pelas atividades agrícolas, mas não se mostra como uma informação de muito interesse principalmente no Brasil podendo levar a ira a bancada ruralista do Congresso Nacional o que não é do feitio da nossa mídia e muito menos da Globo, Veja e Folha.
O relatório reconhece que houve redução nas temperaturas médias diurnas (DTR), mas os dados são disponíveis somente entre 1950/1993 e que esta temperatura diurna (DTR) não mudou entre 1979/2004, considerando que as tendências são altamente variáveis de uma região para outra, ou seja, é absolutamente inconsistente dizer que há um aquecimento global como tem sido apregoado pela mídia a quatro cantos.
O gelo da Antártica continua a mostrar variações de um ano para o outro sem se mostrar estatisticamente interessante e mesmo na circulação meridional do oceano global não há evidências de mudanças nas temperaturas, ou seja, está tudo do mesmo jeito que sempre foi há décadas, com um pequeno resfriamento a partir do final dos anos noventa.
De resto ficamos como o que sempre é feito em relação ao clima de maneira científica: provavelmente vai chover amanhã, daqui a uma semana ou daqui a um mês.
Portanto, as especulações do clima continuam a lastrear interesse econômicos pelo mundo todo e nós aqui ouvimos calados com medo de sermos atacados pelos virulentos defensores do ecossistema e taxados de reacionários, mas antes assim do que hipócrita e conivente com os interesses alienígenas no Brasil.
O clima é algo difícil de se prever coisa que vários cientistas no mundo todo têm tentado fazer.
Como funciona o sistema climático para a simples previsão de uma chuva a curto prazo, por exemplo, mostra-se uma tarefa árdua e sem êxito, no entanto, há uma condenação ao efeito estufa causada pelo consumo de combustíveis fosseis derivados de petróleo, carvão mineral e gás natural, além da madeira, por conta da emissão de CO2 causada pela queima desses materiais.
Parece que a camada de ozônio já tem solução, pois não mais se comenta sobre ela, a impressão é de que a cada momento se elege algo de interesse da comunidade econômica para manter os lucros em ascensão na America do Norte e na Europa e, neste momento, parece que estamos tratando do clima como moeda de troca, mas na verdade especificamente do CO2, principalmente porque, coincidências a parte, o Brasil está prestes a se tornar um dos grandes produtores de petróleo e pelo tamanho da preocupação será o maior produtor de petróleo do mundo nas próximas décadas o que naturalmente porá a hegemonia de outros países em risco tornando-nos independentes do jugo imperial do norte, isso se continuar a excelente administração do PT.
A lógica funciona mais ou menos assim: freando a produção por conta da necessidade de redução do CO2 nesses países mantenho os consumidores dos meus produtos cada vez mais caros e tecnologicamente desenvolvidos, com selo de defensor ecológico da natureza e do meio ambiente e, ainda, continuo comprando seu rico petróleo a preço de banana.
Curiosamente a partir do aumento do preço do petróleo na década de 70 é que a luta pelo meio ambiente se tornou cada vez mais intransigente recolhendo seguidores pelo mundo inteiro, transformando-se em um grande negócio com milhões de empregados pelo mundo e bilhões de dólares envolvidos nas mais tempestuosas transações (o clima é um grande negócio).
Quando a ONU está por trás de algo, podemos imaginar outros gastos rondando os nossos bolsos pela transferência de obrigações para os mais pobres.
O IPCC/ONU (Intergovernmental Panel on Climate Change) Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU é um órgão facilmente manipulável para transparecer os interesses econômicos sobre o clima de maneira a evidenciar aquilo que não deve ser feito, daquilo que pode ser feito em relação ao clima, mesmo com consequências catastróficas para o planeta.
Parece que dessa vez o único interesse que não está sendo defendido é o do Grande Satã (EUA), temos de ficar de olho, acho que os países da Europa armaram uma arapuca para EUA e China taxando-os como poluidores nota 100 e os grandes culpados pela poluição causada pelo CO2, quando é sabido que a porcentagem de CO2 na atmosfera é de algo em torno de 0,034% e tem variado durante séculos para mais ou para menos, pois quem determina quando de CO2 vai haver no ar é a própria natureza, por ser uma gás essencial para ela e sujeito aos limites de concentração por ela impostos.
A quantidade de gás metano e oxido nitroso na atmosfera, segundo o mesmo IPCC em relatório de 2007, tem aumentado nos últimos 260 anos causado pelas atividades agrícolas, mas não se mostra como uma informação de muito interesse principalmente no Brasil podendo levar a ira a bancada ruralista do Congresso Nacional o que não é do feitio da nossa mídia e muito menos da Globo, Veja e Folha.
O relatório reconhece que houve redução nas temperaturas médias diurnas (DTR), mas os dados são disponíveis somente entre 1950/1993 e que esta temperatura diurna (DTR) não mudou entre 1979/2004, considerando que as tendências são altamente variáveis de uma região para outra, ou seja, é absolutamente inconsistente dizer que há um aquecimento global como tem sido apregoado pela mídia a quatro cantos.
O gelo da Antártica continua a mostrar variações de um ano para o outro sem se mostrar estatisticamente interessante e mesmo na circulação meridional do oceano global não há evidências de mudanças nas temperaturas, ou seja, está tudo do mesmo jeito que sempre foi há décadas, com um pequeno resfriamento a partir do final dos anos noventa.
De resto ficamos como o que sempre é feito em relação ao clima de maneira científica: provavelmente vai chover amanhã, daqui a uma semana ou daqui a um mês.
Portanto, as especulações do clima continuam a lastrear interesse econômicos pelo mundo todo e nós aqui ouvimos calados com medo de sermos atacados pelos virulentos defensores do ecossistema e taxados de reacionários, mas antes assim do que hipócrita e conivente com os interesses alienígenas no Brasil.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
"Vote em um careca e ganhe dois"
“Vote em um careca e ganhe dois”.
Essa frase é o mote da campanha encetada pelo José Serra, presidente e o José Roberto Arruda, vice, um do PSDB e o outro do DEM.
Formarão uma dupla terrível para trabalhar contra os interesses da sociedade, pois se forem eleitos administrarão o país como FHC, Arruda e Kassab ou pior.
O primeiro, como todos sabem, destruiu a economia brasileira e conta com uma rejeição de 49,3% da população ao candidato que vier a apoiar.
O segundo, o tal do José Roberto Arruda, finalmente mostrou ao que veio e a finalidade de sua atuação política nos últimos anos no senado, quando se envolveu juntamente com outro demolidor do país, o tal de ACM, no escândalo da violação do painel eletrônico de votação do Senado fraudando o resultado.
