domingo, 26 de julho de 2009

DEMOCRACIA TERRORISTA

Um histórico do Imperialismo dos Estados Unidos da América

Os Estados Unidos da América, desde sua fundação, têm defendido a liberdade e a democracia, defendido esse sistema político no seu país e no mundo, principalmente quando se coloca como o maior exemplo de democracia do mundo. Seu sistema democrático divide a eleição em duas partes, uma direta e outra indireta, possuindo entraves burocráticos que permitem o controle do resultado final das eleições pelo processo de voto indireto, por meio do chamado Colégio Eleitoral. Este órgão foi criado em 1787, logo após a independência, juntamente com a constituição, para evitar que a escolha do presidente ficasse à mercê do voto popular direto, garantindo o controle do poder pela elite política do país, que temia novas revoltas sociais como a de Shays. Para manter o caráter democrático, as eleições diretas têm de acontecer e elas ocorrem, mas o Colégio Eleitoral é quem dá a última palavra. O caso mais recente de problemas que essa forma de democracia provocou foi a crise gerada pela eleição de George W. Bush, vitorioso sobre Al Gore, respectivamente dos partidos Republicano e Democrata.
A estrutura partidária também é bastante burocrática, permitindo que por mais de dois séculos esses dois partidos se alternem no poder sem dar oportunidade a nenhum outro grupo político. Logicamente esses dois partidos foram o resultado da divisão do poder entre as duas tendências do grupo de líderes políticos que declarou a independência norte-americana, fez a constituição dos EUA e criou a estrutura eleitoral, incluindo o Colégio Eleitoral e a parte das eleições que são indiretas, além de outras regras que dificultam a ascensão de novos partidos. Tudo isso para que essa elite nunca mais saísse do poder e evitasse que outros grupos políticos pudessem vir a crescer e dominar a vida política da nação.
Os EUA sempre foram o maior defensor da democracia e da liberdade de expressão, pregando a luta pela autodeterminação dos povos. Mas, na prática, têm um currículo invejável de atrocidades, guerras, conquistas, intervenções e ocupações militares, e ainda, a manutenção de governos ditatoriais ‘fantoches’ no mundo todo, financiando ou armando grupos políticos que representem seus interesses no país em questão.
A própria formação do território norte-americano está manchada do sangue de 1 milhão de indígenas de diferentes tribos (creeks, choctaws, cherokees, sioux, apaches, chiekasaws, seminolas), todas consideradas ‘inferiores’, que foram expulsas de suas terras e simplesmente exterminados. A ‘Doutrina do Destino Manifesto’ justificava essa “carga” ao homem branco norte-americano: civilizar outros povos, em especial os chamados povos bárbaros, como os indígenas. As guerras expansionistas começaram com a invasão da Flórida ocidental em 1812 (totalmente anexada em 1819), numa guerra envolvendo a Espanha e sua aliada, a Inglaterra, que voltou a ser enfrentada em 1814 numa disputa por territórios ao norte. Em uma grande guerra iniciada em 1845 e prorrogada de 1847 a 1848, contra o México, os Estados Unidos tomaram metade do território mexicano, localizado onde hoje estão os estados do Texas, Califórnia, Novo México, Arizona, Nevada, Utah e partes do Colorado, Kansas e Oklahoma. Não é à toa que o presidente mexicano Porfírio Díaz declarou: “Pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.
Em 1867, os EUA adquiriram e anexaram o Alaska. Em 1869 invadiram as Ilhas Midway e em 1887 ocuparam Pearl Harbor. Em 1898 os EUA anexaram o Havaí, ocuparam militarmente Cuba, Porto Rico e Guam (estes dois últimos anexados) e invadiram as Filipinas (onde morreram 100 mil filipinos) após uma grande guerra imperialista contra a Espanha na qual os estadunidenses saíram vitoriosos e transformaram as Filipinas em colônia. Em 1899 ocuparam o arquipélago de Samoa. Em 1916 os EUA anexaram as Ilhas Virgens.
A doutrina Monroe (1823), ‘a América para os americanos’, serviria de justificativa para centenas de intervenções na América Latina. No final do mesmo século e no início do séc. XX, a América Central começaria a sofrer cada vez mais com o imperialismo estadunidense, que considerava esta região seu quintal e ali interviria cada vez mais freqüentemente.
Entre 1898 e 1901 os EUA ocupam a ilha cubana e a partir de 1901 impõem um protetorado sobre Cuba, que incluía a ocupação militar da ilha e a construção de uma base naval ao sul de Guantánamo. Até a nova constituição cubana autorizava a intervenção militar estadunidense no país, através da Emenda Platt de 1901. Na ilha cubana os EUA mantiveram seu domínio com governos fantoches entre 1901 e 1906, de 1909 a 1917, entre 1924 e 1933 e foi governada pelo ditador Fungêncio Batista de 1934 até 1944 e de 1952 até 1959, alternado por outros governos fantoches. Entre os períodos onde Cuba foi governada por representantes diretos dos interesses dos Estados Unidos, a ilha foi invadida e ocupada por tropas estadunidenses (1906-1909, 1912, 1917, 1921-1923, 1933).
O domínio estadunidense na ilha cubana só acabou com a Revolução de 1959 e o posterior alinhamento de Cuba com os soviéticos (1961), mas, mesmo assim, os EUA deram apoio a diversos grupos de oposição ao governo cubano, chegando a organizar o desembarque na Baia de Porcos, para onde enviou rebeldes cubanos e agentes da CIA para tentarem depor Fidel Castro. Entre 1959 e 1966 a CIA chegou a organizar 24 planos diferentes para assassinar Fidel Castro, desses 8 foram levados adiante mas fracassaram. Através do seu serviço secreto, os EUA introduziram em Cuba diversas doenças e pragas até então desconhecidas na ilha como peste suína africana, praga de arroz, doença de Newcastle em aves, carvão e ferrugem da cana-de-açúcar, mofo azul do tabaco, ferrugem do café, conjuntivite hemorrágica e dengue.
Os EUA fomentaram o separatismo na província do Panamá, até então território da Colômbia, onde queriam construir um canal ligando o Atlântico ao Pacífico. Em 1903 ocupam o recém-criado território panamenho para construir ali o Canal do Panamá, tomando parte do território deste país (a zona do canal). O presidente dos EUA, Theodore Roosevelt, o ‘fundador’ deste país declarou apenas: “Eu tomei o Panamá”. O Panamá seria ocupado até 1918, quando os EUA interviram novamente no país. As tropas estadunidenses só sairiam em 1999, tendo intervindo militarmente no país em outras situações como 1923, 1964 e 1989. Mais recentemente o Panamá foi governado por ditaduras militares pró-EUA de 1968 a 1981 e de 1983 a 1989.
Em 1903, ocorre a primeira intervenção estadunidense na República Dominicana (na época São Domingos). A República Dominicana é ocupada pelos exércitos estadunidenses em 1905 e novamente entre 1916 e 1924, sendo que de 1905 até 1941 foi, na prática, uma colônia estadunidense, num período em que os EUA recolheram os impostos do país para si. Foi governada pelo ditador Rafael Trujillo de 1930 a 1960, representante dos interesses estadunidenses. Outras ditaduras financiadas pelos EUA governaram o país de 1960-61 e 1963-1965. A ilha foi invadida em 1965 por tropas da OEA (Organização dos Estados Americanos) lideradas por 22 mil soldados dos Estados unidos e uma nova ditadura pró-EUA foi implantada entre 1965 e 1978. Ainda em 1903 os EUA invadiram Honduras pela primeira vez em nome das companhias norte-americanas exportadoras de frutas como a United Brands e a United Fruit Co., que até hoje controlam o país, fato que lhe rendeu o apelido de "República das Bananas", depois estendido a outros países da região.
O Haiti foi ocupado por tropas norte-americanas em 1914 e esse domínio continuou até 1936, passando posteriormente por governos fantoches que incluíram ditaduras entre 1946 e 1950, de 1956 até 1986 e de 1987-1990. Em 1991 os EUA voltaram a intervir no país e em 1994 o Haiti foi novamente invadido por tropas estadunidenses, que colocaram um novo governo no poder.
Na Guatemala, os EUA apoiaram governos fantoches de 1906 até 1944. Derrubaram governos democráticos e implantaram ditaduras militares com intervenções militares em 1954, durando até a 1965, e novamente de 1970 a 1985. Durante essas ditaduras fortemente repressoras, o país passou por grandes conflitos internos entre o governo ditatorial pró-EUA e terroristas de direita, de um lado, e guerrilheiros de esquerda do outro, numa verdadeira guerra civil. Teve como trágico resultado cerca de 120 mil mortos, a maior parte civis ou membros da oposição.
Tropas norte-americanas invadiram a Nicarágua em 1909 e novamente em 1912. Entre 1912 e 1933 a Nicarágua foi uma colônia norte-americana, constantemente ocupada pelos marines. Um pequeno grupo de oposição formado por camponeses lutava contra a ocupação, liderados por Sandino. Após este período, os EUA entregaram o governo do país para a família Somoza, que governou o país com uma forte e opressora ditadura de 1936 a 1979, sempre representando os interesses estadunidenses no país. A pedido do embaixador norte-americano, Sandino foi assassinado durante o que deveria ser uma reunião para negociações de paz em Manágua. Graças ao apoio estadunidense e a corrupção generalizada, a família Somoza construiu uma fortuna de mais de um bilhão de dólares, sendo proprietária, direta ou indiretamente de quase todas as terras do país.
