quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Espectros sobre 1964

Caio Navarro de Toledo - Abril 2006

Passados mais de 40 anos, 31 de março de 1964 continua sendo comemorado por militares e civis que participaram do golpe de Estado que derrubou o governo constitucional de João Goulart e bloqueou a realização de reformas sociais e econômicas que, nos anos 1950 e 1960, eram reivindicadas por amplos setores da sociedade brasileira.
Se, em 2004, o polêmico General Francisco Roberto de Albuquerque, Comandante do Exército, elaborou uma moderada Ordem do Dia sobre 1964, agora em 2006 a história foi outra. Em uma nota – lida no dia 31 de março último para cerca de 200 mil soldados em quartéis de todo o país –, o Comandante do Exército exaltou o papel heróico de sua Força na “construção da Nação brasileira”. Discorrendo sobre 1964, afirmou que 31 de março “é memória, dignificado à época pelo incontestável apoio popular, e une-se, vigorosamente, aos demais acontecimentos vividos, para alicerçar, em cada brasileiro, a convicção perene de que preservar a democracia é dever nacional”. Determinado na missão de defender as instituições democráticas e a nacionalidade, o Exército, vitorioso em 31 de março, nunca teria deixado de ser “generoso com os vencidos”.
Recorde-se que, em outubro de 2004, seis meses após a sóbria Ordem do Dia acima aludida, o Centro de Comunicação Social do Exército – com o pleno conhecimento e anuência de seu Comandante – publicou nota no jornal Correio Braziliense na qual se justificava o método de tortura e assassinato, nas dependências militares, em nome da defesa da chamada “Revolução de 1964”. De imediato, o Ministro da Defesa, José Viegas, manifestou veemente protesto pelo despropósito da nota, cuja responsabilidade maior provinha de um subordinado seu na hierarquia ministerial. Diante do pedido do Ministro da Defesa ao governo, propondo a demissão do Comandante do Exército, o General – aceitando sugestão de assessores presidenciais – recuou mediante uma “nota de retratação”. Lula preferiu dar proteção ao General, que permaneceu no cargo de Comandante do Exército, enquanto ao civil José Viegas não restou senão a demissão do Ministério.
Mas não são apenas os militares que soam as trombetas em torno de 1964. Em um depoimento que foi publicado em 2003 no livro 1964 - 31 de março: o Movimento Revolucionário e sua História (Biblioteca do Exército Editora), o ex-czar da economia brasileira, Delfim Netto, não poupa elogios àqueles tempos em que “éramos felizes e não sabíamos”... (Lembremo-nos também que eram exatamente estes os dizeres de um adesivo que o então candidato a deputado federal, Delfim Netto, largamente distribuiu e foi afixado nos automóveis das classes médias e da alta burguesia paulista.) Entre as “pérolas delfinianas” encontradas na entrevista que concedeu à História Oral do Exército – projeto que, como esclarece o coordenador geral, visa levar a “verdade” aos brasileiros “cativos da má-fé ou da “ignorância” sobre 1964 –, uma se destaca pelo seu tom debochado e agressivo.
Na mesma linha dos virulentos ataques do arquiconservador economista Eugênio Gudin – para quem o governo Goulart esteve “encarniçadamente decidido a destruir, desmoralizar e até prostituir” a ordem econômica e social –, Delfim Netto agora afirma: “Havia (no governo Goulart) uma desorganização completa. Não existia liberdade coisa alguma. A idéia de que o Movimento de 1964 levou a uma ocupação do Governo é falsa. O Jango abandonou o Brasil. Esses canalhas estão por aí dizendo que iam salvar o Brasil e nós, hoje, temos uma prova concreta do que eles produziam: uma nova Cuba” (p. 154, tomo 5).