Eleito para governador do DF, em 2006, demitiu 35.000 servidores com a desculpa de sobriedade administrativa e em nome da ética, comportamento próprio dos modelos desse tipo de político, contratou outros 14.000 apaniguados para substituí-los, assim começou a entrada de dinheiro sórdido das malas pretas patrocinadas pelos empresários e, em seguida, iniciou a derrubada de barracos em terrenos possuídos pelos pobres da capital jogando-os fora da nobre sociedade dos contribuintes das negociatas do governador do DF.
O terceiro da mesma laia, Fernando Kassab, distribuiu dinheiro aos donos das empresas de transporte de São Paulo na ordem de R$ 721 milhões de reais, enquanto o previsto para o ano de 2009 era de R$ 600 milhões de reais, alegando que o dinheiro seria destinado à renovação da frota além dos subsídios de passagens para evitar a majoração do preço acima de R$ 2,30 prometidos em campanha.
O que causa estranheza é o fato de que o dinheiro teria como destinação certa as obras do Rodoanel e foi desviado deixando um rastro de coisa mal feita, que para a conservação do preço das passagens haja a necessidade de aumentos cada vez maiores nos subsídios ao seu custeio sem que acrescentasse melhorias ao transporte público.
Para piorar mais, noticia-se nos meios de comunicação que R$ 353 milhões de reais destinados as obras de contenção de enchentes não foram encaminhados ao seu destino, ajudando a complicar mais ainda a triste situação da população paulistana sem ao menos ter para onde correr por conta do volume imenso de água, no entanto, as verbas destinadas a publicidade, de acordo com os mesmos meios, tem valor recorde.
Quanto ao Serra podemos perceber como será administrado o país sob a sua governança, só espero que a percepção seja suficiente para que não façamos como aqueles que votaram no Arruda para governador, o povo não pode mais errar.
Espero a continuação do atual processo com a eleição da Dilma jogando definitivamente no lixo da história essa canalhada de usurpadores do Estado e seus partidários que a séculos transformaram o povo brasileiro em reféns.
O video da composição entre o PSDB do Serra e o DEM do Arruda está no Youtube sob o título "composição serra/arruda" para ser visto antes que resolvam tira-lo sob a alegação de ser ruim para os negócios.
www.youtube.com/watch?v=wIXSSkvs06c
Essa frase é o mote da campanha encetada pelo José Serra, presidente e o José Roberto Arruda, vice, um do PSDB e o outro do DEM.
Formarão uma dupla terrível para trabalhar contra os interesses da sociedade, pois se forem eleitos administrarão o país como FHC, Arruda e Kassab ou pior.
O primeiro, como todos sabem, destruiu a economia brasileira e conta com uma rejeição de 49,3% da população ao candidato que vier a apoiar.
O segundo, o tal do José Roberto Arruda, finalmente mostrou ao que veio e a finalidade de sua atuação política nos últimos anos no senado, quando se envolveu juntamente com outro demolidor do país, o tal de ACM, no escândalo da violação do painel eletrônico de votação do Senado fraudando o resultado.
Eleito para governador do DF, em 2006, demitiu 35.000 servidores com a desculpa de sobriedade administrativa e em nome da ética, comportamento próprio dos modelos desse tipo de político, contratou outros 14.000 apaniguados para substituí-los, assim começou a entrada de dinheiro sórdido das malas pretas patrocinadas pelos empresários e, em seguida, iniciou a derrubada de barracos em terrenos possuídos pelos pobres da capital jogando-os fora da nobre sociedade dos contribuintes das negociatas do governador do DF.
O terceiro da mesma laia, Fernando Kassab, distribuiu dinheiro aos donos das empresas de transporte de São Paulo na ordem de R$ 721 milhões de reais, enquanto o previsto para o ano de 2009 era de R$ 600 milhões de reais, alegando que o dinheiro seria destinado à renovação da frota além dos subsídios de passagens para evitar a majoração do preço acima de R$ 2,30 prometidos em campanha.
O que causa estranheza é o fato de que o dinheiro teria como destinação certa as obras do Rodoanel e foi desviado deixando um rastro de coisa mal feita, que para a conservação do preço das passagens haja a necessidade de aumentos cada vez maiores nos subsídios ao seu custeio sem que acrescentasse melhorias ao transporte público.
Para piorar mais, noticia-se nos meios de comunicação que R$ 353 milhões de reais destinados as obras de contenção de enchentes não foram encaminhados ao seu destino, ajudando a complicar mais ainda a triste situação da população paulistana sem ao menos ter para onde correr por conta do volume imenso de água, no entanto, as verbas destinadas a publicidade, de acordo com os mesmos meios, tem valor recorde.
Quanto ao Serra podemos perceber como será administrado o país sob a sua governança, só espero que a percepção seja suficiente para que não façamos como aqueles que votaram no Arruda para governador, o povo não pode mais errar.
Espero a continuação do atual processo com a eleição da Dilma jogando definitivamente no lixo da história essa canalhada de usurpadores do Estado e seus partidários que a séculos transformaram o povo brasileiro em reféns.
O video da composição entre o PSDB do Serra e o DEM do Arruda está no Youtube sob o título "composição serra/arruda" para ser visto antes que resolvam tira-lo sob a alegação de ser ruim para os negócios.
www.youtube.com/watch?v=wIXSSkvs06c
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
A soma da bandidagem + DEM + PSDB
O atual governo tem o mérito de destruir uma boa parte das mentiras criadas pelo golpe militar de 64 e cultivada por um bando de canalhas dissimulados de políticos honestos, simplesmente, por não pactuar com os bandidos que destruíram o país em vinte e um de exceção convalidando o tráfico de influências, corrupção e desmandos.
Os irresponsáveis que criaram as mentiras eleitorais para o favorecimento de uma elite desonesta e se denominaram “defensores do país” estão sendo dizimados pela Polícia Federal e Ministério Público um escândalo após o outro sem trégua, após anos de impunidade causando sofrimento a população.
Impressionante como essa canalhada tem lacaios, defensores de toda a sorte, a imprensa irresponsável, todos patrocinados pelos dólares da CIA, soldados do capital estrangeiro contra os interesses brasileiros e da América Latina.
É curioso ler a seção de cartas desses papelões irresponsáveis também conhecidos como PIG – Partido da Imprensa Golpista que falam quase sempre as mesmas coisas chamam o presidente de bêbado e outras coisas piores desfilando preconceito e discriminação como se a nós não pertencessem esquecendo-se da própria origem que é o magnífico amálgama de três etnias: o índio, o negro e o branco que assim produziram a mais perfeita das misturas.