O domínio estadunidense no país se estende até 1979, quando o novo governo, formado por sandinistas, tentou implantar um regime de tendências socialistas. Mas os EUA financiaram guerrilheiros anti-sandinistas (os chamados ‘contras’), que juntamente com o embargo norte-americano, arrasaram a economia do país e permitiram a subida ao poder de um governo pró-EUA em 1990, após a morte de mais de 30 mil nicaragüenses. A Nicarágua chegou a apelar para o Tribunal Penal Internacional contra a atitude norte-americana, onde venceu, mas os EUA não aceitaram acabar com o crime contra esse país, nem pagar as indenizações que o tribunal lhe impusera. Posteriormente a Nicarágua pediu à ONU que votasse uma determinação para que todos os países respeitassem o direito internacional e o princípio de autodeterminação dos povos, mas os EUA vetaram.
El Salvador passou por ditaduras de direita apoiadas pelos EUA entre 1931 e 1944, de 1960 a 1967, de 1969 até 1979. Durante essas ditaduras o país passou por intensos conflitos sociais e uma verdadeira guerra civil entre guerrilheiros de esquerda e de direita. Estes últimos, conhecidos pelo apelido de “O Batalhão”, apoiados pelo governo e pelos EUA, foram responsáveis por alguns dos mais violentos massacres da América Latina, não poupando velhos nem crianças. Muitas vezes os membros da oposição eram presos pelo “batalhão”, torturados e depois arrastados pelas ruas da cidade até que toda a carne se desprendesse dos ossos. Os EUA chegaram a invadir o país em 1979 para ‘regularizar a situação’ e colocar no poder uma nova ditadura, extremamente repressora, nos anos seguintes (1980-82) mas permitindo que o mesmo grupo permanecesse no poder até 1994. Estes longos conflitos , mais intensos no final dos anos 70 e início dos 80, resultaram em mais de 60 mil mortos, a maior parte da oposição.
Em 1980, os EUA apoiaram a ascensão de uma ditadura no Suriname. Em 1983 os Estados Unidos invadiram a ilha de Granada para depor um governo de esquerda que contrariava os seus interesses, implantando um governo pró-EUA.
No México, os EUA realizaram outra intervenção militar em 1914, dando suporte para a ascensão de governos autoritários, que formariam nos anos 20 o Partido Revolucionário Institucional (PRI), passando a governar o México com um governo de partido único, mas de fachada democrática, sempre apoiado pelos EUA. Este grupo político permaneceu no poder até o ano 2000. Como resultado, hoje os EUA comandam praticamente toda a economia mexicana, em especial os recursos naturais, como minerais metálicos e o petróleo, sendo que 95% das exportações de petróleo mexicano, hoje, vão para os EUA.
Na Venezuela, um grande produtor de petróleo já no início do séc. XX, os EUA financiaram ditaduras como a de Juan V. Gomez, que escancarou as portas da economia venezuelana para as empresas petrolíferas norte-americanas de 1908 até sua morte em 1935. Os EUA mantiveram outras ditaduras no país de 1936 a 1945 e de 1949 até 1958.
Durante toda a Guerra Fria os EUA financiaram diversas ditaduras no mundo, mas principalmente no seu quintal: a América Latina. Além das já citadas na América Central, temos na América do Sul governos fantoches ‘democráticos’ que reprimiram violentamente toda forma de oposição, mas principalmente movimentos de esquerda na Colômbia e na Venezuela (principalmente após os anos 60). Temos também ditaduras implantadas com apoio dos EUA no Equador, (1963-1968 e 1972-1979), no Peru (1968-1980 e 1992-2001) e no Uruguai (1972-1984). Na Bolívia foram vários golpes e governos ditatoriais nos períodos de 1952-1964, 1965-1966, 1969-1970 e 1971-1982. No Paraguai, além da ditadura de direita apoiada pelos Estados Unidos de 1940 a 1947, o General Stroessner ficou no poder de 1954 até 1989, uma das mais longas ditaduras militares da história.
No Chile, após um curto governo de tendências socialistas, formado pelos social-democratas e socialistas chilenos, que nacionalizou as minas de cobre, o presidente Allende foi morto no sangrento golpe de 11 de Setembro de 1973, organizado pela própria CIA e com participação de marines norte-americanos, onde até o palácio presidencial La Moneda e a residência do presidente Allende foram bombardeados. Este golpe marca o início de uma violenta ditadura liderada por Pinochet que durou até 1990, sustentado pelos escusos interesses estadunidenses.
Na Argentina (1966-1973 e 1976-1984), da mesma forma, os militares que dirigiram o país foram responsáveis por milhares de desaparecimentos políticos, casos de torturas, estupros, assassinatos e espancamentos, contabilizando um total de mais de 35 mil mortos, em nome da “defesa da democracia”.
No Brasil, após um curto governo nacionalista, que tentou fazer uma tímida reforma agrária e algumas nacionalizações, foi organizado um golpe militar em 1964, também com participação e supervisão da CIA, do Departamento de Informação do Pentágono (Cel. Vermon Walters), da embaixada dos EUA ( embaixador Lincoln Gordon) e de apoio militar estratégico dos EUA (na operação Brother Sam), que chegaram a enviar um porta-aviões (o Forrestal), um porta-helicópteros, 6 destróieres, esquadrilhas de caças, petroleiros e 100 toneladas de armas leves para apoiar o golpe. Caso a população resistisse ao golpe, as tropas estadunidenses desembarcariam no país. A ditadura militar no Brasil durou até 1984, mas somente em 1989 voltaram a ocorrer eleições diretas.
A repressão e perseguição política, o fim da liberdade de expressão, a censura, além de prisões arbitrárias, desaparecimento de opositores, espancamentos e assassinatos foram comuns em todas as ditaduras militares implantadas com apoio dos EUA na América Latina, lembrando ainda que as técnicas de tortura empregadas foram das mais violentas e cruéis, muitas delas desenvolvidas inicialmente por militares estadunidenses e aprimoradas pelos militares latino-americanos que receberam treinamento na Escola Superior de Guerra dos EUA ou na sua filial, a Escola Superior de Guerra do Panamá. Essas técnicas incluíam afogamentos, choques elétricos e mutilação de órgãos genitais, mutilação provocada por mordidas de animais como cães e roedores, estupros dos mais violentos, queimaduras de áreas sensíveis com fogo e ácidos e até mesmo esquartejamentos.
Os EUA sempre atuaram em várias partes do mundo, todas as vezes que uma ‘ameaça externa’ podia ser usada como justificativa para apoiar grupos pró-EUA interessados pelo poder e sem escrúpulos, criando governos corruptos, ditatoriais e sanguinários. Ou ainda, essa ‘ameaça à segurança nacional’ era usada para justificar guerras e invasões. Corporações norte-americanas apoiaram a ascensão do fascismo na Europa, como o regime fascista espanhol, ou o nazismo na Alemanha e Áustria, pelo medo da ‘ameaça comunista’. Quando os interesses mudaram, se uniram à URSS para destruir a ‘ameaça nazista’ e o ‘imperialismo fascista’ japonês, cometendo inúmeras atrocidades durante a II Guerra Mundial, como a morte de 300 mil civis (1945) em grandes cidades no sul da Alemanha, como Colônia, bombardeadas incessantemente com Napalm (bombas incendiárias). Ou ainda a morte de quase 300 mil japoneses com os ataques nucleares em Hiroshima e Nagasaki, apenas para terminar a guerra antes que o Japão se rendesse e antes que os soviéticos ocupassem os territórios japoneses da Manchúria (norte da China) e da Coréia. Além disso, teve a clara função de mostrar a força da nova potência hegemônica para o mundo e principalmente para a União Soviética.
O Japão e a Alemanha foram desmilitarizados e ocupados. Até hoje as tropas norte-americanas ocupam bases no Japão e Coréia do Sul, além de manter exércitos em toda a Europa Ocidental, inclusive na Alemanha, através da OTAN.
O socialismo volta a ser a grande ‘ameaça’ após a II Guerra Mundial e os EUA iriam se envolver em novas disputas na Europa (guerra civil na Grécia em 1946, divisão da Alemanha de 1946-48) e em novos conflitos, como a Guerra da Coréia (1950-1953), quando foram mortas mais 3 milhões de pessoas, sendo a maior parte civis. Nesta guerra, os EUA jogaram cerca de 3 bombas para cada habitante da Coréia, fazendo uso de armas químicas e biológicas em grande quantidade (incluindo a hoje famosa bactéria Antraz) resultando em cidades inteiramente devastadas como Pyongyang (Coréia do Norte).