Tudo leva a crer que foi para evitar “uma nova Cuba” que o ex-czar da Economia mandou “às favas todos os escrúpulos de consciência” – como foram as palavras de seu loquaz colega de Ministério, Cel. Jarbas Passarinho – na reunião ministerial de dezembro de 1968 que instituiu o AI 5, cujo efeito foi o de radicalizar a ditadura militar com sua seqüência imediata de prisões e repressão aos que ousavam se opor aos governos militares. (Na entrevista publicada em 2003, Delfim reitera que, hoje, se preciso fosse – mesmo conhecendo aquelas funestas conseqüências ­ – não titubearia em assinar um novo AI 5.)
Na lógica dos “vencedores de abril de 1964”, também foi para “salvar a democracia” e tornar o país mais “feliz” que o ex-Ministro, em 1969, sob as ordens do banqueiro Gastão Vidigal, se prestou a “passar o chapéu” na elegante mansão de dona Veridiana Prado, localizada no então aristocrático bairro de Higienópolis, na cidade de São Paulo. Como informa o jornalista Elio Gaspari (A Ditadura Escancarada, p. 63), reunidos num prazeroso almoço, quinze dos maiores banqueiros do país sensibilizaram-se com os robustos e certeiros argumentos de Delfim no sentido de, patrioticamente, financiarem a criação da Operação Bandeirante (Oban), que nos anos seguintes se tornaria sinônimo de repressão e morte. Afinal, o país precisava, urgente, se livrar da canalha comunista e de esquerda...
Na construção de uma cultura democrática é indispensável que todos os agentes e atores políticos, de forma sistemática e rigorosa, exerçam a autocrítica sobre seus gestos e práticas. Assim, partidos, movimentos e personalidades políticas de orientação progressista – nacionalistas, humanistas cristãos, socialistas, comunistas, etc. – não devem se recusar em admitir equívocos cometidos na luta política e ideológica que antecedeu o golpe de 1964. Isso significa dizer que esses setores também têm responsabilidade política pelos eventos que culminaram na ruptura democrática. (Freqüentemente, esses erros se expressaram pelo radicalismo verbal, pela subordinação política ao hesitante e ambivalente governo Goulart, mas, sobretudo, pela incapacidade política desses setores na organização dos trabalhadores e das camadas populares na batalha pelas reformas sociais e na luta pela radicalização da democracia política.) Mas, definitivamente, é inaceitável atribuir ao conjunto das esquerdas um compromisso com o golpismo. Não deixa de ser uma grave concessão aos ideólogos da direita, afirmar, como faz a recente historiografia revisionista que, no pré-1964, “todos eram golpistas”.
Se nos anos 1960 nem todos foram golpistas, cabe àqueles que efetivamente destruíram a institucionalidade democrática então vigente a maior responsabilidade no sentido de reconhecerem publicamente os graves danos e erros por eles cometidos durante os 20 anos de regime militar, a começar pelo ato inaugural do golpe de Estado. Do ponto de vista de uma consistente cultura democrática, é inadmissível que segmentos importantes da sociedade civil e os setores majoritários das Forças Armadas se recusem ao imperioso exercício da crítica e autocrítica de seu passado.
A defesa intransigente e a apologia dos “heróicos feitos” da chamada “Revolução de 1964”, bem como a renovada justificativa das violências perpetradas pelo regime discricionário – feitas nestes 42 anos seja por militares seja por civis – em nada contribuem para a consolidação de uma cultura política democrática no Brasil.
----------
Caio Navarro de Toledo é professor colaborador voluntário do IFCH/Unicamp.
Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil

domingo, 1 de junho de 2008

O Buraco Rodoviário Mineiro

O Buraco Rodoviário Mineiro - BROM

O Buraco Rodoviário Mineiro – BROM é produto da excelência do Estado de Minas Gerais usado somente no âmbito do estado é, entretanto, determinado a um mercado ainda inexplorado, absolutamente aberto, podem-se, ainda, incluir curvas fechadas como parte de um pacote econômico único.
Produto final de grande potencial econômico, como a cachaça, o leite e o café, principalmente, para o nosso vizinho, o estado de São Paulo, pois lá há escassez de buracos rodoviários. É um típico produto do estado havendo grande produção no Sul de Minas, onde foram amplamente desenvolvidos e facilitados pela insistência e desempenho das sucessivas gestões públicas municipais, estaduais e federais nos últimos trinta anos.
Nunca se viu tanto empenho da administração pública no decurso de anos investindo na criação desse produto único, tão importante quanto os caminhões e automóveis que pelas rodovias mineiras trafegam.
Favorecidos pelo clima, condições ambientais e socioeconômicas teve um ambiente fértil para o seu desenvolvimento, sendo possível acrescentar na pauta de exportação para outros estados carentes desse produto e até para os países da Europa, América do Norte e Ásia, devido aos vários tipos de Buracos Rodoviários Mineiros, inclusive na forma de uma cesta básica com buracos menores acessíveis aos mais variados segmentos de consumo distribuídos pelo mercado, em países que tem carência de buracos rodoviários para resolver problemas sociais, para conservá-los ou tapa-los, e ecológicos graças ao volume de água que pode ser acumulado em seu interior e a sua absorção pelo solo até o lençol freático temos o Buraco Rodoviário Mineiro como um grande companheiro na salvação do planeta, menos no Sul de Minas onde já cumpriu por anos a sua finalidade.
Do gênero buraco rodoviário, a espécie Buraco Rodoviário Mineiro (BROM) – som produzido quanto o veículo passa sobre ele - é o mais adiantado, variando o tamanho pela largura e profundidade, seu desenvolvimento aperfeiçoou-se a ponto de destacar-se no mundo todo pela eficiência e qualidade, cumprindo sempre a finalidade a que se destina.
Produto orgânico, respeitando o meio-ambiente, sem a adição de produtos nocivos ajuda a proteger e regenerar o meio-ambiente, não pode ser consumido fisicamente, por conseguinte, não sofre transformações ruinosas, mas tem que ser usado de acordo com a indicação. Sua principal finalidade é reduzir a velocidade e os riscos a ela inerentes, quebrando suspensões, amassando rodas e rasgando pneus e, assim, desenvolvendo toda a indústria automobilística e a economia dos municípios próximos a eles, aumenta a arrecadação do estado pelas multas aplicadas aos apressadinhos que nos poucos espaços disponíveis entre os Buracos Rodoviários Mineiros tentam correr além no limite e são capturados pelos radares colocados em pontos estratégicos.
Pode também ser usado na exploração de petróleo com a sua superposição, seria possível acumulá-los em um buraco único do Brasil até a China, dada a sua quantidade só no Sul de Minas, o túnel perfurado teria preço altamente competitivo pela disponibilidade de buracos.
O problema único a ser resolvido é em relação à transferência do local onde se encontra para o lugar desejado pelo importador. A sua retirada deve ser cuidadosa evitando a possibilidade de produzir um buraco rodoviário maior que o tirado, então, quando da sua venda, faz-se um molde de asfalto para transferi-lo para o lugar desejado no estado ou país comprador. O procedimento é complementado pela colocação do molde no local do Buraco Rodoviário Mineiro, para assim, concretizar a transação com total satisfação do comprador e fornecer anteparo para a rodovia onde se encontrava.
Pela sua praticidade tanto na utilização, quanto na comercialização, o estado pode transferir de imediato o estoque de Buracos Rodoviários Mineiros - BROM para um lugar mais próprio minorando os gastos da população, principalmente, a do Sul de Minas, que já cansados de assumir os custos de produção e manutenção seria aliviada de seu criadouro para sempre, até pela única pavimentação das rodovias.
A ironia é a última das tentativas de fazer com que o poder público resolva esse grave problema que temos enfrentado quando necessária a viagem para as cidades do percurso até Belo Horizonte, ou mesmo, para São Paulo passando por Andradas. Acredito que chegamos ao limite da paciência.

sábado, 22 de março de 2008

Mundo sem monetarismo.