Não, eles querem ser europeus ou norte americanos não podem pertencer aquilo que mais detestam: o fato de serem brasileiros um povo encantado.
Melhor são os filmes, o povo de lá é mais bonito, lá não tem moda de viola, só música clássica e gente loirinha de zoínho azul, chega de morenos eu quero morar lá.
A grande mentira inventada pelos meios de comunicação, pela propaganda enganosa, que para eles nada aqui presta, o melhor vem de fora.
Lá fora não tem corrupção, ladrão, traficante, só gente bonita.
Quando será que vão cair na realidade de que não existe país melhor do que este?
Os irresponsáveis que criaram as mentiras eleitorais para o favorecimento de uma elite desonesta e se denominaram “defensores do país” estão sendo dizimados pela Polícia Federal e Ministério Público um escândalo após o outro sem trégua, após anos de impunidade causando sofrimento a população.
Impressionante como essa canalhada tem lacaios, defensores de toda a sorte, a imprensa irresponsável, todos patrocinados pelos dólares da CIA, soldados do capital estrangeiro contra os interesses brasileiros e da América Latina.
É curioso ler a seção de cartas desses papelões irresponsáveis também conhecidos como PIG – Partido da Imprensa Golpista que falam quase sempre as mesmas coisas chamam o presidente de bêbado e outras coisas piores desfilando preconceito e discriminação como se a nós não pertencessem esquecendo-se da própria origem que é o magnífico amálgama de três etnias: o índio, o negro e o branco que assim produziram a mais perfeita das misturas.
Não, eles querem ser europeus ou norte americanos não podem pertencer aquilo que mais detestam: o fato de serem brasileiros um povo encantado.
Melhor são os filmes, o povo de lá é mais bonito, lá não tem moda de viola, só música clássica e gente loirinha de zoínho azul, chega de morenos eu quero morar lá.
A grande mentira inventada pelos meios de comunicação, pela propaganda enganosa, que para eles nada aqui presta, o melhor vem de fora.
Lá fora não tem corrupção, ladrão, traficante, só gente bonita.
Quando será que vão cair na realidade de que não existe país melhor do que este?
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Para onde vamos sem FHC.
Em artigo publicado pela mídia irresponsável, FHC tenta por meio de um texto preguiçoso como seus oito anos de desgoverno promover críticas ao governo Lula em um formato pretensioso, próprio da especialidade que desenvolveu na oposição, lutando agora para ser contrário a tudo aquilo que traga benefício ao país e resguarde os interesses de seus patrocinadores.
Há uma certa velharia combinada com velhacaria nas críticas das decisões de interesse da nação tomadas pelo atual governo em defesa do pré-sal chamando de “pequenos assassinatos” as mudanças determinadas para ao invés de concessões estabelecer o sistema partilhas, muito mais adequado para o país, logo quem comprou um porta aviões velho quer criticar a negociação dos caças, acha que o estado não pode interferir na Vale por ser uma empresa de economia mista e, no entanto, deixa de lado a informação de que 75% dela pertence ao estado e que graças ao seu modelo de “privataria” uma empresa vendida por US$ 3,3 bilhões tem um valor hoje de US$ 100 bilhões e quem manda em sua gestão é um dos acionistas minoritários com 25% das ações.
Chama Dilma de “candidata claudicante” como ela não manca e nem é capenga, devemos entender que esse claudicar deve ser por conta da doença a que foi submetida recentemente, o que demonstra o raciocínio preconceituoso e sua petulância e ainda diz que Lula ao leva-la pelo país tira dinheiro do seu, do meu e do nosso bolso como ele fez sem o menor pudor privatizando o meu o seu e o nosso patrimônio quase de graça e fazendo graça para o FMI e Banco Mundial.
Infelizmente, não consigo esquecer o “Selo Pedágio” e os “Kits Primeiro Socorro” que tanta raiva me causaram e esse aparvalhado vem falar de gastar o nosso dinheiro inutilmente logo ele que drenou o meu, o seu e o nosso dinheiro para as mãos dos empresários sem oferecer nada em troca, minto, vinha junto uma tesourinha que não cortava água e uma gaze transparente de tão ruim, que grande hipócrita!
A crítica a política externa então, é de amargar, diz que no Irã não há preocupação com a paz e nem com os direitos humanos, o que dizer então dos países que ele vive babando como a Inglaterra, os EUA, a França, a Itália que enviaram tropas para a invasão do Iraque e Afeganistão sem qualquer responsabilidade com a democracia ou os direitos humanos aniquilando crianças, mulheres e velhos e, também, a finalidade das relações com o Irã são comerciais sem qualquer ingerência deles na nossa cultura ou ideologia, ao contrário dos países com os quais ele tanto se afina.
Enfim, a partir daí não há quem agüente ler tanta bobagem e repetição dos chavões absolutamente sem fundamento, em uma crítica vazia de quem não tem moral para criticar ou mesmo argumentos para tal, aí faço coro com o Sr. Carlos Henrique Simões da Costa, criticando o mesmo artigo no fórum da Revista Eletrônica Carta Maior, nos seguintes termos:
“ESSE POÇO DE MEDIOCRIDADE QUE QUEBROU O PAÍS TRÊS VEZES (FHC É DE LONGE O PIOR PRESIDENTE DA HISTÓRIA DESTE PAÍS) CONSEGUIU PIORAR EXPONENCIALMENTE TODOS OS INDICADORES SOCIAIS E ECONÔMICOS DE NOSSA NAÇÃO, COM O APÔIO DA MÍDIA REACIONÁRIA, PRECISA TER AS IMBECILIDADES QUE VOMITA DESMORALIZADAS CONSTANTEMENTES, COMO TAMBÉM DEVEM SER DENUNCIADOS OS CRIMES DE SEU GOVERNO (QUE VENDEU O PATRIMÔNIO PÚBLICO A PREÇOS RISÍVEIS, COM EVIDENTES INDÍCIOS DE CORRUPÇÃO; COMPROU VOTOS DE PARLAMENTARES; FORNECEU DADOS ESTRATÉGICOS DA AMAZÔNIA AOS IANQUES; DEU DINHEIRO DOS BRASILEIROS PARA RECUPERAR A MÍDIA CONSERVADORA FALIDA; AUMENTOU EM DEZ VEZES A DÍVIDA PÚBLICA) E MUITOS OUTROS CRIMES, OS QUAIS SÃO MAIS DO QUE SUFICIENTES PARA COLOCAR NA CADEIA FHC E TODA A SUA CORJA, JUNTAMENTE COM OS BARÕES MIDIÁTICOS. É necessário que estabeleçamos sim, através da denúncia, a comparação entre o SUCESSO EXTRAORDINÁRIO do Governo Lula e o desastre do desgoverno de FHC, para que todos os brasileiros possam sabê-lo, não sendo manipulados pelas mentiras midiáticas (que tentam vender exatamente o contrário) e essa eleição apresente-se bem claramente à população como a escolha entre continuar a trajetória de crescimento e inclusão que vive o Brasil ou voltar à miséria que os tucanos criaram”.