Nos anos 50 os EUA apoiaram a reocupação francesa da antiga colônia da Indochina e a luta contra os ‘rebeldes’ socialistas. Em 1962 os EUA começam a apoiar militarmente os capitalistas do Vietnã do Sul na luta contra os socialistas do Vietnã do Norte. Em 1964 invadem o Vietnã, só se retirando em 1972, deixando um saldo de dois milhões de mortos (sendo 1,95 milhões de vietnamitas). A guerra provocou até mudanças na geografia física do Vietnã ao eliminar florestas inteiras, desfolhadas com armas químicas como o Agente Laranja, ou incendiadas por Napalm II (versão melhorada do Napalm, que não apaga com água e queima até os ossos), ou pelas toneladas e toneladas de bombas que os EUA despejavam diariamente no país e em vizinhos como Camboja e Laos (os EUA jogaram mais bombas contra o Vietnã do que todas as usadas por todos os lados em luta na II Guerra Mundial). Neste processo de genocídio indiscriminado, mais de 70% das vilas do Vietnã do Norte foram destruídas.
A violência dos soldados estadunidenses é até hoje camuflada pelo governo dos EUA, existindo relatos dos próprios soldados de que eram comuns a tortura, espancamentos, estupros, a mutilação e decapitação de prisioneiros, além do massacre de vilas inteiras, incluindo mulheres, crianças e velhos por supostamente terem dado apoio aos vietcongs (guerrilheiros socialistas do Vietnã do Norte). Dentre os relatos mais estarrecedores, estão os dos soldados norte-americanos que colecionavam orelhas de vietcongs, o que era algo comum em alguns agrupamentos pequenos e uma prática generalizada em grupos maiores como a 173ª Brigada Aerotransportada e os 1º e 14º batalhões da 3ª Brigada da 25ª Divisão de Infantaria, onde o soldado que tivesse mais orelhas bebia toda cerveja e uísque que conseguisse beber no acampamento, sendo considerado “o número 1” do batalhão.
Ainda no continente asiático, os EUA ajudaram a implantar e manter o governo do ditador Suharto na Indonésia (1966-1998), com um golpe militar sangrento (1966) que levou ao poder um governo que matou mais de meio milhão de pessoas, massacrando todas as formas de oposição dentro do país. Ajudaram a colocar no poder o ditador Ferdinando Marcos, nas Filipinas, que governou o país com mão de ferro e muita corrupção de 1965 a 1986, quando fugiu para os EUA com uma fortuna pessoal avaliada em 2 bilhões de dólares. Na Tailândia, os Estados Unidos ainda apoiaram uma ditadura de 1977 a 1983. No Paquistão, sustentaram governos ditatoriais de 1977 a 1988 e apoiaram a ascensão de uma nova ditadura militar em 1990, que dura até os dias de hoje.
Na África, os Estados Unidos deram apoio a regimes ditatoriais extremamente violentos como o Apartheid na África do Sul (1948-1994), e ainda financiaram diversos grupos terroristas, chamados sempre de ‘paramilitares’ para combater grupos e movimentos socialistas. No Congo (ex-Zaire e atual Rep. Democrática do Congo), os Estados Unidos ajudaram a implantar a violenta ditadura de Mobutu em 1965, mantendo-o no poder até 1997 e transformando o Congo em um país arrasado por lutas e disputas internas entre diversos grupos rivais.
Outras ditaduras de direita no continente africano foram financiadas pelos Estados Unidos, como na Libéria (1979-1990, em Malaví (1964-1994) e na Nigéria (1984-1998), ou no Quênia, onde o governo implantado em 1979 permanece no poder até hoje. Os EUA ainda interviram na Etiópia, onde patrocinaram a independência da província de Eritréia (1991), localizada em uma região estratégica do “chifre da África”, banhada pelo Mar Vermelho e financiaram guerrilheiros para lutarem contra o governo etíope, quando este se aproximou mais da URSS.
Na Argélia os norte-americanos têm apoiado um violento governo formado por militares. Implantado com um golpe militar em 1992, após a vitória dos islâmicos nas eleições diretas, acabou por gerar uma sangrenta guerra civil entre o governo e os islâmicos radicais, que já deixou mais de 100 mil mortos.
Em Angola os EUA financiaram o grupo guerrilheiro de direita Unita, desde os anos 70, em luta contra os socialistas e nacionalistas, mergulhando o país numa violenta guerra civil que prossegue até hoje e transformando Angola num dos países com o maior número de minas terrestres ainda ativas do mundo.
Em Moçambique o mesmo processo se repetiu e os EUA financiaram o grupo guerrilheiro Renamo, contra a tentativa da Frente de Libertação de Moçambique de formar um governo socialista no país. Outros grupos guerrilheiros e terroristas de direita foram financiados, treinados e armados pelos Estados Unidos para lutar contra grupos socialistas ou pró-URSS em Guiné-Bissau, Marrocos, Argélia, Ruanda, Etiópia, Sudão, Somália, Namíbia, Congo e Serra Leoa. Estas intervenções nestes países transformaram alguns deles nos mais pobres do mundo, como Serra Leoa, que após duas décadas de Guerra Civil, tem a pior taxa de expectativa de vida do mundo (36 anos) e o pior IDH do mundo.
Nesta segunda metade do Século XX, os EUA mantiveram regimes fantoches em diversos países como no seu tradicional aliado, o Irã do xá Reza Pahlevi. O xá Pahlevi governou de 1941 até 1979, quando foi deposto pelo aiatolá Khomeini, que era contra os EUA e implantou uma república islâmica.
Os EUA apoiaram a subida de Saddam Hussein ao poder em 1979 e jogaram o Iraque contra o Irã numa guerra de oito anos (1980-88), a guerra Irã-Iraque, onde as armas norte-americanas transformaram o Iraque numa potência local. Mas como toda guerra é um grande negócio, os EUA vendiam armas secretamente ao Irã, de onde conseguiam dinheiro sujo para financiar os ‘contras’ na Nicarágua. Após 8 anos de conflitos sangrentos, o resultado foram mais de 600 mil mortos e 1 milhão de feridos.
Quando, em 1990, o aliado Saddan Hussein, invade o Kuwait, um dos maiores fornecedores de petróleo dos EUA, deixa de ser um aliado e se torna um inimigo ‘perigoso’, sendo rapidamente demonizado pela mídia estadunidense. O Iraque foi atacado por uma coalizão de aliados dos EUA (1991) autorizados pela ONU, onde morreram cerca de 200 mil iraquianos, sendo cerca de metade deles civis (os chamados “efeitos colaterais” das armas de “precisão cirúrgica”). Após 1991 os EUA criaram 2 zonas de exclusão aérea no território Iraquiano, para ‘proteger’ minorias locais como os curdos e xiitas. Mas os EUA continuam a bombardear o Iraque até hoje, quase que semanalmente (inclusive alvos civis como pontes, estradas, depósitos de alimentos), por desrespeitar suas imposições como as zonas de exclusão aérea, onde só aviões dos EUA podem voar (que diferentemente do que a mídia divulga, nunca foram aprovadas pela ONU). Até hoje os iraquianos sentem os efeitos nocivos das bombas e mísseis de Urânio empobrecido, que os EUA usaram na guerra, causando incontáveis casos de câncer e leucemia na região, tendo contaminado até soldados estadunidenses e ingleses, num total que ultrapassa 30 mil homens (que apenas passaram por lá). O embargo econômico ao Iraque, que os EUA mantém até hoje, já provocou cerca de 1 milhão de mortes por fome e doenças, sendo metade crianças.
Durante a Guerra do Afeganistão (1979-1989), na qual os soviéticos tentaram manter o frágil governo socialista ocupando o país, os EUA financiaram, armaram e treinaram grupos guerrilheiros islâmicos anti-soviéticos, os mujahidin (de onde saíram grupos como o Taleban) ou grupos terroristas (como a Maktab al Khidmat, que se tornaria a rede Al’Kaida), mergulhando o Afeganistão numa guerra civil que devastou o país. Através de uma poderosa estrutura organizada pela CIA, (numa operação secreta dirigida pelo Gen. William Casey e por Zbigniev Brzezinski), grupos terroristas como a rede Al’Kaida recrutaram em mais de 30 países, cresceram e enriqueceram pelo apoio norte-americano dado até 1990. Neste ano o grupo se voltou contra seu criador, por ser contra a ocupação militar da Arábia Saudita pelos estadunidenses iniciada em 1990 e 1991 para a Guerra do Golfo, mas permanecendo no país até hoje.
Na Arábia Saudita e Kuwait, as tropas dos EUA que permanecem lá desde a Guerra do Golfo, dão sustentação a dois governos extremamente impopulares, ditatoriais e discriminatórios. Foi no modelo saudita e kuwaitiano de tratamento da população feminina que o Taleban havia se ‘inspirado’ para tratar as mulheres afegãs. Mas como a Arábia Saudita e o Kuwait vendem petróleo mais barato para os EUA, a mídia toma os devidos cuidados para não divulgar as formas de tratamento das mulheres nesses países. E para manter um governo impopular, num país onde 45% da população saudita está desempregada, enquanto os cerca de 7.000 príncipes e nobres da família real vivem no ‘paraíso’, somente com tropas de elite como as estadunidenses.
Os EUA apoiaram a ocupação dos territórios palestinos por Israel nas guerras de 1948-49, 1967 e de 1973. Também apoiaram a intervenção militar israelense na Guerra Civil do Líbano em 1982, onde supervisionaram a entrega dos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, às mãos de guerrilheiros maronitas, que massacraram mais de 3 mil prisioneiros (1982), sob tutela do atual dirigente de Israel, Ariel Sharon. Até hoje, os estadunidenses financiam o Estado sionista de Israel, na sua campanha de dominação e colonização dos territórios palestinos, onde este Estado tem massacrado sistematicamente o povo palestino, apesar de a ONU já ter aprovado determinações exigindo a retirada das tropas israelenses, desde as guerras de 1967 e 1973.