De uns tempos para cá, venho pensando seriamente num mundo sem dinheiro. A cada dia essa idéia me parece mais própria, mais elaborada. Pois tudo que temos de pior na sociedade está vinculado ao dinheiro ou fazem dele seu meio de opressão, pensem! A religião não sobrevive sem o dinheiro. Políticos desonestos não existiriam sem dinheiro. A mídia irresponsável, mentirosa e defensora dos interesses do capital sucumbiria sem o dinheiro. O tráfico perderia em todos os níveis de atividade seu grande fomentador. A exploração pelo trabalho e a mentira de que o trabalho enobrece definitivamente cairia por terra e, finalmente, as pessoas seriam felizes com o que fazem, cada uma procuraria uma atividade prazeirosa e cooperativa, como os povos da América Latina foram um dia dia antes da tragédia espanhola e portuguesa.
Esses povos maravilhosos, construiram sociedades perfeitas, baseadas em milênios de aperfeiçoamento e tradição, sem ao menos terem uma linguagem escrita, é incrível!
Naturalmente, também, não havia dinheiro, uma vez, que nada justificaria a sua existência, não era necessário, ninguém queria oprimir o outro.
Essas sociedades foram dizimadas pelos interesses do capital, apoiadas pela religião, que não reconheciam os habitantes locais como pessoas sujeitas às bençãos divinas, matá-los então seria algo necessário para a manutenção da fé, resguardando os dogmas e doutrinas da religião. A Companhia de Jesus, por meio dos jesuitas, providenciou a morte de milhões de índios a ponto de, em determinado momento, ficarem preocupados com o extermínio total deles e, dessa forma, não terem mais mão de obra escrava para os afazeres domésticos e as plantações.
Eles eram perfeitos demais e colocariam em risco a grande hipocrisia religiosa, as pessoas poderiam começar a se espelharam em seu modo de vida livre e natural e passariam a questionar o sistema, colocando em risco a estrutura de poder montada, pela ambiquidade.
Que Deus cruel, terrível e amedrontador é esse que diz que me ama e no entanto, por qualquer bobagem, vai me mandar para o quinto dos infernos para toda a eternidade.
Portanto, se Deus existe eu não sei, mas que se existir não é esse que precisa de tanto dinheiro a séculos e com ele montou essa estrutura imensa de poder, tenho certeza absoluta.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Chávez e o reino decadente

Que se cale o reizinho inconformado com a discussão que se envolviam Chávez e Sapatero, dois chefes de Estado. Ele, ou qualquer outro monarca, não tem condições morais de se manifestar em uma discussão crítica onde o ofendido era o ex-Primeiro Ministro Aznar, que concorreu de maneira imoral em uma tentativa frustrada de golpe contra um governo legitimamente eleito no qual Chávez era o prejudicado e muito menos mandar um deles calar-se. Que se cale o colonialismo. Jamais esse títere, apoiador do fascismo de Franco, teria coragem de mandar um governante do primeiro mundo calar-se, ele tem que ser lembrado de que o colonialismo acabou e seus netos não terão vida fácil a custa dos países da América Latina, quiça da Espanha.
Gostem ou não de Chávez ele tem sido o porta voz do inconformismo da América do Sul contra o espólio que tem nos submetido os cartéis multinacionais nessas últimas décadas, ao tomar conta do petróleo venezuelano contrariou os mais variados interesses, no entanto, e assim, Brasil e outros países do continente se fecham em copas quando se trata do que Chávez fala, os únicos a se manifestarem contra, foram alguns parlamentares brasileiros, representando a eterna direita conservadora e reacionária quando da cassação dos direitos de concessão da RCTV, patrocinadora, também, da mesma tentativa mencionada, como se eles representassem alguma democracia ou pudessem manifestar sobre isso em nome do povo brasileiro.
Como no Brasil, canal de televisão é concessão expedida pelo Estado e uma vez vencida este pode renovar ou não, ao império do Estado cabe a decisão discricionária, como houve um precedente grave, nada mais justo que a cassação da concessão, pois, se fosse em um dos países de primeiro mundo, ditos democráticos, os responsáveis pelo apoio ao golpe estariam presos e condenados à morte.
Entretanto, Chávez foi paciente a ponto de esperar o fim da concessão, para então não renová-la.
Então, que se calem aqueles que tem nos explorado por todas essas décadas, impondo regras e obrigando a miséria aos povos de países ricos como o Brasil, através de golpes patrocinados pela CIA e seus asseclas, ou ainda, sanções econômicas e restrições pessoais aos cidadãos dos países explorados, quando sem outro caminho a seguir, tentam ir para o primeiro mundo em um sonho utópico.