A verdade é que aqueles, como nós, que defendemos um país melhor para todos e não para uma turminha de privilegiados (FHC, etc. e bando) um artigo irresponsável como esse nos traz de volta as lembranças de administrações irresponsáveis como a dele, com custos desmesurados a nós impostos, em benefício dos mesmos de sempre enquanto ficávamos de mãos atadas afundados na mentira institucionalizada e ainda tem a cara de pau de comparar o governo Lula ao regime militar do qual seu pai foi general, tem dó, né!
O desespero tucano, aliado do DEM (antiga ARENA, depois PDS e PFL), tem a ver com os recursos a eles destinados pela CIA que provavelmente serão reduzidos em função da péssima representação que tem feito dos interesses dos EUA no país, imaginem o “príncipe”, como chamam os puxa-sacos de plantão, fora da mídia por falta de dinheiro para pagar os seus articulistas e editores dos jornais e revistas.
Naturalmente, sem FHC e seu bando vamos cada vez melhor, por isso ao votarmos em 2010 devemos lembrar das mentiras a que estamos sujeitos em razão da mídia mentirosa e defensora dos interesses alienígenas e seus sequazes.
Há uma certa velharia combinada com velhacaria nas críticas das decisões de interesse da nação tomadas pelo atual governo em defesa do pré-sal chamando de “pequenos assassinatos” as mudanças determinadas para ao invés de concessões estabelecer o sistema partilhas, muito mais adequado para o país, logo quem comprou um porta aviões velho quer criticar a negociação dos caças, acha que o estado não pode interferir na Vale por ser uma empresa de economia mista e, no entanto, deixa de lado a informação de que 75% dela pertence ao estado e que graças ao seu modelo de “privataria” uma empresa vendida por US$ 3,3 bilhões tem um valor hoje de US$ 100 bilhões e quem manda em sua gestão é um dos acionistas minoritários com 25% das ações.
Chama Dilma de “candidata claudicante” como ela não manca e nem é capenga, devemos entender que esse claudicar deve ser por conta da doença a que foi submetida recentemente, o que demonstra o raciocínio preconceituoso e sua petulância e ainda diz que Lula ao leva-la pelo país tira dinheiro do seu, do meu e do nosso bolso como ele fez sem o menor pudor privatizando o meu o seu e o nosso patrimônio quase de graça e fazendo graça para o FMI e Banco Mundial.
Infelizmente, não consigo esquecer o “Selo Pedágio” e os “Kits Primeiro Socorro” que tanta raiva me causaram e esse aparvalhado vem falar de gastar o nosso dinheiro inutilmente logo ele que drenou o meu, o seu e o nosso dinheiro para as mãos dos empresários sem oferecer nada em troca, minto, vinha junto uma tesourinha que não cortava água e uma gaze transparente de tão ruim, que grande hipócrita!
A crítica a política externa então, é de amargar, diz que no Irã não há preocupação com a paz e nem com os direitos humanos, o que dizer então dos países que ele vive babando como a Inglaterra, os EUA, a França, a Itália que enviaram tropas para a invasão do Iraque e Afeganistão sem qualquer responsabilidade com a democracia ou os direitos humanos aniquilando crianças, mulheres e velhos e, também, a finalidade das relações com o Irã são comerciais sem qualquer ingerência deles na nossa cultura ou ideologia, ao contrário dos países com os quais ele tanto se afina.
Enfim, a partir daí não há quem agüente ler tanta bobagem e repetição dos chavões absolutamente sem fundamento, em uma crítica vazia de quem não tem moral para criticar ou mesmo argumentos para tal, aí faço coro com o Sr. Carlos Henrique Simões da Costa, criticando o mesmo artigo no fórum da Revista Eletrônica Carta Maior, nos seguintes termos:
“ESSE POÇO DE MEDIOCRIDADE QUE QUEBROU O PAÍS TRÊS VEZES (FHC É DE LONGE O PIOR PRESIDENTE DA HISTÓRIA DESTE PAÍS) CONSEGUIU PIORAR EXPONENCIALMENTE TODOS OS INDICADORES SOCIAIS E ECONÔMICOS DE NOSSA NAÇÃO, COM O APÔIO DA MÍDIA REACIONÁRIA, PRECISA TER AS IMBECILIDADES QUE VOMITA DESMORALIZADAS CONSTANTEMENTES, COMO TAMBÉM DEVEM SER DENUNCIADOS OS CRIMES DE SEU GOVERNO (QUE VENDEU O PATRIMÔNIO PÚBLICO A PREÇOS RISÍVEIS, COM EVIDENTES INDÍCIOS DE CORRUPÇÃO; COMPROU VOTOS DE PARLAMENTARES; FORNECEU DADOS ESTRATÉGICOS DA AMAZÔNIA AOS IANQUES; DEU DINHEIRO DOS BRASILEIROS PARA RECUPERAR A MÍDIA CONSERVADORA FALIDA; AUMENTOU EM DEZ VEZES A DÍVIDA PÚBLICA) E MUITOS OUTROS CRIMES, OS QUAIS SÃO MAIS DO QUE SUFICIENTES PARA COLOCAR NA CADEIA FHC E TODA A SUA CORJA, JUNTAMENTE COM OS BARÕES MIDIÁTICOS. É necessário que estabeleçamos sim, através da denúncia, a comparação entre o SUCESSO EXTRAORDINÁRIO do Governo Lula e o desastre do desgoverno de FHC, para que todos os brasileiros possam sabê-lo, não sendo manipulados pelas mentiras midiáticas (que tentam vender exatamente o contrário) e essa eleição apresente-se bem claramente à população como a escolha entre continuar a trajetória de crescimento e inclusão que vive o Brasil ou voltar à miséria que os tucanos criaram”.
A verdade é que aqueles, como nós, que defendemos um país melhor para todos e não para uma turminha de privilegiados (FHC, etc. e bando) um artigo irresponsável como esse nos traz de volta as lembranças de administrações irresponsáveis como a dele, com custos desmesurados a nós impostos, em benefício dos mesmos de sempre enquanto ficávamos de mãos atadas afundados na mentira institucionalizada e ainda tem a cara de pau de comparar o governo Lula ao regime militar do qual seu pai foi general, tem dó, né!