Em 1986, bombardearam a Líbia, pois esta estaria financiando o terrorismo, mas como efeito colateral ocorreram centenas de mortos e feridos civis. Invadiram a Somália em 1994, para defender a ‘liberdade do povo somaliano’, mas até hoje a liberdade não chegou para o povo, que continua oprimido e subjugado pela fome e pela miséria. Bombardearam os sérvios na guerra civil da ex-Iugoslávia entre 1994 e 1995, para ‘acabar com a guerra’, voltando a bombardear a Sérvia em 1999, alegando ‘lutar pela paz’ na província de Kosovo e matando cerca de 10 mil civis (os “efeitos colaterais” das armas de “precisão cirúrgica“ de sempre). Na guerra de Kosovo, as armas inteligentes estadunidenses acertaram até a embaixada chinesa em Belgrado, além de escolas, feiras, barragens hidrelétricas e hospitais. Em 1998 e 1999 os EUA bombardearam o Sudão e o Afeganistão alegando combater grupos terroristas, mas vitimando centenas de civis, mesmo usando apenas “armas inteligentes” e de “precisão cirúrgica”. Em 2001-2002, nos bombardeios contra o Afeganistão, as armas de “precisão cirúrgica” acertaram pontes, bairros residenciais, comboios de agricultores, delegacias de polícia, escolas, mesquitas e hospitais. Talvez a “precisão cirúrgica” de que eles tanto falam, seja porque ‘só acertam hospitais’... por isso precisão ‘cirúrgica’...
Em 2001 os EUA começaram a bombardear o Afeganistão (cerca de 6 a 8 mil civis mortos) e derrubam o governo Taleban alegando que o grupo defendia terroristas, o que justificou dar suporte para a ascensão de um novo governo que correspondesse aos seus interesses de construir gasodutos e oleodutos na região, para escoar o petróleo e gás natural da Ásia Central para o Índico. Esta guerra contra o terrorismo talvez seja uma das quais os interesses econômicos escusos estejam mais evidentes nos últimos tempos, já que os grupos econômicos que mais lucraram com ela são a indústria bélica e a indústria petrolífera, os dois grupos que financiaram a campanha eleitoral de Bush.
Entretanto, os Estados Unidos apoiaram, financiaram, treinaram e armaram movimentos guerrilheiros de direita ou grupos terroristas anti-soviéticos (muitos treinados pela própria CIA) em diversos países da América Latina e da África, como os já citados, ou ainda, no continente asiático, como no Iêmen, Afeganistão, Síria, Paquistão, Iraque, Irã, Líbano, Indonésia, Filipinas, Tailândia, Camboja, Vietnã e Laos.
Nos anos 90, os EUA começam a dar auxílio financeiro a movimentos guerrilheiros e terroristas na própria ex-URSS, como os separatistas islâmicos na Chechênia e Daguestão, ou a grupos guerrilheiros na ex-Iugoslávia, Bósnia, Croácia e Kosovo. Na Turquia, desde os anos 80, os EUA financiam a campanha genocida do governo turco contra a minoria separatista dos curdos, que já resultou em mais de 300 cidades destruídas e 2 milhões de refugiados (os mesmos curdos que os EUA se diz tão preocupado em defender no Iraque).
Também na década de 1990, os norte-americanos têm financiado o violento governo Colombiano além de grupos paramilitares de direita e mercenários, na luta contra as guerrilhas de esquerda na Colômbia, com a justificativa de combater o narcotráfico, apesar de os paramilitares e mercenários de direita já terem assumido sua ligação com o tráfico de drogas e serem responsáveis por 70% dos massacres ocorridos no país nos últimos anos. Vale lembrar ainda que os reais interesses são outros, já que o maior importador de drogas do mundo são os EUA e que, segundo economistas especialistas em mercados financeiros, algo em torno de 10 a 20% do dinheiro que movimenta as bolsas de valores norte-americanas hoje, vem da lavagem de dinheiro do narcotráfico. Além disso, os EUA são responsáveis por 99% das exportações legais de folhas de coca da Colômbia, e estão tentando manter seu controle monopólico sobre esse mercado.
Em decorrência desses inúmeros conflitos, guerras e intervenções, os Estados Unidos são o país que mais investe no setor bélico do mundo. Os gastos mundiais em armas, ou seja, as indústrias bélicas, movimentam cerca de 850 bilhões de dólares por ano, sendo que somente o orçamento militar dos EUA é de 340 bilhões. Além disso, os EUA são o maior vendedor de armas do mundo, responsável por metade das exportações mundiais. Só para uma comparação, poderosos setores industriais modernos como os de chips de computadores ou o setor farmacoquímico de remédios movimentam cerca de 150 e 200 bilhões de dólares, respectivamente, por ano no mundo todo.
Os EUA têm dificultado os tratados mundiais para banir armas químicas, rejeitaram um tratado internacional contra armas biológicas e boicotaram abertamente todas as tentativas da ONU e de organizações pela paz mundial de proibir a produção mundial de minas antipessoal, que matam mais de 30 mil e mutilam 1 milhão de pessoas por ano, no mundo todo, sendo mais da metade crianças. Na recente guerra contra o Afeganistão, os EUA despejaram toneladas de minas antipessoal sobre o país, usando grandes bombardeiros B-1. Ainda mais recentemente (Abril-2002), os EUA conseguiram destituir o brasileiro José Maurício Bustani da presidência da Opaq (Organização para Proscrição de Armas Químicas), porque este queria realmente fiscalizar e inspecionar as instalações iraquianas, de maneira séria, para permitir que o Iraque chegasse até a assinar o acordo de banimento de armas químicas. Ou seja, poderia acabar provando que este país não fabrica mais armas químicas, o que acabaria por retirar os últimos pretextos dos EUA para bombardear o país.
E, por fim, num dos mais recentes exemplos da “campanha de combate mundial ao Terror”, os Estados Unidos se uniram aos países que acusam de terroristas (Iraque, Síria, Líbia) para rejeitar a criação de uma Corte Penal Internacional para punir crimes contra a humanidade, crimes de guerra e terrorismo.
E apesar de tudo isso, os Estados Unidos são tidos como o maior exemplo de democracia do mundo...
Esta imagem de “democracia” é forte principalmente dentro do próprio país. Dois terços dos formadores de opinião (cientistas, jornalistas, professores) norte-americanos acreditam que os outros países do mundo os admiram pela liberdade e democracia. Após os atentados de 11 de setembro, até a liberdade individual que existia dentro dos EUA passou a ser restringida, sendo que atualmente está sendo institucionalizado o desrespeito aos direitos humanos, principalmente dos estrangeiros, permitindo a prisão sem processo, sem direito a recorrer e por tempo indeterminado de qualquer suspeito estrangeiro de ser terrorista, permitindo inclusive o julgamento e até a pena de morte realizados secretamente, sem direito a defesa e no mais absoluto sigilo. A luta contra o terror está terminando de corroer os direitos e instituições democráticas que existiam dentro do país. Já se fala até em oficializar a tortura.
No plano social ainda temos o fato de que a estrutura político-econômica mundial capitalista e a atual ordem de poder mundial, que os EUA tanto lutam para manter, inclusive com o uso da força contra os mais fracos, é um sistema econômico baseado na injustiça e na exploração, que só aumenta as desigualdades e a distância entre ricos e pobres. É um sistema que permite que mais 2 bilhões de pessoas vivam abaixo da linha de miséria, mais de 1 bilhão de pessoas passem fome no mundo e tenhamos a morte de 36 mil pessoas, de fome, por dia no mundo. Ou seja, os Estados Unidos mantém e lutam para manter um sistema político-econômico que mata por dia, 12 vezes mais que os 3.000 mortos dos atentados do World Trade Center, só que de fome! Pela lógica, os EUA deveriam investir 12 vezes mais na luta contra a fome e a miséria do que na luta contra o terrorismo que, aliás, eles próprios criaram. Ao invés disso aumentam ainda mais seus gastos com armas, aumentaram o orçamento militar em mais US$ 20 bilhões em 2002 e planejam aumentar ainda mais esses gastos (chamados de “investimentos”) em 2003.
Se o nosso sistema democrático, ou melhor, o que chamamos de “democracia”, permite a manutenção dessas desigualdades, dessas guerras, dessa miséria, dessa falta de liberdade, dessa opressão, permitindo o uso freqüente da força pelos grupos dominantes, além de milhares de mortes constantes, devemos reconsiderar se realmente vivemos numa democracia, se esse sistema é realmente democrático e, principalmente, se desejamos a manutenção desse sistema, que podemos observar que é extremamente cruel, frio e assassino. Mais ainda, devemos refletir sobre as alternativas que temos e lutar para tentar mudar esse sistema. Porque se sabemos de tudo isso, não concordamos, mas não fazemos absolutamente nada, não lutamos contra esse sistema, nem combatemos sua opressão, então somos coniventes e a conivência neste caso acaba nos tornando, também, culpados.