domingo, 5 de agosto de 2007

ACIDENTES AÉREOS

Os acidentes aéreos sempre foram comoventes, talvez pela característica do meio de transporte o "mais pesado que o ar" desafia a natureza ao colocar no ar até 500 pessoas de uma vez, muitas delas rezando para o avião desça logo, entrementes, tornou-se um meio de transporte tão importante pelas distâncias percorridas e rapidez desenvolvidas pelas aeronaves, que aqueles que voam se predispõem aos riscos que porventura corram.
Na verdade, a modernidade deixou este meio de transporte tão seguro que, segundo estatísticas, a possibilidade de morrer em um acidente aéreo é a mesma de ser atingido por um raio, um risco algo em torno de um por milhão, ou seja, uma chance em um milhão de ser atingido pelo tal raio, que sem dúvida tem que ser fatal, senão não vale.
Mas, em nosso país as coisas acontecem e por coincidência de maneira mais trágica que o normal a ponto de em menos de um ano, dois acidentes ceifarem 353 vidas, após um tempo razoável sem acidentes, o último de grandes proporções acorreu em 1996, em São Paulo, no mesmo aeroporto que se deu o último, ambas as vezes, pelas más condições operacionais, que há 10 anos atrás já não suportava as condições de tráfego, que continuaram a colocar em risco aqueles que voam até hoje.
Portanto, há 10 anos os nossos irresponsáveis administradores estão sem solução para um problema que até pode durar mais 10 anos, mais 10 anos, mais 10 anos ...
Para que não haja solução mesmo, agora uns culpam os outros. Os administradores culpam os operadores, que culpam o governo, que culpa o ministro, que culpa o outro ministro, que culpava o outro governo, que culpava os operadores, que culpavam os administradores e assim vai.
Será que no Brasil essa estatística funciona? Neste momento não está funcionando não, melhor viajar de ônibus, já que trem não tem mais, que pena, trem era tão bom e seguro, bem melhor que as atuais estradas por onde circulam os ônibus, que tem contra elas estatísticas mostrando que no ano passado morreram mais de 30.000 viajantes.
Pelo jeito o melhor é andar a pé e correr o risco do raio.

terça-feira, 31 de julho de 2007

O abuso armamentista

Ocorreu em novembro de 1963, quando em seu último discurso para a TV, o então presidente dos Estados Unidos da América John F. Kennedy, disse: "A palavra "segredo" é repugnante numa sociedade livre e aberta. Opomo-nos total e historicamente às sociedades secretas, juramentos e procedimentos secretos. Opor-nos-emos em qualquer parte do mundo a conspirações monolíticas e insensatas que sigilosamente vão expandindo as suas esferas de influências, com infiltração em vez de invasão, em subversão em vez de eleição, em intimidações em vez de liberdade de escolha. É um sistema que tem aprisionado pessoas e coisas, a tê-las bem organizadas. Uma máquina suprema e eficiente, que combina militares, diplomacia, inteligência, economia, ciência e política. As suas tarefas são escondidas, não publicadas. Os seus erros são enterrados, não divulgados. Os desacordos são silenciados, não orientados. Nenhuma despesa é questionada, nenhum segredo é revelado. Essa foi a razão pela qual o legislador grego Solon considerou crime qualquer cidadão que se acovarde perante a discussão. Estou pedindo ajuda em uma tremenda tarefa de informar e alertar o povo americano. Crente que com sua ajuda as pessoas serão aquilo que nasceram para ser: livres e independentes". Foi morto a tiros na metade do mandato por um seu concidadão, pelas forças ocultas que controlam o país, após denunciar sociedades secretas que conspiravam contra seu próprio povo, entranhadas nas forças armadas, na diplomacia, na economia, nas ciências e na política. O assassino, chamado Lee Oswald, decerto, acreditou estar fazendo algo para o seu país e foi também assassinado em seguida, por outro, que também acreditou nisso, uma vez que ambos pertenciam a mesma entidade, a CIA. E fez algo pelo seu país, de maneira consciente e com resultados inconcientes, logo após estes fatos, o país entrou em uma guerra absurda sob a égide de proteger o Vietnam do comunismo. Foram escorraçados pelo povo vietnamita, que não aceitaram a ingerência em assuntos próprios. Mas, contudo, a indústria armamentista lucrou uma fortuna, o que, sem dúvida, favoreceu o poderio bélico dos EEUU no mundo, reduziram a pó a mística da União Soviética, sua única rival. Quanto aos que sucumbiram, de ambas as partes na carnificina patrocinada pelos homens de negócios, nada mais natural, afinal morre gente todo dia e todas elas sem saber porque viveram e, muito menos, de porque morreram (lógico!). Deixando um vácuo na sociedade no qual pela ausência de pulsão, esta morre aos poucos.
A indústria bélica tem fome e não pára, tanto que hoje, o foco da carnificina no Oriente Médio: Iraque, Irã, Israel, Palestina, Líbano, Síria, na Ásia com o Afeganistão. A América Latina com a Venezuela e Brasil são os novos pontos de convergência de seus interesses. E depois?