O desespero tucano, aliado do DEM (antiga ARENA, depois PDS e PFL), tem a ver com os recursos a eles destinados pela CIA que provavelmente serão reduzidos em função da péssima representação que tem feito dos interesses dos EUA no país, imaginem o “príncipe”, como chamam os puxa-sacos de plantão, fora da mídia por falta de dinheiro para pagar os seus articulistas e editores dos jornais e revistas.
Naturalmente, sem FHC e seu bando vamos cada vez melhor, por isso ao votarmos em 2010 devemos lembrar das mentiras a que estamos sujeitos em razão da mídia mentirosa e defensora dos interesses alienígenas e seus sequazes.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Em defesa do MST.
Manifesto em defesa do MST.
Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais.
As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo. Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra. Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos. Bloquear a reforma agrária Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário desloca-se dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária. Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira. O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais como única alternativa para a agropecuária brasileira. Concentração fundiária A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio. Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no primeiro semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano. Não violência A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária. É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira. Contra a criminalização das lutas sociais Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.
Assine a petição no sítio abaixo:
http://www.petitioonline.com/boit1995/petition.html
Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais.
As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo. Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra. Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos. Bloquear a reforma agrária Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário desloca-se dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária. Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira. O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais como única alternativa para a agropecuária brasileira. Concentração fundiária A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio. Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no primeiro semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano. Não violência A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária. É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira. Contra a criminalização das lutas sociais Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.
Assine a petição no sítio abaixo:
http://www.petitioonline.com/boit1995/petition.html
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Como identificar um político corrupto.
Várias são as facetas de um político corrupto. As pessoas têm dificuldade de identificá-los por conta da quantidade de informações colocadas pela grande mídia, que tem outros interesses para obscurecer a verdade (ideológicos, economico-financeiros). Vão aí algumas informações para facilitar.
1) Nunca está presente em debates, congressos ou manifestações de algum interesse social.
2) É contra qualquer manifestação do governo em favor dos mais pobres ou discriminados, opositor ferrenho do programa Bolsa Família ou política de quotas, é reacionário.
3) Está sempre do lado dos ricos e dos poderosos.
4) É crítico feroz do marxismo, comunismo, socialismo, anarquismo ou qualquer movimento de interesse social ou que provoque mudanças contrárias aos interesses do capitalismo.
5) É critico feroz do MST, ou qualquer movimento de propriedade para os pobres, por ser proprietário de terras, às vezes, griladas ou com posse violenta. Não importando a ele se os maiores países do mundo fizeram reforma agrária mesmo como necessária ao próprio capitalismo.
6) Está sempre presente em eventos sociais promovidos por “socialites” da moda, aparece nas colunas sociais de jornais, como O Estadão e O Globo.
7) Aparece sempre em programas de televisão sem nenhum conteúdo ou irrelevantes, como Amaury Jr, por exemplo.
8) É figurinha carimbada de revistas criadas para a enaltecer a frivolidade, como Caras, mostrando a sua mansão ou em festas de arromba promovida por milionários em locais paradisíacos.
9) Reforça a opinião de revistas de conteúdo duvidoso, sempre como o grande “qualquer coisa”, defendendo os interesses do capital internacional, contra os interesses do povo, como Veja ou Exame e Época.
10) Muda sempre de partido político, por ser antiético, vale aquele quem dá mais ou o “é dando que se recebe”.
11) Não tem caráter distintivo, não defende nada a não ser seus interesses egoístas e imorais.
12) É exímio criador de factóides sempre para confundir a opinião pública contra outros administradores honestos, beneficiando-se da dúvida gerada, eliminando oponentes para a prática de seus atos ilícitos.
13) Sua fortuna é incalculável, mansões na cidade e na praia, apartamentos em Nova Iorque, Paris, Londres, leva a família, a amante e outros convivas em viagens luxuosas pelo mundo, vive da ostentação, as vezes, não a exibe, mais cedo ou mais tarde, o povo acaba por descobrir.
14) O político corrupto é um camaleão e está sempre disposto a mudar, por isso é difícil reconhecê-lo de imediato, mas uma observação cuidadosa faz com que este seja desmascarado.
15) Quando aparece no Jornal Nacional é mostrado como "pessoa de bem" por defender os interesses "globais" e está sempre a favor da opinião do grupo de corruptos e corruptores.
15) Quando descoberto diz que está sendo pressionado politicamente, pois todas as acusações contra ele são políticas e feitas por inimigos políticos.
16) Às vezes se apresenta como reformador, mas já foi governo e defendeu os interesses do capital internacional privatizando e distribuindo bens do povo para os ricos e continua se dizendo reformador: na verdade é um grande hipócrita.
17) Diz em seu discurso de campanha que vai diminuir os impostos, reduzir o efetivo do funcionalismo público, promete austeridade e ética, proclama que vai aplicar um choque de gestão, quando na verdade vai demitir para contratar empresas que patrocinaram sua campanha e dividir o lucro.
1) Nunca está presente em debates, congressos ou manifestações de algum interesse social.
2) É contra qualquer manifestação do governo em favor dos mais pobres ou discriminados, opositor ferrenho do programa Bolsa Família ou política de quotas, é reacionário.
3) Está sempre do lado dos ricos e dos poderosos.
4) É crítico feroz do marxismo, comunismo, socialismo, anarquismo ou qualquer movimento de interesse social ou que provoque mudanças contrárias aos interesses do capitalismo.
5) É critico feroz do MST, ou qualquer movimento de propriedade para os pobres, por ser proprietário de terras, às vezes, griladas ou com posse violenta. Não importando a ele se os maiores países do mundo fizeram reforma agrária mesmo como necessária ao próprio capitalismo.
6) Está sempre presente em eventos sociais promovidos por “socialites” da moda, aparece nas colunas sociais de jornais, como O Estadão e O Globo.
7) Aparece sempre em programas de televisão sem nenhum conteúdo ou irrelevantes, como Amaury Jr, por exemplo.
8) É figurinha carimbada de revistas criadas para a enaltecer a frivolidade, como Caras, mostrando a sua mansão ou em festas de arromba promovida por milionários em locais paradisíacos.
9) Reforça a opinião de revistas de conteúdo duvidoso, sempre como o grande “qualquer coisa”, defendendo os interesses do capital internacional, contra os interesses do povo, como Veja ou Exame e Época.