Prof. Lucas Kerr de Oliveira, Revista Caros Amigos, agosto de 2002.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Espectros sobre 1964

Caio Navarro de Toledo - Abril 2006

Passados mais de 40 anos, 31 de março de 1964 continua sendo comemorado por militares e civis que participaram do golpe de Estado que derrubou o governo constitucional de João Goulart e bloqueou a realização de reformas sociais e econômicas que, nos anos 1950 e 1960, eram reivindicadas por amplos setores da sociedade brasileira.
Se, em 2004, o polêmico General Francisco Roberto de Albuquerque, Comandante do Exército, elaborou uma moderada Ordem do Dia sobre 1964, agora em 2006 a história foi outra. Em uma nota – lida no dia 31 de março último para cerca de 200 mil soldados em quartéis de todo o país –, o Comandante do Exército exaltou o papel heróico de sua Força na “construção da Nação brasileira”. Discorrendo sobre 1964, afirmou que 31 de março “é memória, dignificado à época pelo incontestável apoio popular, e une-se, vigorosamente, aos demais acontecimentos vividos, para alicerçar, em cada brasileiro, a convicção perene de que preservar a democracia é dever nacional”. Determinado na missão de defender as instituições democráticas e a nacionalidade, o Exército, vitorioso em 31 de março, nunca teria deixado de ser “generoso com os vencidos”.
Recorde-se que, em outubro de 2004, seis meses após a sóbria Ordem do Dia acima aludida, o Centro de Comunicação Social do Exército – com o pleno conhecimento e anuência de seu Comandante – publicou nota no jornal Correio Braziliense na qual se justificava o método de tortura e assassinato, nas dependências militares, em nome da defesa da chamada “Revolução de 1964”. De imediato, o Ministro da Defesa, José Viegas, manifestou veemente protesto pelo despropósito da nota, cuja responsabilidade maior provinha de um subordinado seu na hierarquia ministerial. Diante do pedido do Ministro da Defesa ao governo, propondo a demissão do Comandante do Exército, o General – aceitando sugestão de assessores presidenciais – recuou mediante uma “nota de retratação”. Lula preferiu dar proteção ao General, que permaneceu no cargo de Comandante do Exército, enquanto ao civil José Viegas não restou senão a demissão do Ministério.
Mas não são apenas os militares que soam as trombetas em torno de 1964. Em um depoimento que foi publicado em 2003 no livro 1964 - 31 de março: o Movimento Revolucionário e sua História (Biblioteca do Exército Editora), o ex-czar da economia brasileira, Delfim Netto, não poupa elogios àqueles tempos em que “éramos felizes e não sabíamos”... (Lembremo-nos também que eram exatamente estes os dizeres de um adesivo que o então candidato a deputado federal, Delfim Netto, largamente distribuiu e foi afixado nos automóveis das classes médias e da alta burguesia paulista.) Entre as “pérolas delfinianas” encontradas na entrevista que concedeu à História Oral do Exército – projeto que, como esclarece o coordenador geral, visa levar a “verdade” aos brasileiros “cativos da má-fé ou da “ignorância” sobre 1964 –, uma se destaca pelo seu tom debochado e agressivo.
Na mesma linha dos virulentos ataques do arquiconservador economista Eugênio Gudin – para quem o governo Goulart esteve “encarniçadamente decidido a destruir, desmoralizar e até prostituir” a ordem econômica e social –, Delfim Netto agora afirma: “Havia (no governo Goulart) uma desorganização completa. Não existia liberdade coisa alguma. A idéia de que o Movimento de 1964 levou a uma ocupação do Governo é falsa. O Jango abandonou o Brasil. Esses canalhas estão por aí dizendo que iam salvar o Brasil e nós, hoje, temos uma prova concreta do que eles produziam: uma nova Cuba” (p. 154, tomo 5).
Tudo leva a crer que foi para evitar “uma nova Cuba” que o ex-czar da Economia mandou “às favas todos os escrúpulos de consciência” – como foram as palavras de seu loquaz colega de Ministério, Cel. Jarbas Passarinho – na reunião ministerial de dezembro de 1968 que instituiu o AI 5, cujo efeito foi o de radicalizar a ditadura militar com sua seqüência imediata de prisões e repressão aos que ousavam se opor aos governos militares. (Na entrevista publicada em 2003, Delfim reitera que, hoje, se preciso fosse – mesmo conhecendo aquelas funestas conseqüências ­ – não titubearia em assinar um novo AI 5.)
Na lógica dos “vencedores de abril de 1964”, também foi para “salvar a democracia” e tornar o país mais “feliz” que o ex-Ministro, em 1969, sob as ordens do banqueiro Gastão Vidigal, se prestou a “passar o chapéu” na elegante mansão de dona Veridiana Prado, localizada no então aristocrático bairro de Higienópolis, na cidade de São Paulo. Como informa o jornalista Elio Gaspari (A Ditadura Escancarada, p. 63), reunidos num prazeroso almoço, quinze dos maiores banqueiros do país sensibilizaram-se com os robustos e certeiros argumentos de Delfim no sentido de, patrioticamente, financiarem a criação da Operação Bandeirante (Oban), que nos anos seguintes se tornaria sinônimo de repressão e morte. Afinal, o país precisava, urgente, se livrar da canalha comunista e de esquerda...
Na construção de uma cultura democrática é indispensável que todos os agentes e atores políticos, de forma sistemática e rigorosa, exerçam a autocrítica sobre seus gestos e práticas. Assim, partidos, movimentos e personalidades políticas de orientação progressista – nacionalistas, humanistas cristãos, socialistas, comunistas, etc. – não devem se recusar em admitir equívocos cometidos na luta política e ideológica que antecedeu o golpe de 1964. Isso significa dizer que esses setores também têm responsabilidade política pelos eventos que culminaram na ruptura democrática. (Freqüentemente, esses erros se expressaram pelo radicalismo verbal, pela subordinação política ao hesitante e ambivalente governo Goulart, mas, sobretudo, pela incapacidade política desses setores na organização dos trabalhadores e das camadas populares na batalha pelas reformas sociais e na luta pela radicalização da democracia política.) Mas, definitivamente, é inaceitável atribuir ao conjunto das esquerdas um compromisso com o golpismo. Não deixa de ser uma grave concessão aos ideólogos da direita, afirmar, como faz a recente historiografia revisionista que, no pré-1964, “todos eram golpistas”.
Se nos anos 1960 nem todos foram golpistas, cabe àqueles que efetivamente destruíram a institucionalidade democrática então vigente a maior responsabilidade no sentido de reconhecerem publicamente os graves danos e erros por eles cometidos durante os 20 anos de regime militar, a começar pelo ato inaugural do golpe de Estado. Do ponto de vista de uma consistente cultura democrática, é inadmissível que segmentos importantes da sociedade civil e os setores majoritários das Forças Armadas se recusem ao imperioso exercício da crítica e autocrítica de seu passado.
A defesa intransigente e a apologia dos “heróicos feitos” da chamada “Revolução de 1964”, bem como a renovada justificativa das violências perpetradas pelo regime discricionário – feitas nestes 42 anos seja por militares seja por civis – em nada contribuem para a consolidação de uma cultura política democrática no Brasil.
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Caio Navarro de Toledo é professor colaborador voluntário do IFCH/Unicamp.
Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil

domingo, 1 de junho de 2008

O Buraco Rodoviário Mineiro

O Buraco Rodoviário Mineiro - BROM

O Buraco Rodoviário Mineiro – BROM é produto da excelência do Estado de Minas Gerais usado somente no âmbito do estado é, entretanto, determinado a um mercado ainda inexplorado, absolutamente aberto, podem-se, ainda, incluir curvas fechadas como parte de um pacote econômico único.
Produto final de grande potencial econômico, como a cachaça, o leite e o café, principalmente, para o nosso vizinho, o estado de São Paulo, pois lá há escassez de buracos rodoviários. É um típico produto do estado havendo grande produção no Sul de Minas, onde foram amplamente desenvolvidos e facilitados pela insistência e desempenho das sucessivas gestões públicas municipais, estaduais e federais nos últimos trinta anos.
Nunca se viu tanto empenho da administração pública no decurso de anos investindo na criação desse produto único, tão importante quanto os caminhões e automóveis que pelas rodovias mineiras trafegam.
Favorecidos pelo clima, condições ambientais e socioeconômicas teve um ambiente fértil para o seu desenvolvimento, sendo possível acrescentar na pauta de exportação para outros estados carentes desse produto e até para os países da Europa, América do Norte e Ásia, devido aos vários tipos de Buracos Rodoviários Mineiros, inclusive na forma de uma cesta básica com buracos menores acessíveis aos mais variados segmentos de consumo distribuídos pelo mercado, em países que tem carência de buracos rodoviários para resolver problemas sociais, para conservá-los ou tapa-los, e ecológicos graças ao volume de água que pode ser acumulado em seu interior e a sua absorção pelo solo até o lençol freático temos o Buraco Rodoviário Mineiro como um grande companheiro na salvação do planeta, menos no Sul de Minas onde já cumpriu por anos a sua finalidade.
Do gênero buraco rodoviário, a espécie Buraco Rodoviário Mineiro (BROM) – som produzido quanto o veículo passa sobre ele - é o mais adiantado, variando o tamanho pela largura e profundidade, seu desenvolvimento aperfeiçoou-se a ponto de destacar-se no mundo todo pela eficiência e qualidade, cumprindo sempre a finalidade a que se destina.
Produto orgânico, respeitando o meio-ambiente, sem a adição de produtos nocivos ajuda a proteger e regenerar o meio-ambiente, não pode ser consumido fisicamente, por conseguinte, não sofre transformações ruinosas, mas tem que ser usado de acordo com a indicação. Sua principal finalidade é reduzir a velocidade e os riscos a ela inerentes, quebrando suspensões, amassando rodas e rasgando pneus e, assim, desenvolvendo toda a indústria automobilística e a economia dos municípios próximos a eles, aumenta a arrecadação do estado pelas multas aplicadas aos apressadinhos que nos poucos espaços disponíveis entre os Buracos Rodoviários Mineiros tentam correr além no limite e são capturados pelos radares colocados em pontos estratégicos.
Pode também ser usado na exploração de petróleo com a sua superposição, seria possível acumulá-los em um buraco único do Brasil até a China, dada a sua quantidade só no Sul de Minas, o túnel perfurado teria preço altamente competitivo pela disponibilidade de buracos.
O problema único a ser resolvido é em relação à transferência do local onde se encontra para o lugar desejado pelo importador. A sua retirada deve ser cuidadosa evitando a possibilidade de produzir um buraco rodoviário maior que o tirado, então, quando da sua venda, faz-se um molde de asfalto para transferi-lo para o lugar desejado no estado ou país comprador. O procedimento é complementado pela colocação do molde no local do Buraco Rodoviário Mineiro, para assim, concretizar a transação com total satisfação do comprador e fornecer anteparo para a rodovia onde se encontrava.
Pela sua praticidade tanto na utilização, quanto na comercialização, o estado pode transferir de imediato o estoque de Buracos Rodoviários Mineiros - BROM para um lugar mais próprio minorando os gastos da população, principalmente, a do Sul de Minas, que já cansados de assumir os custos de produção e manutenção seria aliviada de seu criadouro para sempre, até pela única pavimentação das rodovias.
A ironia é a última das tentativas de fazer com que o poder público resolva esse grave problema que temos enfrentado quando necessária a viagem para as cidades do percurso até Belo Horizonte, ou mesmo, para São Paulo passando por Andradas. Acredito que chegamos ao limite da paciência.

sábado, 22 de março de 2008

Mundo sem monetarismo.