CUIDAR DA AMÉRICA LATINA

O Brasil, graças a sua formação continental, tem importância essencial na garantia da segurança politica e econômica quando se trata da constituição de qualquer bloco econômico na América do Sul. Infelizmente, a formação do Mercosul ainda sofre as consequências da indiferença política relegando ao papel e à burocracia, ou, às teorias ilusórias e, principalmente, a mesquinharia de governos defensores de interesses, que não os nossos, através de discursos primorosos, mas, de conteúdo vazio e finalidade protelatória a sua continuidade e efetivo fortalecimento.
Temos acompanhado por décadas a decadência social e política e as agruras que o povo tem sofrido ao longo desse tempo e decorrente disso, o que mais nos impressiona, é a irreverência dos governos desde os anos 60, quando o mundo começou a sofrer transformações radicais em direção ao conhecimento e a tecnologia e, no entanto, a partir daí começou a corrupção da infra-estrutura do país, apesar de dívidas caríssimas contratadas no exterior via FMI, Banco Mundial, BIRD, até mesmo uma tal Aliança para o Progresso entrou no contexto da administração pública brasileira, aliança esta que sem dúvida não foi para o nosso progresso.
Vimos, com desalento, a rede viária e portuária serem seguidamente inutilizadas e em um país continental como o nosso, destruiram os portos, a malha rodoviária e uma imensa rede ferroviária, notadamente, nas regiões onde ela era mais importante - no sul, sudeste e centro-oeste - por fim, deixaram o país descalço.
O que foi feito com a educação, então, uma tragédia, reformas e mais reformas, deterioram o sistema educacional onde haviam orgulhosos e cultos professores, graças a remuneração condizente com a importância da profissão. Imaginem! Era possível viver como professor, e mais, até mesmo sustentar a família. Hoje, mal pagos, sujeitos a carga horária dupla, às vezes, tripla de trabalho, não conseguem melhorar a sua própria qualidade de vida, assim, como irão melhorar a qualidade de vida de alguém, ou mesmo, transformar em profissionais as pessoas advindas de uma população carente de conhecimento, sem ao menos ter condição para acrescer ou investir em si próprio. O caráter transformador da educação foi relegado ao porão da sociedade. Deixaram o país sem voz.
Transformaram um excelente país civil em um estado policial, um policial hoje ganha até o triplo do valor do salário de um professor, ou seja, algo está muito errado, não que o policial deva ser subjugado pelo salário, mas como justificar uma diferença tão grande socialmente.
Derrotaram o país em uma revolução sem um único tiro, o país sofreu uma transformação radical e violenta na sua estrutura econômica, política e social sem ao menos que a população se desse conta, sem que soubesse que estava sendo espoliada em seu patrimônio, a partir daí, vieram os tiros, mas na forma de bala perdida e de impunidade.
Mas, afinal, foi só isso? Não houve benefício para ninguém? Todos perderam?
Não! Claro que não!Temos hoje uma elite dominante altamente estruturada e rica, riquíssima, domina o capital da nação com destreza, especula com juros, ganha rios de dinheiro emprestando ao mesmo governo que tira do povo o inimaginável e, em seguida, mantém os juros altos para devolver àqueles mesmos os próprios juros, pura mágica econômica, porque ninguém consegue explicar como isso é possível e também como mudar este estado de coisas. A curiosidade disso fica por conta de que estes milionários são sempre membros dos três poderes da nação, ou fizeram parte dele, ou ainda, estão mancomunados com eles.
Mas a população não se manifesta? Não fica revoltada? Não ameaça com uma revolução sangrenta?