10) Muda sempre de partido político, por ser antiético, vale aquele quem dá mais ou o “é dando que se recebe”.
11) Não tem caráter distintivo, não defende nada a não ser seus interesses egoístas e imorais.
12) É exímio criador de factóides sempre para confundir a opinião pública contra outros administradores honestos, beneficiando-se da dúvida gerada, eliminando oponentes para a prática de seus atos ilícitos.
13) Sua fortuna é incalculável, mansões na cidade e na praia, apartamentos em Nova Iorque, Paris, Londres, leva a família, a amante e outros convivas em viagens luxuosas pelo mundo, vive da ostentação, as vezes, não a exibe, mais cedo ou mais tarde, o povo acaba por descobrir.
14) O político corrupto é um camaleão e está sempre disposto a mudar, por isso é difícil reconhecê-lo de imediato, mas uma observação cuidadosa faz com que este seja desmascarado.
15) Quando aparece no Jornal Nacional é mostrado como "pessoa de bem" por defender os interesses "globais" e está sempre a favor da opinião do grupo de corruptos e corruptores.
15) Quando descoberto diz que está sendo pressionado politicamente, pois todas as acusações contra ele são políticas e feitas por inimigos políticos.
16) Às vezes se apresenta como reformador, mas já foi governo e defendeu os interesses do capital internacional privatizando e distribuindo bens do povo para os ricos e continua se dizendo reformador: na verdade é um grande hipócrita.
17) Diz em seu discurso de campanha que vai diminuir os impostos, reduzir o efetivo do funcionalismo público, promete austeridade e ética, proclama que vai aplicar um choque de gestão, quando na verdade vai demitir para contratar empresas que patrocinaram sua campanha e dividir o lucro.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Mentiras constitucionais crônicas.
Primeiro, temos de observar, que o presidente eleito de Honduras Manuel Zelaya tem o direito de permanecer presidente até que se eleja legalmente e emposse um novo.
Por mais que a direita internacional se manifeste pela constitucionalidade do golpe, nada justifica o comportamento abusivo do fascismo hondurenho em retirá-lo a força do poder expulsando-o do país.
Pela mídia temos observado as opiniões de pretensos advogados constitucionalistas brasileiros defenderem o golpe militar em Honduras, baseados na mentira de que a constituição daquele país assim o permite.
Fazem as mais variadas alegações fundadas em artigos constitucionais que permitiriam um comportamento tão extravagante, tirarem o presidente legalmente eleito de sua cama, na madrugada, sob a mira de armas, colocando-o em um transporte clandestinamente, expulsando-o para o país mais próximo.
A defesa de uma teoria conspiratória dessa magnitude faz com que percamos a crença nas avaliações desses circunspetos e analíticos donos da verdade constitucional. Imaginem! Professores eméritos de direito constitucional em universidades de alto nível! Coitados dos alunos!
Por mais necessárias que fossem, a defesa ideológica dessas mentiras nos faz pensar em tudo que temos sofrido neste país tão desigual, onde políticos desonestos tem se apoiado nessas mesmas mentiras, há décadas, para se perpetuarem no poder suplementados com dinheiro tirado dos pobres, das crianças e velhos, jogando-os na miséria crônica por gerações.
Para construir as hipóteses estapafúrdias, montam um circo sob uma cobertura de bolha de sabão, esquecem a essência do direito, criada para o bem da democracia e da verdade com o título de “Princípio do devido processo legal”, este princípio descerra o absoluto e universal “Princípio do contraditório e da ampla defesa”, condições que na falta deles ninguém poderá ser condenado e muito menos julgado, pela simples necessidade de controle do poder estatal sobre o cidadão, exercício de direito negado ao presidente Manuel Zelaya.
A violência sofrida pela inobservância de tão importante princípio trouxe resultados terríveis para toda América Latina, lembranças de irresponsáveis interferências da CIA no processo político de países como Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e recentemente na Venezuela, apoiados por falsos cidadãos pagos pelo Estado e lustrados pelos traiçoeiros constitucionalistas de plantão, todos a soldo do capital internacional, que tanto atraso traz a todos nós.
A esses hipócritas, cuja consciência não dói, que rasgaram a constituição brasileira a qual prometeram defender ao abraçarem o Direito, resta o desprezo, o repúdio e a expectativa de um fim bem próximo, caminho lógico para o esquecimento.
Por mais que a direita internacional se manifeste pela constitucionalidade do golpe, nada justifica o comportamento abusivo do fascismo hondurenho em retirá-lo a força do poder expulsando-o do país.
Pela mídia temos observado as opiniões de pretensos advogados constitucionalistas brasileiros defenderem o golpe militar em Honduras, baseados na mentira de que a constituição daquele país assim o permite.
Fazem as mais variadas alegações fundadas em artigos constitucionais que permitiriam um comportamento tão extravagante, tirarem o presidente legalmente eleito de sua cama, na madrugada, sob a mira de armas, colocando-o em um transporte clandestinamente, expulsando-o para o país mais próximo.
A defesa de uma teoria conspiratória dessa magnitude faz com que percamos a crença nas avaliações desses circunspetos e analíticos donos da verdade constitucional. Imaginem! Professores eméritos de direito constitucional em universidades de alto nível! Coitados dos alunos!
Por mais necessárias que fossem, a defesa ideológica dessas mentiras nos faz pensar em tudo que temos sofrido neste país tão desigual, onde políticos desonestos tem se apoiado nessas mesmas mentiras, há décadas, para se perpetuarem no poder suplementados com dinheiro tirado dos pobres, das crianças e velhos, jogando-os na miséria crônica por gerações.
Para construir as hipóteses estapafúrdias, montam um circo sob uma cobertura de bolha de sabão, esquecem a essência do direito, criada para o bem da democracia e da verdade com o título de “Princípio do devido processo legal”, este princípio descerra o absoluto e universal “Princípio do contraditório e da ampla defesa”, condições que na falta deles ninguém poderá ser condenado e muito menos julgado, pela simples necessidade de controle do poder estatal sobre o cidadão, exercício de direito negado ao presidente Manuel Zelaya.
A violência sofrida pela inobservância de tão importante princípio trouxe resultados terríveis para toda América Latina, lembranças de irresponsáveis interferências da CIA no processo político de países como Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e recentemente na Venezuela, apoiados por falsos cidadãos pagos pelo Estado e lustrados pelos traiçoeiros constitucionalistas de plantão, todos a soldo do capital internacional, que tanto atraso traz a todos nós.