De uns tempos para cá, venho pensando seriamente num mundo sem dinheiro. A cada dia essa idéia me parece mais própria, mais elaborada. Pois tudo que temos de pior na sociedade está vinculado ao dinheiro ou fazem dele seu meio de opressão, pensem! A religião não sobrevive sem o dinheiro. Políticos desonestos não existiriam sem dinheiro. A mídia irresponsável, mentirosa e defensora dos interesses do capital sucumbiria sem o dinheiro. O tráfico perderia em todos os níveis de atividade seu grande fomentador. A exploração pelo trabalho e a mentira de que o trabalho enobrece definitivamente cairia por terra e, finalmente, as pessoas seriam felizes com o que fazem, cada uma procuraria uma atividade prazeirosa e cooperativa, como os povos da América Latina foram um dia dia antes da tragédia espanhola e portuguesa.
Esses povos maravilhosos, construiram sociedades perfeitas, baseadas em milênios de aperfeiçoamento e tradição, sem ao menos terem uma linguagem escrita, é incrível!
Naturalmente, também, não havia dinheiro, uma vez, que nada justificaria a sua existência, não era necessário, ninguém queria oprimir o outro.
Essas sociedades foram dizimadas pelos interesses do capital, apoiadas pela religião, que não reconheciam os habitantes locais como pessoas sujeitas às bençãos divinas, matá-los então seria algo necessário para a manutenção da fé, resguardando os dogmas e doutrinas da religião. A Companhia de Jesus, por meio dos jesuitas, providenciou a morte de milhões de índios a ponto de, em determinado momento, ficarem preocupados com o extermínio total deles e, dessa forma, não terem mais mão de obra escrava para os afazeres domésticos e as plantações.
Eles eram perfeitos demais e colocariam em risco a grande hipocrisia religiosa, as pessoas poderiam começar a se espelharam em seu modo de vida livre e natural e passariam a questionar o sistema, colocando em risco a estrutura de poder montada, pela ambiquidade.
Que Deus cruel, terrível e amedrontador é esse que diz que me ama e no entanto, por qualquer bobagem, vai me mandar para o quinto dos infernos para toda a eternidade.
Portanto, se Deus existe eu não sei, mas que se existir não é esse que precisa de tanto dinheiro a séculos e com ele montou essa estrutura imensa de poder, tenho certeza absoluta.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Chávez e o reino decadente

Que se cale o reizinho inconformado com a discussão que se envolviam Chávez e Sapatero, dois chefes de Estado. Ele, ou qualquer outro monarca, não tem condições morais de se manifestar em uma discussão crítica onde o ofendido era o ex-Primeiro Ministro Aznar, que concorreu de maneira imoral em uma tentativa frustrada de golpe contra um governo legitimamente eleito no qual Chávez era o prejudicado e muito menos mandar um deles calar-se. Que se cale o colonialismo. Jamais esse títere, apoiador do fascismo de Franco, teria coragem de mandar um governante do primeiro mundo calar-se, ele tem que ser lembrado de que o colonialismo acabou e seus netos não terão vida fácil a custa dos países da América Latina, quiça da Espanha.
Gostem ou não de Chávez ele tem sido o porta voz do inconformismo da América do Sul contra o espólio que tem nos submetido os cartéis multinacionais nessas últimas décadas, ao tomar conta do petróleo venezuelano contrariou os mais variados interesses, no entanto, e assim, Brasil e outros países do continente se fecham em copas quando se trata do que Chávez fala, os únicos a se manifestarem contra, foram alguns parlamentares brasileiros, representando a eterna direita conservadora e reacionária quando da cassação dos direitos de concessão da RCTV, patrocinadora, também, da mesma tentativa mencionada, como se eles representassem alguma democracia ou pudessem manifestar sobre isso em nome do povo brasileiro.
Como no Brasil, canal de televisão é concessão expedida pelo Estado e uma vez vencida este pode renovar ou não, ao império do Estado cabe a decisão discricionária, como houve um precedente grave, nada mais justo que a cassação da concessão, pois, se fosse em um dos países de primeiro mundo, ditos democráticos, os responsáveis pelo apoio ao golpe estariam presos e condenados à morte.
Entretanto, Chávez foi paciente a ponto de esperar o fim da concessão, para então não renová-la.
Então, que se calem aqueles que tem nos explorado por todas essas décadas, impondo regras e obrigando a miséria aos povos de países ricos como o Brasil, através de golpes patrocinados pela CIA e seus asseclas, ou ainda, sanções econômicas e restrições pessoais aos cidadãos dos países explorados, quando sem outro caminho a seguir, tentam ir para o primeiro mundo em um sonho utópico.

domingo, 5 de agosto de 2007

ACIDENTES AÉREOS

Os acidentes aéreos sempre foram comoventes, talvez pela característica do meio de transporte o "mais pesado que o ar" desafia a natureza ao colocar no ar até 500 pessoas de uma vez, muitas delas rezando para o avião desça logo, entrementes, tornou-se um meio de transporte tão importante pelas distâncias percorridas e rapidez desenvolvidas pelas aeronaves, que aqueles que voam se predispõem aos riscos que porventura corram.
Na verdade, a modernidade deixou este meio de transporte tão seguro que, segundo estatísticas, a possibilidade de morrer em um acidente aéreo é a mesma de ser atingido por um raio, um risco algo em torno de um por milhão, ou seja, uma chance em um milhão de ser atingido pelo tal raio, que sem dúvida tem que ser fatal, senão não vale.
Mas, em nosso país as coisas acontecem e por coincidência de maneira mais trágica que o normal a ponto de em menos de um ano, dois acidentes ceifarem 353 vidas, após um tempo razoável sem acidentes, o último de grandes proporções acorreu em 1996, em São Paulo, no mesmo aeroporto que se deu o último, ambas as vezes, pelas más condições operacionais, que há 10 anos atrás já não suportava as condições de tráfego, que continuaram a colocar em risco aqueles que voam até hoje.
Portanto, há 10 anos os nossos irresponsáveis administradores estão sem solução para um problema que até pode durar mais 10 anos, mais 10 anos, mais 10 anos ...
Para que não haja solução mesmo, agora uns culpam os outros. Os administradores culpam os operadores, que culpam o governo, que culpa o ministro, que culpa o outro ministro, que culpava o outro governo, que culpava os operadores, que culpavam os administradores e assim vai.
Será que no Brasil essa estatística funciona? Neste momento não está funcionando não, melhor viajar de ônibus, já que trem não tem mais, que pena, trem era tão bom e seguro, bem melhor que as atuais estradas por onde circulam os ônibus, que tem contra elas estatísticas mostrando que no ano passado morreram mais de 30.000 viajantes.
Pelo jeito o melhor é andar a pé e correr o risco do raio.

terça-feira, 31 de julho de 2007

O abuso armamentista

Ocorreu em novembro de 1963, quando em seu último discurso para a TV, o então presidente dos Estados Unidos da América John F. Kennedy, disse: "A palavra "segredo" é repugnante numa sociedade livre e aberta. Opomo-nos total e historicamente às sociedades secretas, juramentos e procedimentos secretos. Opor-nos-emos em qualquer parte do mundo a conspirações monolíticas e insensatas que sigilosamente vão expandindo as suas esferas de influências, com infiltração em vez de invasão, em subversão em vez de eleição, em intimidações em vez de liberdade de escolha. É um sistema que tem aprisionado pessoas e coisas, a tê-las bem organizadas. Uma máquina suprema e eficiente, que combina militares, diplomacia, inteligência, economia, ciência e política. As suas tarefas são escondidas, não publicadas. Os seus erros são enterrados, não divulgados. Os desacordos são silenciados, não orientados. Nenhuma despesa é questionada, nenhum segredo é revelado. Essa foi a razão pela qual o legislador grego Solon considerou crime qualquer cidadão que se acovarde perante a discussão. Estou pedindo ajuda em uma tremenda tarefa de informar e alertar o povo americano. Crente que com sua ajuda as pessoas serão aquilo que nasceram para ser: livres e independentes". Foi morto a tiros na metade do mandato por um seu concidadão, pelas forças ocultas que controlam o país, após denunciar sociedades secretas que conspiravam contra seu próprio povo, entranhadas nas forças armadas, na diplomacia, na economia, nas ciências e na política. O assassino, chamado Lee Oswald, decerto, acreditou estar fazendo algo para o seu país e foi também assassinado em seguida, por outro, que também acreditou nisso, uma vez que ambos pertenciam a mesma entidade, a CIA. E fez algo pelo seu país, de maneira consciente e com resultados inconcientes, logo após estes fatos, o país entrou em uma guerra absurda sob a égide de proteger o Vietnam do comunismo. Foram escorraçados pelo povo vietnamita, que não aceitaram a ingerência em assuntos próprios. Mas, contudo, a indústria armamentista lucrou uma fortuna, o que, sem dúvida, favoreceu o poderio bélico dos EEUU no mundo, reduziram a pó a mística da União Soviética, sua única rival. Quanto aos que sucumbiram, de ambas as partes na carnificina patrocinada pelos homens de negócios, nada mais natural, afinal morre gente todo dia e todas elas sem saber porque viveram e, muito menos, de porque morreram (lógico!). Deixando um vácuo na sociedade no qual pela ausência de pulsão, esta morre aos poucos.
A indústria bélica tem fome e não pára, tanto que hoje, o foco da carnificina no Oriente Médio: Iraque, Irã, Israel, Palestina, Líbano, Síria, na Ásia com o Afeganistão. A América Latina com a Venezuela e Brasil são os novos pontos de convergência de seus interesses. E depois?