É, deveria, mas ela sofreu uma forte dominação moral proveniente de uma estratégia ideológica que convenceu a população e a própria elite brasileira que o american way of life é o padrão ideal de vida para todos, que a felicidade está no consumismo exacerbado, tanto para aqueles que podem, como para aqueles que não podem, mas tentam por seus próprios meios.
Os EUA a partir da década de 60, como agora confirmam documentos do governo de lá, que na época, contribuiram para a destituição de um governo legítimamente eleito por meio de intrigas e patrocínio de bandidos, para nossa infelicidade alguns ainda vivos e soltos, compondo com os que estavam ao seu soldo, convenceram a classe média e políticos ingênuos dos perigos do comunismo e, a partir de então, passaram a garantir a nossa segurança usando do subterfúgio da filantropia, como o bicheiro e o traficante, ao facilitar a formação de uma minoria para difundir o seu padrão social disponibilizando a sua estrutura social e cultural a toda sociedade brasileira, propagando que se é bom para os EUA é bom para o Brasil também.
Portanto, lutar para que a América do Sul seja dos sulinos é obrigação e essencial para a nossa sobrevivência e resguardo do mínimo que nos resta em dignidade e patrimônio, buscando uma divisão melhor de rendas, inserindo todos na riqueza incomensurável deste país e da América do Sul, restringindo o acesso aos nossos valiosos bens, ou então, vendendo-os ao seu real valor.
É o que nesse momento tem feito Lula, Rafael Corrêa, Hugo Chávez e Evo Morales pelos seus países, que inicialmente, refutaram a influência americana sobre a administração dos bens patrimoniais da nação devolvendo a quem de direito o lucro dos riquíssimos negócios que dispõem. Aí, então, levantaram-se as vozes da indignação, mas não lá, nos países mais interessados, onde estão os grandes monopólios, os verdadeiros donos do poder e do lucro, mas aqui, no nosso próprio continente, a mídia, de um modo geral, lançou impropérios de indignação contra atitudes tão antidemocráticas, ficaram horrorizados com o retrocesso econômico, mostraram estes governantes como demônios que vieram para ressuscitar o comunismo, cada jornal ou televisão mostrava a sua caricatura de cada um deles, como louco desvairado, como palhaço, como um índio extravagante. O congresso nacional enviou uma menção de repúdio ao comportamento do presidente da Venezuela, quando este não renovou o contrato da rede de televisão que ajudou um bando na tentativa de golpe de estado, contra um governo legitimamente eleito, sendo essa renovação, tanto lá como aqui, uma prerrogativa do governo, por ser uma concessão pública, no entanto, quando a população venezuelana morria de fome e doenças de toda ordem, ninguém aqui teve um mínimo de sensibilidade para se manifestar. Nem quanto aos nossos, que tem padecido do mesmo mal nestas últimas décadas, houve manifestação qualquer do Congresso Nacional repudiando tal situação e fazendo algo efetivo para o fim definitivo de tal ambiente, sendo que, o Brasil é um país com patrimônio muito maior e muito mais rico que qualquer dos países da América Latina.
O Brasil, graças as suas dimensões territoriais, a riqueza da sua geografia econômica e densidade demográfica, tem o potencial necessário para se rivalizar economicamente com a hegemonia norte-americana na America Latina, então, há um interesse grande dos norte-americanos e europeus em manter a situação sob controle, conservando uma relação de amizade de maneira a preservar seus interesses melhorando sempre as relações com a elite brasileira, fazendo com que esta acredite ser o melhor para o país deixar ser influenciada pelos interesses corporativos e não se desenvolva economica e militarmente em padrões que cause risco a supremacia norte-americana no continente.