A esses hipócritas, cuja consciência não dói, que rasgaram a constituição brasileira a qual prometeram defender ao abraçarem o Direito, resta o desprezo, o repúdio e a expectativa de um fim bem próximo, caminho lógico para o esquecimento.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Como se cria dinheiro.
Ninguém é mais escravo do que aquele que falsamente se acredita livre (Goethe)
O exemplo fornecido, compilado pelo The Zeitgeist Project, descreve o modelo norte-americano de criação do dólar americano pelas normas estabelecidas dentro da sistemática do banco central dos EUA, de acordo com os procedimentos do Federal Reserve, nada mais de que um banco particular dono do dinheiro do mundo todo, embora com o expressivo nome “Federal”, pertence a três bancos: o Bank of América, Citibank e J.P. Morgan, portanto, uma empresa bancária com a finalidade de defender o interesses deles, os banqueiros internacionais, assim, não espere consideração.
Há alguns anos atrás, o banco central dos EUA, o Federal Reserve, criou um documento chamado “Mecânica Monetária Moderna” (Modern Monetary Mecanics).
Esta publicação detalhava a prática institucionalizada de criação do dinheiro como é utilizada pelo FED.
Na Página de abertura o documento afirma seu objetivo: “o propósito deste livreto é descrever o processo básico de criação do dinheiro em um sistema bancário de reservas fracionadas”.
Ele então descreve esse processo de reservas fracionadas por meio da terminologia bancária diversa cuja tradução seria algo assim: o governo americano decide que precisa de dinheiro. Então ele fala com a RF e pede, digamos 10 bilhões de dólares; o RF responde: “Claro, vamos comprar 10 bi de títulos da divida pública (bonds) de vocês”.
Aí o governo pega alguns papeis, coloca símbolos neles, que os fazem parecer oficiais, e os chama de títulos do tesouro.
Ele atribui a esses papeis o valor de US$ 10 bi e os envia ao RF.
Em troca, o pessoal do RF imprime uma quantia de papeis deles próprios, só que desta vez, com o nome de notas da RF.
Também atribui valor de US$ 10 bi a esses papeis; a RF pega as notas e as troca pelos títulos. Assim, a transação é concluída o governo pega os 10 bi em notas da RF e deposita em uma conta bancária.
E com esse deposito as notas de papel passam oficialmente a ter valor adicionado de 10 bi ao suprimento monetário dos EUA.
E, aí está! Foi criado 10 bi novinhos em dinheiro.
Claro, o exemplo é mera generalização, pois na realidade essa transação ocorreria eletronicamente sem o uso de papel nenhum.
Na verdade, só 3% do suprimento monetário dos EUA existem em moeda física, os outros 97% existem somente em computadores.
Então, títulos públicos são, por definição, instrumentos de endividamento e quando a RF compra esses títulos com dinheiro criado basicamente do nada, o governo na verdade está prometendo devolver esse dinheiro a RF.
Em outras palavras, o dinheiro foi criado a partir de uma divida.
Esse paradoxo estarrecedor de como o dinheiro ou o valor a ele correspondente pode ser criado ou uma responsabilidade. Isso ficará mais claro na medida em que formos avançando nesse exercício.
Bem, a troca foi realizada e agora 10 bi estão em uma conta bancária comercial.
Aqui é onde isso fica interessante, já que, com base na pratica de reservas fracionadas esse deposito de 10 bi tona-se instantaneamente parte das reservas do banco, como todo deposito.
E, no que se refere a exigência de reservas, como está no livreto “Mecânica Monetária Moderna”, “um banco deve manter reservas legalmente exigidas equivalentes a uma porcentagem definida de seus depósitos”.
Isso é quantificado, quando se afirma que: “pelas normas vigentes a reserva exigida para a maioria das contas correntes é de 10%”.
Assim, dos 10 bi depositados, 10% ou 1 bi, é guardado como reserva exigida enquanto os outros 9 bi são considerados excedentes da reserva e podem ser usados como base para novos empréstimos.
O lógico seria presumir que esses 9 bi estão literalmente, saindo do depósito existente de 10 bi, porém, esse não é o caso, o que ocorre é que os 9 bi são cirados a partir do nada sobre o deposito existente de 10 bi.
É assim, que o suprimento monetário é expandido, como é afirmado no Modern Monetary Mecanics.
Naturalmente, eles, os bancos não saldam os empréstimos do dinheiro que recebem como depósitos, se isso fosse feito, nenhum dinheiro adicional seria criado.
O que eles fazem ao realizar empréstimos é aceitar notas promissórias “contratos de empréstimos” em troca de créditos “dinheiro”, para as contas correntes de quem toma os empréstimos.
Em outras, palavras, os 9 bi podem ser criados do nada, simplesmente, porque existe uma demanda por tal empréstimo e porque existe um deposito de 10 bi que atende às exigências de reserva de 1%.
Agora vamos imaginar que alguém entre nesse banco e tome emprestado os 9 bi recém disponibilizados.
Eles provavelmente vão pegar esse dinheiro e deposita-lo em sua própria conta bancária.
O processo então se repete, já que esse deposito se torna parte das reservas do banco, 10% é isolado e em seguida 90% dos 9 bi, ou, 8,1 bi tornam-se dinheiro recém-criado disponível para mais empréstimos.
E, claro, esses 8,1 podem ser emprestados e depositados novamente criando mais 7,2 bi, mais 6,5 bi, mais 5,9 bi, etc.
Esse ciclo de criação do dinheiro pode se tornar infinito.
O cálculo médio é de cerca de que 90 bi pode ser criado a partir de 10 bi.
Em outras palavras: para cada depósito que é feito no sistema bancário, pode-se criar nove vezes esse valor a partir do nada.
Considerando a criação do dinheiro como valor único, não há espaço para a cobrança de juros, sem que, alguém perca dinheiro em favor de outro.
Se, hipoteticamente, criando 100 e fracionando esse valor em 100 notas de 1 como empréstimo, não há como tirar daí juros para que alguém pague a outrem, sem que uma das pessoas beneficiadas com uma nota de 1, ou fração dela, perca a posse do dinheiro para outro e, assim, este pague juros a um terceiro.
Observa-se daí a falência do sistema, pois o que parece justo, ou seja, pagar juros por um empréstimo ou por algo que se esta comprando à prazo, na verdade causa prejuízo direto a outro que não faz parte da negociação pela perda da posse do dinheiro na forma de juros.
Com a criação de dinheiro virtual (contábil) prorroga-se a imediatidade da tomada do valor, que vai se acumulando até que alguém, uma empresa ou um governo transfira para o sistema bancário a dívida criada pelos juros em prejuízo de uma pessoa, um grupo ou de toda a sociedade, fazendo com que os banqueiros fiquem cada vez mais ricos e a população mais carente e endividada.