CUIDAR DA AMÉRICA LATINA

O Brasil, graças a sua formação continental, tem importância essencial na garantia da segurança politica e econômica quando se trata da constituição de qualquer bloco econômico na América do Sul. Infelizmente, a formação do Mercosul ainda sofre as consequências da indiferença política relegando ao papel e à burocracia, ou, às teorias ilusórias e, principalmente, a mesquinharia de governos defensores de interesses, que não os nossos, através de discursos primorosos, mas, de conteúdo vazio e finalidade protelatória a sua continuidade e efetivo fortalecimento.
Temos acompanhado por décadas a decadência social e política e as agruras que o povo tem sofrido ao longo desse tempo e decorrente disso, o que mais nos impressiona, é a irreverência dos governos desde os anos 60, quando o mundo começou a sofrer transformações radicais em direção ao conhecimento e a tecnologia e, no entanto, a partir daí começou a corrupção da infra-estrutura do país, apesar de dívidas caríssimas contratadas no exterior via FMI, Banco Mundial, BIRD, até mesmo uma tal Aliança para o Progresso entrou no contexto da administração pública brasileira, aliança esta que sem dúvida não foi para o nosso progresso.
Vimos, com desalento, a rede viária e portuária serem seguidamente inutilizadas e em um país continental como o nosso, destruiram os portos, a malha rodoviária e uma imensa rede ferroviária, notadamente, nas regiões onde ela era mais importante - no sul, sudeste e centro-oeste - por fim, deixaram o país descalço.
O que foi feito com a educação, então, uma tragédia, reformas e mais reformas, deterioram o sistema educacional onde haviam orgulhosos e cultos professores, graças a remuneração condizente com a importância da profissão. Imaginem! Era possível viver como professor, e mais, até mesmo sustentar a família. Hoje, mal pagos, sujeitos a carga horária dupla, às vezes, tripla de trabalho, não conseguem melhorar a sua própria qualidade de vida, assim, como irão melhorar a qualidade de vida de alguém, ou mesmo, transformar em profissionais as pessoas advindas de uma população carente de conhecimento, sem ao menos ter condição para acrescer ou investir em si próprio. O caráter transformador da educação foi relegado ao porão da sociedade. Deixaram o país sem voz.
Transformaram um excelente país civil em um estado policial, um policial hoje ganha até o triplo do valor do salário de um professor, ou seja, algo está muito errado, não que o policial deva ser subjugado pelo salário, mas como justificar uma diferença tão grande socialmente.
Derrotaram o país em uma revolução sem um único tiro, o país sofreu uma transformação radical e violenta na sua estrutura econômica, política e social sem ao menos que a população se desse conta, sem que soubesse que estava sendo espoliada em seu patrimônio, a partir daí, vieram os tiros, mas na forma de bala perdida e de impunidade.
Mas, afinal, foi só isso? Não houve benefício para ninguém? Todos perderam?
Não! Claro que não!Temos hoje uma elite dominante altamente estruturada e rica, riquíssima, domina o capital da nação com destreza, especula com juros, ganha rios de dinheiro emprestando ao mesmo governo que tira do povo o inimaginável e, em seguida, mantém os juros altos para devolver àqueles mesmos os próprios juros, pura mágica econômica, porque ninguém consegue explicar como isso é possível e também como mudar este estado de coisas. A curiosidade disso fica por conta de que estes milionários são sempre membros dos três poderes da nação, ou fizeram parte dele, ou ainda, estão mancomunados com eles.
Mas a população não se manifesta? Não fica revoltada? Não ameaça com uma revolução sangrenta?
É, deveria, mas ela sofreu uma forte dominação moral proveniente de uma estratégia ideológica que convenceu a população e a própria elite brasileira que o american way of life é o padrão ideal de vida para todos, que a felicidade está no consumismo exacerbado, tanto para aqueles que podem, como para aqueles que não podem, mas tentam por seus próprios meios.
Os EUA a partir da década de 60, como agora confirmam documentos do governo de lá, que na época, contribuiram para a destituição de um governo legítimamente eleito por meio de intrigas e patrocínio de bandidos, para nossa infelicidade alguns ainda vivos e soltos, compondo com os que estavam ao seu soldo, convenceram a classe média e políticos ingênuos dos perigos do comunismo e, a partir de então, passaram a garantir a nossa segurança usando do subterfúgio da filantropia, como o bicheiro e o traficante, ao facilitar a formação de uma minoria para difundir o seu padrão social disponibilizando a sua estrutura social e cultural a toda sociedade brasileira, propagando que se é bom para os EUA é bom para o Brasil também.
Portanto, lutar para que a América do Sul seja dos sulinos é obrigação e essencial para a nossa sobrevivência e resguardo do mínimo que nos resta em dignidade e patrimônio, buscando uma divisão melhor de rendas, inserindo todos na riqueza incomensurável deste país e da América do Sul, restringindo o acesso aos nossos valiosos bens, ou então, vendendo-os ao seu real valor.
É o que nesse momento tem feito Lula, Rafael Corrêa, Hugo Chávez e Evo Morales pelos seus países, que inicialmente, refutaram a influência americana sobre a administração dos bens patrimoniais da nação devolvendo a quem de direito o lucro dos riquíssimos negócios que dispõem. Aí, então, levantaram-se as vozes da indignação, mas não lá, nos países mais interessados, onde estão os grandes monopólios, os verdadeiros donos do poder e do lucro, mas aqui, no nosso próprio continente, a mídia, de um modo geral, lançou impropérios de indignação contra atitudes tão antidemocráticas, ficaram horrorizados com o retrocesso econômico, mostraram estes governantes como demônios que vieram para ressuscitar o comunismo, cada jornal ou televisão mostrava a sua caricatura de cada um deles, como louco desvairado, como palhaço, como um índio extravagante. O congresso nacional enviou uma menção de repúdio ao comportamento do presidente da Venezuela, quando este não renovou o contrato da rede de televisão que ajudou um bando na tentativa de golpe de estado, contra um governo legitimamente eleito, sendo essa renovação, tanto lá como aqui, uma prerrogativa do governo, por ser uma concessão pública, no entanto, quando a população venezuelana morria de fome e doenças de toda ordem, ninguém aqui teve um mínimo de sensibilidade para se manifestar. Nem quanto aos nossos, que tem padecido do mesmo mal nestas últimas décadas, houve manifestação qualquer do Congresso Nacional repudiando tal situação e fazendo algo efetivo para o fim definitivo de tal ambiente, sendo que, o Brasil é um país com patrimônio muito maior e muito mais rico que qualquer dos países da América Latina.
O Brasil, graças as suas dimensões territoriais, a riqueza da sua geografia econômica e densidade demográfica, tem o potencial necessário para se rivalizar economicamente com a hegemonia norte-americana na America Latina, então, há um interesse grande dos norte-americanos e europeus em manter a situação sob controle, conservando uma relação de amizade de maneira a preservar seus interesses melhorando sempre as relações com a elite brasileira, fazendo com que esta acredite ser o melhor para o país deixar ser influenciada pelos interesses corporativos e não se desenvolva economica e militarmente em padrões que cause risco a supremacia norte-americana no continente.