O exemplo fornecido, compilado pelo The Zeitgeist Project, descreve o modelo norte-americano de criação do dólar americano pelas normas estabelecidas dentro da sistemática do banco central dos EUA, de acordo com os procedimentos do Federal Reserve, nada mais de que um banco particular dono do dinheiro do mundo todo, embora com o expressivo nome “Federal”, pertence a três bancos: o Bank of América, Citibank e J.P. Morgan, portanto, uma empresa bancária com a finalidade de defender o interesses deles, os banqueiros internacionais, assim, não espere consideração.
Há alguns anos atrás, o banco central dos EUA, o Federal Reserve, criou um documento chamado “Mecânica Monetária Moderna” (Modern Monetary Mecanics).
Esta publicação detalhava a prática institucionalizada de criação do dinheiro como é utilizada pelo FED.
Na Página de abertura o documento afirma seu objetivo: “o propósito deste livreto é descrever o processo básico de criação do dinheiro em um sistema bancário de reservas fracionadas”.
Ele então descreve esse processo de reservas fracionadas por meio da terminologia bancária diversa cuja tradução seria algo assim: o governo americano decide que precisa de dinheiro. Então ele fala com a RF e pede, digamos 10 bilhões de dólares; o RF responde: “Claro, vamos comprar 10 bi de títulos da divida pública (bonds) de vocês”.
Aí o governo pega alguns papeis, coloca símbolos neles, que os fazem parecer oficiais, e os chama de títulos do tesouro.
Ele atribui a esses papeis o valor de US$ 10 bi e os envia ao RF.
Em troca, o pessoal do RF imprime uma quantia de papeis deles próprios, só que desta vez, com o nome de notas da RF.
Também atribui valor de US$ 10 bi a esses papeis; a RF pega as notas e as troca pelos títulos. Assim, a transação é concluída o governo pega os 10 bi em notas da RF e deposita em uma conta bancária.
E com esse deposito as notas de papel passam oficialmente a ter valor adicionado de 10 bi ao suprimento monetário dos EUA.
E, aí está! Foi criado 10 bi novinhos em dinheiro.
Claro, o exemplo é mera generalização, pois na realidade essa transação ocorreria eletronicamente sem o uso de papel nenhum.
Na verdade, só 3% do suprimento monetário dos EUA existem em moeda física, os outros 97% existem somente em computadores.
Então, títulos públicos são, por definição, instrumentos de endividamento e quando a RF compra esses títulos com dinheiro criado basicamente do nada, o governo na verdade está prometendo devolver esse dinheiro a RF.
Em outras palavras, o dinheiro foi criado a partir de uma divida.
Esse paradoxo estarrecedor de como o dinheiro ou o valor a ele correspondente pode ser criado ou uma responsabilidade. Isso ficará mais claro na medida em que formos avançando nesse exercício.
Bem, a troca foi realizada e agora 10 bi estão em uma conta bancária comercial.
Aqui é onde isso fica interessante, já que, com base na pratica de reservas fracionadas esse deposito de 10 bi tona-se instantaneamente parte das reservas do banco, como todo deposito.
E, no que se refere a exigência de reservas, como está no livreto “Mecânica Monetária Moderna”, “um banco deve manter reservas legalmente exigidas equivalentes a uma porcentagem definida de seus depósitos”.
Isso é quantificado, quando se afirma que: “pelas normas vigentes a reserva exigida para a maioria das contas correntes é de 10%”.
Assim, dos 10 bi depositados, 10% ou 1 bi, é guardado como reserva exigida enquanto os outros 9 bi são considerados excedentes da reserva e podem ser usados como base para novos empréstimos.
O lógico seria presumir que esses 9 bi estão literalmente, saindo do depósito existente de 10 bi, porém, esse não é o caso, o que ocorre é que os 9 bi são cirados a partir do nada sobre o deposito existente de 10 bi.
É assim, que o suprimento monetário é expandido, como é afirmado no Modern Monetary Mecanics.
Naturalmente, eles, os bancos não saldam os empréstimos do dinheiro que recebem como depósitos, se isso fosse feito, nenhum dinheiro adicional seria criado.
O que eles fazem ao realizar empréstimos é aceitar notas promissórias “contratos de empréstimos” em troca de créditos “dinheiro”, para as contas correntes de quem toma os empréstimos.
Em outras, palavras, os 9 bi podem ser criados do nada, simplesmente, porque existe uma demanda por tal empréstimo e porque existe um deposito de 10 bi que atende às exigências de reserva de 1%.
Agora vamos imaginar que alguém entre nesse banco e tome emprestado os 9 bi recém disponibilizados.
Eles provavelmente vão pegar esse dinheiro e deposita-lo em sua própria conta bancária.
O processo então se repete, já que esse deposito se torna parte das reservas do banco, 10% é isolado e em seguida 90% dos 9 bi, ou, 8,1 bi tornam-se dinheiro recém-criado disponível para mais empréstimos.
E, claro, esses 8,1 podem ser emprestados e depositados novamente criando mais 7,2 bi, mais 6,5 bi, mais 5,9 bi, etc.
Esse ciclo de criação do dinheiro pode se tornar infinito.
O cálculo médio é de cerca de que 90 bi pode ser criado a partir de 10 bi.
Em outras palavras: para cada depósito que é feito no sistema bancário, pode-se criar nove vezes esse valor a partir do nada.
Considerando a criação do dinheiro como valor único, não há espaço para a cobrança de juros, sem que, alguém perca dinheiro em favor de outro.
Se, hipoteticamente, criando 100 e fracionando esse valor em 100 notas de 1 como empréstimo, não há como tirar daí juros para que alguém pague a outrem, sem que uma das pessoas beneficiadas com uma nota de 1, ou fração dela, perca a posse do dinheiro para outro e, assim, este pague juros a um terceiro.
Observa-se daí a falência do sistema, pois o que parece justo, ou seja, pagar juros por um empréstimo ou por algo que se esta comprando à prazo, na verdade causa prejuízo direto a outro que não faz parte da negociação pela perda da posse do dinheiro na forma de juros.
Com a criação de dinheiro virtual (contábil) prorroga-se a imediatidade da tomada do valor, que vai se acumulando até que alguém, uma empresa ou um governo transfira para o sistema bancário a dívida criada pelos juros em prejuízo de uma pessoa, um grupo ou de toda a sociedade, fazendo com que os banqueiros fiquem cada vez mais ricos e a população mais carente e endividada.
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